01/10/2021 às 14h08min - Atualizada em 01/10/2021 às 13h42min

O que seus personagens favoritos dizem de você?

Relatos de identificação de fãs com personagens; sobre o universo cosplay: sendo um personagem

Fernando Azevêdo - Editado por Larissa Bispo
(Foto: Unsplash)
 

Assistir uma série, um filme, ler um livro ou ouvir uma música podem significar bem mais do que o entretenimento do momento em si. Algumas obras transformam as pessoas que as consomem. É comum a admiração por essas peças, e também é comum a identificação de fãs com personagens, histórias e contextos. 

 

Assistindo um filme sobre uma pessoa que superou alguma dificuldade, você pode se lembrar daquele problema que você enfrentou. Ou pode assistir um romance clichê e lembrar daquele seu primeiro amor. E pode também se identificar com os personagens dessas histórias, por características físicas, formas de pensar e ver o mundo, ou partindo de uma admiração enorme.

 

Assim se encontram muitos fãs, quando refletindo sobre a identificação com personagens e histórias. É um sentimento muito especial, e não existe uma fórmula padrão para sentir isso. Cada pessoa pode se identificar com personagens de uma forma diferente.

 

Mesmo que  não exista uma fórmula, algumas coisas similares são percebidas em relatos de fãs, e esta matéria ouviu alguns. A admiração é fundamental, pois você presta atenção àquele personagem e tenta desvendá-lo, de certa forma. Surge uma empatia - você nunca quer ver aquele personagem querido em sofrimento ou em momentos negativos, claro; e você comemora cada felicidade junto a ele. Quando você se identifica, vê nele coisas que você mesmo já possuiu, possui ou gostaria de possuir. Pode ser mesmo representatividade daquilo que é tão único em vocês. Você aprende tanto com ele! Fechado um ciclo de acompanhamento daquela história, você sempre vai torcer pelo final feliz do seu personagem. Tomara que assim seja!

   

Investigando um pouco disso, voltamos ao ponto de que as pessoas processam as identificações de formas subjetivas e únicas. Ser fã é tão especial quanto exclusivo. Não importa como os personagens sejam ou quanto tempo você os conheça, existe uma conexão especial entre vocês.

 

Relatos de fãs 

 

Joey Tribbiani é um divertido ator, que ama pizza e ama seus amigos. Joey é personagem da série "Friends", e é também o personagem com o qual Hevellyn Marya Macêdo Gomes, 15, identifica-se.

 

"Joey procura sempre ajudar seus amigos quando precisam de apoio, consegue ser engraçado e tem também suas piadas sem sentido (...). Ele consegue ser bastante ingênuo e deixa a emoção tomar conta de si", diz Hevellyn, que acredita que muito da personalidade do personagem é refletida nela. A identificação com Joey parte da admiração com o jeito dele consigo e com os outros, a estudante prossegue. Ele se tornou influência para ela, de alguma forma. 

 

Essa  identificação também traz aprendizados para Hevellyn. "Aprendemos com Joey que ser uma pessoa muito ingênua nos coloca em situações que as pessoas podem tirar proveito (...). Podemos ver, [com] a mudança dele ao decorrer da série, que podemos ser bons sem deixar tirar proveito".

 

 

Já a estudante de jornalismo Karen Edyanne, 19, identifica-se com alguns personagens bem variados. Ela cita: Jane, do livro "Orgulho e Preconceito"; Hermione, da série de livros "Harry Potter"; Amy, da série "Brooklyn Nine-Nine"; Rachel, de "Friends"; Tiana, da animação "A Princesa e Sapo"; e a Louisa, da trilogia "Como eu era antes de você". 

 

 

São muitos personagens com os quais ela se identifica. Karen fala que, por vezes, sente-se dentro das histórias, dos livros, das obras. "De forma geral, acredito que esses que citei são personagens sensíveis e é dessa forma que me sinto sobre várias coisas".

 
"É uma sensação tão boa ver como um personagem se parece ou pensa como você, que você se sente incluso na obra", diz.
 

Com Tiana, a identificação é ainda mais especial. A discente se sente representada por ela. "Ainda mais se a gente se sente com a autoestima meio pra baixo e 'se vê' assim numa obra, isso melhora bastante e faz você pensar 'nossa, eu poderia estar numa obra também''', diz.

 

 

Pensando sobre isso, Karen elabora que talvez a identificação não seja sobre uma característica isolada, mas um conjunto de traços do personagem que o fã percebe nele mesmo. O jeito de ser, o que gosta de fazer e hobbies, por exemplo. Também pode surgir daí um autoconhecimento. "Você se vê ali e por isso começa a entender algumas características próprias suas e do personagem que compartilham".

 

"Acho que você aprende a olhar mais pra dentro de si e não falo nem sobre a personalidade, na verdade, mas o desenvolvimento do personagem que acontece dentro da história. Todo personagem tem um e eles nunca estão lá só por estar, né? Por exemplo, quando um personagem comete um erro e enxerga isso depois, ou quando eles tomam decisões que provocam uma reflexão na gente…", Karen fala.
 



 

 

"Seja gentil, porque todo mundo enfrenta uma batalha". Eis uma frase marcante do discurso de Auggie Pullman, personagem do filme "Extraordinário". Faz pouco tempo que Leandro Juvino, estudante de Jornalismo, 19, conheceu a história, mas já admira e se identifica com a garra de Auggie, "de, mesmo com medo, encarar o problema de frente".

 

 

 

A história de Auggie é marcada por preconceitos, pois ele tem uma deformação na face. Mas, mesmo assim, ele supera as dificuldades, o que emocionou Leandro. 

 

O discente também cita Wanda Maximoff, da série "WandaVision", como uma personagem que admira. A história da Wanda - com perdas, conquistas, alguns erros e, ao mesmo tempo, certa leveza - é linda e poderosa. É isso que encanta o jovem.

 

Vivendo personagens: um relato sobre cosplay

 

Você já pensou em ser aquele personagem que tanto admira? Desde 2016, Letícia Kerchner, 27, vive esse "sonho de criança" por meio do cosplay. A atriz e designer dedica ao cosplay parte dos conhecimentos que adquiriu estudando teatro, associados a sua paixão pelo universo das fantasias e caracterização. Além disso, ocorre a interação com o público que admira a interpretação. 

 

"Cosplay" é a denominação da atividade de se fantasiar e interpretar um personagem, e a pessoa cosplayer geralmente tem semelhança com ele - física ou de personalidade. Foi assim que um conhecido de Letícia a incentivou a fazer o cosplay de Rey, personagem da saga “Star Wars”. Há semelhança física entre elas. A partir disso, Letícia decidiu pesquisar sobre o cosplay, e então se apaixonou.  

 

 
"[O cosplay] é um universo mágico, super divertido e acolhedor, onde você pode se transformar no seu personagem favorito e interagir com os fãs daquela obra. A sensação é de como se você voltasse a ser criança, quando fingia ser o seu super-herói predileto", relata.
 

Rey Skywalker, de “Star Wars” - uma das sagas mais curtidas pelo público, diz Letícia - é a principal personagem que ela interpretou. Além dela, "recentemente finalizei o meu cosplay de Queen Maeve, da série 'The Boys', mas ainda não consegui estreá-lo nos eventos por conta da pandemia".

 

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A experiência de ser cosplayer certamente rende aprendizados. Enquanto interpreta - se veste, age e fala como - um personagem, o cosplayer captura um pouco da essência desses ícones. Letícia diz que às  vezes "rola aquela vontade de interpretar personagens que você gostaria de ser". 

 

"Acredito que o que mais me inspira na Rey é a força e a dedicação dela em descobrir sobre o seu passado, e na Queen Maeve a atitude dela de super-heroína rebelde, de quem acredita no seu potencial e não liga para o que vão dizer".


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