15/06/2021 às 10h09min - Atualizada em 11/06/2021 às 18h44min

O Reino Unido depois do Brexit

O Reino Unido iniciou neste ano sua caminhada no cenário internacional sem a União Europeia. As perspectivas para o futuro do país, por enquanto, seguem incertas.

Leonardo Leão - Editado por Marceli Maria
Site Crawford

 Em 2020 o mundo presenciou um dos momentos mais marcantes da história das Relações Internacionais, a conclusão do Brexit. A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) era um tema muito discutido desde o referendo realizado em 2016. Mas agora, os especialistas se perguntam como será o futuro dos britânicos fora do bloco europeu.

 Para a analista de relações internacionais, Júlia Moreno, é difícil prever o que acontecerá no futuro, mas acredita que o Reino Unido possa vir enfrentar grandes dificuldades à frente. Ela afirma que o Brexit já causa alguns impactos na política e na economia inglesa. Júlia também destaca as quedas da libra em relação ao euro e ao dólar, além da discussão sobre a independência escocesa. A analista crê que novos acordos terão que ser escritos.

 Segundo a Comissão Europeia, o Brexit pode custar até US$ 56 milhões por ano para a economia do Reino Unido. Já o Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR, sigla em inglês) prevê uma queda na produtividade de quase 4%, além de um aumento na inflação. Muitos desses prognósticos foram alcançados devido a saída dos britânicos do projeto europeu de integração econômica, comercial e política.

 Mesmo com um acordo comercial entre as partes proibindo tarifas comerciais, as empresas britânicas vem sofrendo com os procedimentos alfandegários. Elas enfrentam muita burocracia através de papéis e variados tipos de inspeções.

 Uma pesquisa realizada pela Make UK revela que quase três quartos dos empresários já enfrentaram atrasos nas vendas de mercadorias para a UE. O Reino Unido é o quinto maior exportador de bens e serviços no mundo e as exportações para a União Europeia equivalem a aproximadamente US$ 400 bilhões por ano.

 Os entraves causam uma grande fuga de capital no país. Vale ressaltar que o peso dos investimentos estrangeiros diretos no Reino Unido é superior que em outros países europeus. Já os serviços financeiros contribuem com quase US$ 200 bilhões para o PIB britânico, mas a cidade de Amsterdã já superou Londres como principal centro de negócios da Europa.

O projeto britânico

 O Reino Unido é uma potência financeira, tecnológica e cultural. É a quinta maior economia do mundo, a bolsa de Londres possui mais de 11% das empresas listadas no mercado mundial. Também é o quarto no ranking de inovação global, o terceiro que mais atrai investimentos em tecnologia e também o terceiro país com mais startups unicórnios no planeta. Além de ser o segundo maior orçamento militar entre os membros da OTAN. São também o segundo maior destino para estudantes estrangeiros do mundo, cerca de 25% dos líderes mundiais já estudaram no país.

 Mas com a saída da União Europeia, os britânicos estão à procura de novos parceiros econômicos e políticos. Júlia Moreno cita as tentativas de novos acordos com países fora do bloco europeu, como Noruega e Luxemburgo, mas ela ressalta que esses países são pequenos demais para compensar as exportações necessárias. Ela afirma que o ideal seria uma parceria com países americanos e asiáticos, mas só será visível os resultados no futuro.

 O governo britânicofirmou acordos com 66 países de fora da UE. Desde o início deste ano, 60% das importações para o Reino Unido estão livres de tarifas e os outros 40% estão, em muitos casos, abaixo da convenção internacional. Os britânicos possuem três objetivos principais, os Estados Unidos, a aliança CANZUK e o Oriente.

 Os EUA é o maior sócio comercial e investidor do país. Além disso, essa parceria pode beneficiar ambos, além de abrir portas para o grande mercado americano às empresas britânicas o que por sua vez, pode servir como ligação entre as empresas americanas e a Europa.

 A união entre Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido (CANZUK, sigla em inglês) é um grande sonho dos britânicos. Esses países representam 7% da economia global. O Oriente também é um importante objetivo para o país, ele possuí metade da população terrestre, as maiores taxas de crescimento econômico e 40% do PIB mundial.

A analista de relações internacionais ressalta que os britânicos nunca estiveram de pleno acordo com a UE, não aderiram ao euro como moeda única e o Espaço Schengen, que permite a livre circulação de pessoas. Mas devido aos acordos firmados, ela acredita em futuras negociações. Ela aponta para a necessidade de melhorar as relações internacionais, principalmente com os países vizinhos, pois o ambiente dentro da Grã-Bretanha anda vacilante depois do Brexit.

 Agora o Reino Unido está diante de um grande desafio, ele terá que superar as baixas expectativas de muitos especialistas. Para Júlia Moreno, a principal causa do Brexit foi o sentimento anti-imigrantes de uma população mais velha e mal informada a respeito do referendo. Ela acredita que a saída foi uma decisão equivocada e que poderá gerar mais malefícios do que benefícios ao país.


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