12/06/2021 às 07h42min - Atualizada em 12/06/2021 às 06h00min

O crescimento da pandemia e as festas clandestinas em todo o país acendem o alerta

O Brasil pode mais que dobrar a quantidade de mortes já registradas até setembro deste ano

Por: Daniel Maia - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto: Festas clandestinas podem estar associadas ao crescimento da pandemia no país - Reprodução: CNN Brasil
Próximo de atingir a triste marca de 500 mil mortes em decorrência da Covid-19 no país e pouco mais de 1 ano de enfrentamento da pandemia, a irresponsabilidade ainda persiste em inúmeras situações. As festas clandestinas entre jovens vêm chamando a atenção pelo alto número de ocorrências em todo o Brasil. Segundo especialistas, o risco de um agravamento da pandemia associada a chegada do inverno pode trazer uma terceira onda da doença. Somado a isso é importante destacar que infelizmente o país enfrenta um ritmo lento da vacinação, além de ser considerado um celeiro para novas variantes.

Diferente do início da pandemia em que a transmissão e complicações da Covid-19 afetava mais aos grupos da terceira idade e pessoas com comorbidades, hoje, uma alta no número de internações entre jovens preocupa. Em contrapartida, uma queda de hospitalizações para os mais idosos está associada a vacinação do público.

Para o médico infectologista Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, o crescimento da pandemia é associado também as festas irregulares e as novas variantes. “Quanto mais as pessoas aglomeram, mais elas se contraem. Esse vírus é mais agressivo para os jovens do que o primeiro, essa variante é mais perigosa. E além desses jovens trazerem para a casa, levarem para os trabalhos, eles também podem adoecer e consequentemente precisarem de UTI.”, explica. Questionado sobre as consequências das festas clandestinas ele enfatiza. “As consequências dessas festas é exatamente a manutenção da circulação viral em alto contágio. Então, quanto mais festas, mais transmissão, mais contágio, mais adoecimento grave, mais mortes. Realmente, é muito perigoso isso para a população em geral.”, alerta.

Preocupado com o alto número de casos, hospitalizações e mortes, Estevão deixa um recado sobretudo para os jovens. “Evitar sair, não aglomerar, sempre que estiver junto de outras pessoas usar máscara, higienizar as mãos, não é hora de sair, basicamente não é hora de ter qualquer tipo de festa, as pessoas não podem perder o jogo no finalzinho quando a vacina está chegando pra todo mundo.”, finaliza deixando o alerta.

Ainda de acordo com o médico a situação pandêmica no país vai depender de alguns fatores. “A gente espera uma redução progressiva e gradual da pandemia nos próximos meses, mas vai depender de três fatores primordiais. Primeiro, ajuda das pessoas. Segundo a vacinação, quanto maior, menor a transmissão do vírus e em terceiro lugar, é qual o impacto das variantes sobre as vacinas, se as variantes impactarem muito as vacinas perdem um pouco de sua efetividade o resultado fica pior.”, enfatiza.
 
De acordo com uma projeção da Universidade de Washington, o Brasil pode mais que dobrar a quantidade de mortes já registradas até setembro deste ano. Porém, eles infectologistas, afirmam que se 95% da população utilizar máscaras da forma adequada, até duzentas mil mortes podem ser evitadas.
 
Para tentar entender o que leva um jovem a assumir o risco para si e outros, mesmo sabendo da gravidade da pandemia, o psicólogo Marcos Paulo Carvalho destaca. “O comportamento negacionista não é uma exclusividade dos jovens, podemos perceber que pessoas de todas as idades estão se comportando de uma maneira que os expõe ainda mais ao vírus. Em alguma medida não parecem dispostos a renunciar a alguns hábitos e aderir ao isolamento social.  Ao tentar encontrar resposta para essa pergunta, podemos pensar na falta de repertório, dado que no último século não houve situação similar, podemos também estudar as pulsões de morte proposta por Freud em 1920, ou ainda - o que eu particularmente vejo mais ligação - está relacionado ao vazio existencial que experimentamos e a falta de sentido para a vida, o que nos torna insensíveis e indiferentes com relação à miséria, a violência e ao caos que estamos vivendo.”, explica, Marcos.

Questionado sobre o papel das redes sociais na influência desses jovens Marcos deixa claro. “Os jovens estão sim mais conectados às redes sociais, é natural que os eventos e os convites surjam através delas, todos conectados, sempre! É através delas que surge o conhecimento e o desejo de estar juntos. Adolescentes tem uma forte tendência à experimentação, assim como um forte desejo de conhecer outras pessoas. Sendo assim, considerando o momento delicado que estamos vivendo torna-se um desafio a conscientização desses grupos para adotarem comportamentos mais seguros.”, enfatiza.

Em nota, a Polícia Militar explica que estão sendo feitas atuações no combate as festas irregulares em meio a pandemia e conta com o apoio da Guarda Municipal. É possível que as pessoas denunciem essas irregularidades por meio do Disque-Denúncia – o número é o 181. A denúncia é anônima. 


Editora-chefe: Lavínia Carvalho. 

 

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