19/06/2021 às 12h35min - Atualizada em 19/06/2021 às 11h48min

O quê motiva o crescimento de abandono de animais durante a pandemia ?

Segundo a AMPARA Animal, em 2020 o índice de abandonos à animais cresceu em 70%. Animais que antes tinha um lar e companhia, hoje passam frio e estão sozinhos.

Karina Santos - Editado por Talyta Brito
Reprodução: internet
Imagine ter um lar, uma cama, comida no momento em que sentisse fome, companhia segurança e proteção e de repente sua vida mudar. As mesmas pessoas que antes eram seu porto seguro, hoje são só estranhos. Em um dia você é feliz e no outro, o frio, a chuva, o medo e os maus tratos são parte da sua rotina e da sua nova vida. Essa é a realidade de muitos cães e gatos que foram abandonados durante a época de pandemia. Infelizmente, algumas pessoas não olham para animais de estimação como seres indefesos, e sim, como algo descartável. Mas, por que esse índice crescer tanto durante determinada época?







Os abandonos

Talvez seja pela crise financeira, ou pelo estilo de vida ter mudado durante a pandemia e donos terem que se readaptar, mas algumas pessoas estão cortando as relações com seus melhores amigos.
A dona da ONG Abrigo Amigo, Bruna Pimenta, relata que entre o começo da pandemia e o meio do ano de 2020, houve uma grande diferença em relação aos cães adotados.

 



 
 

" No começo da Pandemia, a procura por animais aumentou demais. Acho que as pessoas se viram em casa e a maioria mora sozinho, então tinham mais tempo para cuidarem dos animais. Às vezes já tinham esse planejamento, mas por conta do trabalho só foram adiando. A procura no começo aumentou muito, foi um absurdo! Mas por volta de julho e agosto de 2020 aconteceu o contrário, as pessoas tinham expectativa de que a Pandemia não fosse durar tanto tempo e elas começaram a ver que não tinha previsão para acabar e aí começaram as mensagens dos donos querendo doar seus animais. Foram muitas, fora as famílias que simplesmente abandonaram." Comenta





 
E quem pensa que somente vira-latas foram abandonados, se engana! Mais um grupo foi atingido pela pandemia. A protetora ainda diz que algo um pouco incomum aconteceu, muitos cães de raça também foram abandonados e em 2021, quase nenhum filhote está sendo adotado.
 
"Nós ainda resgatamos muitos animais de raça, o que é algo muito difícil nos outros anos porque geralmente resgatamos animais que estavam na rua ou que nasceram lá. No ano passado a quantidade de animais que resgatamos foi muito alta porque tinha um dono em algum momento e eles acabavam doando ou se desfazendo. Então realmente teve esse aumento de abandono, muito mesmo."

Ela complementa contando sobre um caso
 
“ Em 2021, a gente sentiu que as adoções pararam, caiu muito. Parece que todos que queriam adotar um animal, já adotaram em 2020 e agora acabou nossas possibilidades. Ano passado era muito fácil doar filhotes, nesse ano sentimos que até eles estão difícil de doar. Tivemos três recentes que demoramos quase dois meses para doar"  Pontua.

As adoções

Por outro lado, para algumas pessoas, os animais tem se tornado tudo. Além da diversão da casa, também encontram neles um verdadeiro amigo e em algumas opiniões, até mais sinceros e verdadeiros em sentimento que os humanos. É o caso de 
Ana Luiza, estudante de enfermagem,  que adotou um gato e um cachorro durante esse período e conta um pouco sobre sua experiência.

 
“Por conta da pandemia, eu me senti muito sozinha, passava o dia no meu quarto e às vezes me sentia triste. Então, em uma conversa com meus pais, que sempre foram compreensivos, discutimos a possibilidade de ter um animalzinho. Eu nunca tive, então seria algo novo, aprendi na prática como cuidar.” Ela continua “ Adotamos primeiro a Katy, minha gatinha que tem 1 ano, como pegamos ela filhote foi a diversão da casa e a minha companhia nos dias ruins ! Eu passava e ainda passo horas com ela porque ela me faz bem.” 

Ana ainda narra a experiência com os pais quando teve a ideia de adotar um cachorro. De começo, ficaram receosos pois não sabiam como um cachorro e um gato iriam se dar bem, mas resolveram encarar aos poucos a experiência.
 
“ Meu pai, no começo, era contra adotar um cachorro por medo dele ser agressivo com a gata, falei até sobre pegarmos um filhote, talvez fosse mais fácil, mas ele não queria de jeito nenhum! Porém, como eu disse, eles são compreensivos então conforme foi passando o tempo, aceitou a ideia e para mim e para minha mãe, aquilo foi maravilhoso ! Pegamos então o Bob, ele é um basset e super amigável! Não estranhou minha gata, pegaram amizade rápido e hoje meus dias são muito mais felizes com os dois.”

Comprar X Adotar, qual a melhor opção?

Você provavelmente já escutou aquela frase “Não compre, adote". Ouve-se quase o tempo todo no jornal sobre feiras de adoções e algumas pessoas que foram presas por vender animais domésticos. A maioria da população talvez não saibam dos maus tratos que grande parte dos cachorros e outros animais à mostra para compras passam, talvez por falta de conhecimento, grande parte sustenta um mercado que envolve até mesmo abusos sexuais.

 
“No Brasil, enfrentamos muito ainda a questão dos criadores clandestinos, eles criam nos fundos de quintais das casas e muitas vezes há um cruzamento de irmã para irmã, mãe para o filho e isso acaba gerando crias que tem deficiências e problemas gravíssimos de saúde. É muito cruel você criar animais assim, sem a mínima estrutura. Os canis sérios, que se preocupam mesmo, cuidam muito bem dos animais. Há uma série de responsabilidades que eles exigem quando você compra um cachorro e valem preços altíssimos porque são muito bem cuidados.” Comenta a protetora de animais.

Em geral, o correto é que a fêmea tenha apenas uma cria e logo após, a castração. À fim de evitar problemas sérios de saúde. O problema é quando os criadores resolvem fazer um atrás do outro, como uma espécie de estupro na fêmea. As cadelas que vivem assim, impossibilitadas de fazer algo, enfrentam uma infeliz tortura. Elas perdem dentes, pelos, visão, ficam extremamente debilitadas. Há muitos canis que escondem a verdade. Sempre cachorros lindos na vitrine, e por trás, toda a tragédia envolvendo os indefesos.

 
“ Além da questão dos problemas envolvendo a venda de animais, vale ressaltar que o Brasil é um país que tem um problema muito sério com a quantidade de animais de ruas, é uma questão sanitária e acho que as pessoas devem criar esse senso de responsabilidade de ‘há muitos cachorros de rua então por quê eu vou comprar?” Diz Bruna.

Há muitos animais  à espera de um lar e de alguém que possa ama-los. Esses animais estão em todos os cantos e na maioria das vezes são desprezados. Ninguém olha para eles. Mas a maioria, com um olhar, faz apenas um apelo: não compre, adote.


 
 

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