15/06/2021 às 21h35min - Atualizada em 11/06/2021 às 19h16min

Era digital: os perigos dos filtros na busca pela perfeição

Isolamento populariza ferramenta da rede social, especialistas alertam sobre os riscos que os filtros podem causar a autoimagem.

Felipe Coutinho - Editado por Manoel Paulo
Tayse Santos
Lançado em 2017, os famosos filtros, ferramenta das redes sociais, ganharam espaço e diversidade se comparados a um ano e meio atrás, no início da pandemia. É nítido que a sua popularidade cresceu muito durante o isolamento, quando as vidas sócias de milhares de pessoas se voltaram para o mundo virtual. Neles os usuários encontram de memes humorísticos, quizzes gerais, até mesmo frases de manifestações. Mas o que vem causando preocupações aos especialistas é o fato dos filtros estarem saindo do âmbito do entretenimento e se tornando problema de saúde publica.

Quando o Instagram surgiu em 2010, o aplicativo era usado para compartilhar momentos como qualquer outra rede social da época, mas com o passar dos anos e com o surgimento de outras redes sociais, a competividade fez com que ele se reinventasse, se tornando um dos maiores e mais completos aplicativos do momento. Não há como negar que ele se tornou um gigante das mídias sócias, ele contém mais de 1 billhão de usuários ativos e um engajamento 15 vezes maior que de outras plataformas.

Mas você deve está se perguntando. Como é que algo aparentemente tão inofensivo, voltado para a interação pode se tornar perigoso? Sabe aqueles filtros, as formosas maquiagens virtuais, que tiram manchas, afina o nariz, aumentam os lábios ou até mesmo mudam a cor dos olhos? Esses filtros vêm mexendo muito com a autoimagem das pessoas, eles estão se tornando um tipo de ditadura do novo normal ao corpo, muitas vezes se transforando em padrões inalcançáveis.
A jornalista Adeilane Souza, diz que é adepta dos filtros, mas usa com moderação, pois conhece os risco e principalmente a dependência que os mesmos podem trazer. “Quase sempre eu uso filtros, pois acredito que eles dão um toque a mais nas minhas fotos, Inclusive a foto do meu perfil eu utilizei um filtro do próprio Instagram, porém acredito que as pessoas tem que ter ciência do uso, pois muitas abusam demais e acabam perdendo as características, as vezes ficam parecendo até outra pessoa”, completa.

E Adeilane não está errada, uma pesquisa recente, feita pelo grupo Girlguiding, descobriu que cerca de um terço das jovens não publicam fotos em suas  mídias sociais sem antes usar um filtro que modifica a sua aparência. Mas o fator que tem chamado a atenção dos especialistas, é justamente, os  gatilhos que os mesmos trazem para o desenvolvimento de transtornos, especialmente o dismórfico corporal, que é uma doença caracterizada por um foco obsessivo de um indivíduo sobre o que ele considera ser um defeito em seu corpo, levando as pessoas a se submeterem aos mais diversos procedimentos. Percebendo isso, no começo de 2020, alguns filtros chegaram a ser banidos pelo próprio Instagram, como forma de criar um ambiente mais saudável.
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