01/10/2021 às 05h45min - Atualizada em 01/10/2021 às 05h32min

Resenha: Pessoas Normais- Sally Rooney

Obra ambientada no interior da Irlanda faz sucesso entre os adolescentes e ganha adaptação

Elayne Santos - Editado por Talyta Brito
Arquivo Pessoal/ Elayne Santos


Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Ele é a estrela do time de futebol, ela é solitária e preza por sua privacidade. Mas a mãe de Connell trabalha como empregada na casa dos pais de Marianne, e quando o garoto vai buscar a mãe depois do expediente, uma conexão estranha e indelével cresce entre os dois adolescentes ― contudo, um deles está determinado a esconder a relação. Ao longo dos anos a vida deles se cruzam e os dois permanecem próximos, como linhas que se encontram e separam conforme as oportunidades da vida.

O livro no início é um pouco difícil de acompanhar, já que a Sally não coloca a separação de fala, sem a falta do travessão e das aspas, mas ao longo da leitura conseguimos  identificar tranquilamente o diálogo dos personagens, o objetivo da autora foi tentar falar diretamente com os leitores, de forma direta e fluida. 

 Pessoas normais é aquele livro onde a gente não dá nada por ele a princípio. O livro aparenta ser aquele romance clichê de dois jovens amadurecendo. Mas ele é bem mais, não tem nada de previsível, retrata muito bem um relacionamento real, tanto a Marianne quanto o Connell têm uma comunicação bem ruim quando se trata de demonstrar os seus sentimentos, quando um fala alguma coisa o outro compreende de forma diferente e vice-versa. Ele consegue ser um livro bem cru ao mostrar como os personagens lidam com os seus traumas, com a saída do ensino médio, em construir novos afetos em torno dos seus amadurecimentos. 

 O livro ganhou uma adaptação em 2020 de mesmo nome, feita pela plataforma de streaming Hulu e chegou ao Brasil através da Starzplay.

A adaptação teve bastante sucesso ao conseguir ser fiel ao livro e em dar vida aos personagens com tanta sutileza, com os atores Daisy Edgar-Jones(Marianne Sheridan) e Paul Mescal (Connell Waldron).

Eu terminei o livro com aquela sensação de aperto no coração, ele não é um livro fofinho, ele é um livro real, onde os personagens são muito bem escritos, me senti próxima dos dois. Senti que já tinha passado por situações semelhantes, tenho uma certa dificuldade em demonstrar minhas emoções e até me atrapalho, acredito que esse foi um fator muito importante no livro, visto que me senti ainda mais conectada.
 


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »