16/07/2021 às 21h04min - Atualizada em 16/07/2021 às 20h59min

Zellennials: nem millennials, nem geração Z

Eles não são mais adolescentes, muito menos adultos independentes

Ana Paula Alves - Editado por Andrieli Torres
Foto: Reprodução/Pxhere - mohamed hassan

Millennials usam calça skinny, cabelo para o lado, são fãs de Paramore, Harry Potter e Friends. Eles adoram falar sobre como amam café e sofrem com os boletos a pagar. Viveram alguns anos sem a internet, mas se adaptaram rapidamente, passando horas no Orkut e MSN. A câmera digital e o estilo emo foram marcos na sua adolescência, que foi  registrada no Fotolog através de fotos com qualidade baixa, passadas da câmera para o computador através de um cabo. O computador também era bem característico, provavelmente se tratava de uma tela de tubo, originalmente branca, mas que com o tempo se tornou bege, em que se via como plano de fundo um campo verde e um céu azul, clássico do Windows XP. Estão perto dos 30 anos, muitos já saíram da casa dos pais e tem um trabalho relativamente satisfatório, que os sustenta.

A geração Z usa roupas da Shein, cabelo dividido no meio, de preferência com mechas frontais, são fãs de Olivia Rodrigo, Elite e Euphoria. Eles mal tomam café da manhã, é uma perda de tempo, e como são adolescentes, os boletos ainda não chegaram. Quando nasceram, a internet já estava ali, já tinham seu perfil no Facebook quando crianças, mal conheceram o Orkut. O TikTok e o estilo e-girl são seus marcos de adolescência, que é registrada através das trends gravadas pelo celular, editadas e postadas com rapidez e facilidade. Para a maioria das coisas, não precisam de um computador, tudo que querem, pode ser feito pelo smartphone. Estão no auge de sua adolescência, vivendo o meio digital como uma segunda vida e com uma vontade de revolucionar o mundo.

Mas entre esses grupos, escondidos ao fundo, você pode vê-los, os zellennials. Pode-se dizer que vivem o melhor dos dois mundos. Ou o pior dos dois mundos. Eles misturam os costumes do millenials e da geração Z, usam o cabelo dividido de lado, mas também gostam de dividí-lo no meio, acompanham o TikTok, mas têm uma memória afetiva do Orkut, conheceram a câmera digital, mas logo o celular a substituiu. Estão com cerca de 20 e poucos anos, tentando fazer alguma coisa com suas vidas após terminar o ensino médio.

Eles estranham os vídeos que comparam as gerações, pois ao mesmo tempo que se identificam com millennials, também se veem na geração Z e também encontram divergências em ambos. Não pertencem nem a um, nem a outro, se sentem no limbo. Mas esse sentimento não se limita apenas à forma de usar o cabelo. É sobre toda a fase de vida que eles se encontram.

Zellennials não são mais adolescentes, muito menos adultos independentes. 

Imagine uma pessoa que terminou o ensino médio, mas não entrou imediatamente em uma faculdade, também não tem experiência no mercado de trabalho, nem um rumo decidido em sua vida. Ela se sente perdida, sozinha em um ponto em que existem tantas possibilidades e coisas que ela precisa considerar que não sabe nem por onde começar. 

Ela precisa decidir rapidamente. Com o que trabalhará para o resto de sua vida? Onde fará faculdade? Esse curso será mesmo o ideal? Irá procurar um emprego antes da faculdade? Onde irá entregar currículos? Em quais sites se inscreverá? Como alcançará sua independência? Onde estará nos próximos cincos anos? Você não pode ser um nem-nem! Não pode continuar dependendo dos seus pais! Não pode ficar parado! O limbo vai te engolir! Faça alguma coisa!

Mas ela não sabe o que fazer, ninguém a ensinou, está aprendendo por si própria, o que leva tempo. E a sensação que essa pessoa tem, com toda a pressão de fazer e ser alguma coisa o quanto antes, é a de que seu tempo de aprendizado é um tempo perdido, desperdiçado. Ela sente que está atrasada, sozinha, e que todos ao seu redor já têm vidas mais bem resolvidas do que ela.

Mas isso não é verdade, estão todos tão perdidos quanto ela. Todos têm essa fase da vida, em que se encontram sem direção, sem se encaixar em local algum. A própria criação da palavra zellennieals mostra que existe um enorme grupo que se sente da mesma forma. Se sentir deslocado é normal, tanto que, paradoxalmente, pode-se criar o grupo dos deslocados. 

Portanto, caso seja um Zellenial, não se sinta mal por isso, seja mais paciente consigo. Você não está no limbo, você está apenas em uma fase difícil, mas necessária para e começar a decidir por si como você aproveitará os próximos anos de sua vida.


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