09/10/2021 às 14h24min - Atualizada em 09/10/2021 às 12h12min

Ações itinerantes acolhe mulheres vítimas de violência doméstica

Com o avanço de debates sociais e pautas femininas, muitos homens têm se dedicado a repensar as próprias atitudes e a praticar novas posturas frente ao Machismo Estrutural brasileiro

Rafaela Moreira - Editado por Ynara Mattos
Projeto Entre Elas, Agência Pará, Flávia dias, Vice Presidente do "Não me Kahlo" Psicólogo, Diego Trujilo.
Portal mulheres
Redes de apoio são fundamentais para quem sofre algum tipo de violência. Com avanços de debates sociais e pautas feministas, muitos homens têm se dedicado a refletir sobre os perigos das suas próprias atitudes e como praticar mudanças frente ao machismo estrutural. 
 
Flávia Dias vice-presidente da Não me Kahlo diz; " O cenário só vai mudar quando os homens participarem de fato da luta das mulheres. Terapia também ajuda a reverter esses comportamentos. O paciente precisa ter confiança para desabafar e disposição de mudança. Se não há está constatação, acredito que, no fundo o homem não quer mudar e é muito feliz com sua masculinidade tóxica. Eles também têm o papel de levar esse discurso aos amigos,  nas rodas de conversas, seria muito importante a abordagem da estrutura patriarcal que a sociedade está inserida. Assim irão ajudar e fortalecer o movimento das mulheres. 
 

Carlos Cavalcante, 24 anos, estudante de medicina. Diz; Já passei por situações que me deixaram incomodado, perto de outros homens. Felizmente minha família sempre promoveu discussões sociais. Então sempre vi com outros olhos piadas e comentários sobre as mulheres. Ouvi uma vez que para você ser homem sempre tem que estas "caçando" mulheres. Quando você se emociona ou não ri de piadas ofensivas, automaticamente perde a sua masculinidade na visão dessas pessoas.


Carlos ainda diz: que a masculinidade tóxica é como um poder coercitivo que orienta como o homem deve agir. "Se você não agir de determinada maneira há uma punição para você".

A fundação Pará Paz encontrou uma forma de alcançar mulheres por todo o Pará e abordar sobre um tema bastante delicado, mas que precisa ser discutido. A Violência Domestica, por meio do projeto Entre Elas, as mulheres são acolhidas em um espaço seguro para receber atendimento de profissionais capacitados para ouvir a intimidade das participantes.

O acolhimento e realizado através de uma roda de conversa que dura trinta a quarenta minutos, com a participação de uma equipe multidisciplinar formada por: uma advogada, uma assistente social e uma psicóloga que ficam à disposição para ouvi-las através de uma dinâmica descontraída desenvolvida especialmente para o projeto. 

 

O Psicólogo Diego Trujilo, explica que a raiz desse problema está na cultura assimétrica das relações de gêneros construídas por valores patriarcais que reiteram o machismo. Está construção histórica colocou os homens no lugar de poder, que reconhecem e tratam as mulheres como propriedades e objetos que pertencem a eles. E que mulheres não podem desviar daquilo que eles desejam e esperam delas; sendo o sacrifício de si, recato, cuidado, passividade e servidão. Essa cultura produz um modelo de masculinidade tóxica, que produz homens agressivos, violentos, que precisam do poder de ser viris e reconhecidos por outros homens. Este por sua vez tem dificuldade de reconhecer mulheres como sujeito de direitos que podem decidir o seu ir e vir e merecem respeito. Os homens com dificuldades de lidar com frustrações, perdas e sentimentos, aprenderam a ser beneficiados desde a infância e esperam que essas mulheres sejam passivas e estejam em um lugar de servidão e cuidado. Dentre as consequências desse comportamento está a Violência doméstica. Na  psicólogia o reconhecimento é o primeiro passo, é primordial, pois  a partir disso o homem decide se pretende mudar a forma de agir ou não.


O Governador do Estado do Pará, Hélder Barbalho, sancionou a Lei 9.278/2021 que torna obrigatório aos condomínios residenciais a denunciarem casos de violência domestica.

Os indicativos de violência são: inibição, vergonha, descrença, isolamento social, família e amigos, tristeza profunda, marcas físcas. Por vezes abuso de álcool, e remédios. O apoio familiar e do entorno social é de fundamental importância para que a mulher se sinta fortalecida e busque alternativas de enfrentamento. Como os serviços que ofertam atendimento psicológico individual e de grupo para mulheres. Além de orientação jurídica, delegacia da Mulher, defensoria Pública e abrigos. Todas essas redes de atendimento precisa ser conhecida pela população.

O apoio emocional, acolhimento, e a troca de vivência entre as mulheres são primordiais no caso de violência contra as mulheres, pois estas estão vulneráveis e fragilizadas emocionalmente. Todo esse apoio é de fundamental importância para a mulher tentar voltar a ter sua dignidade e vida normal. 


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