17/06/2019 às 19h56min - Atualizada em 17/06/2019 às 19h56min

Uma luta diária pela sobrevivência

Uma história real, com uma pessoa real

Amanda Ketlyn - Editado por Millena Brito
Arquivos pessoais Amanda Ketlyn

Ao se deparar com a mesma figura todos os dias, perguntas “Qual deve ser a história dela? Aposto que tem uma forte história de vida.” são inevitáveis. E foi assim que eu conheci Maria do Socorro Gomes da Silva. Maria não tem mais de 36 anos, com 15 anos engravidou da sua primeira filha e hoje tem quatro filhos. Ela nunca teve uma vida fácil, desde muito nova teve que ir em busca de algo que desse a ela e aos seus filhos uma vida com menos preocupações financeiras. Por diversas vezes, Maria teve que se despedir dos seus filhos e ir em busca de trabalho nas cidades vizinhas. Já trabalhou em casa de família, padaria e no que mais pudesse aparecer, pra Maria trabalho nunca foi problema, mas com determinados episódios, ela sentiu a necessidade de ter o seu próprio negócio.
 

— Minha vida sempre foi assim, trabalhando direto. Desde que esses meninos nasceram eu só trabalho. Tenho quatro filhos e já trabalhei em casa de família, padaria, na Claro, e foi aí que eu comecei a trabalhar vendendo tapioca aqui na UEPB e já fazem oito anos. Quando eu vi as coisas apertando eu percebi que era a hora de ter meu próprio negócio, quando eu saí do último emprego estava com uma conta de simplesmente 5 mil reais pra pagar. Aí uma vizinha minha vendia tapioca aqui, só que ela não tinha coragem de vir todos os dias e me deu a ideia de começar a vir. E vim. Eu comecei puxando um carrinho com uma caixa térmica em cima e tô aqui nessa luta.(sic)

Enquanto conversávamos chegou um cliente, aparentemente antigo e fixo por tamanha intimidade que havia entre eles. E apesar de um pegar no pé do outro com piadas, dava pra notar o respeito que existia naquele ambiente. Maria prosseguiu.
 

— Aqui é a minha única fonte de renda, meu marido estava desempregado mas agora graças a Deus está trabalhando. O meu lucro tem dia que é bom, tem dia que é ruim, não vou mentir pra você até porquê comércio é improvável é tudo de tentativas. Tem dias que dá um lucro bom mas tem dias que é negativo, negativo. E muitas vezes não dá pra suprir o que eu gasto fazendo os lanches, de jeito nenhum. Principalmente agora que está chegando as férias, as vendas vão diminuindo. Tem dias que dá pra tirar, mas tem dias que não. E durante as férias eu fico em casa, parada. Eu coloquei outras coisas pra vender, pipoca, café, suco, bolo, pão, chocolate quente.. Porque tudo aumenta as vendas e já vai me ajudando a fazer uma feira, pagar uma conta de água, luz, internet. Meu marido ta trabalhando como repositor de mercado, mas se fosse só um salário mínimo para dois adultos e quatro crianças não dava não. (sic)
 

Apesar de sempre alegre e gostar muito de conversar, ela conta algo que surpreende a todos que estão presentes, ao relatar algo que para muitas pessoas só acontece em novelas ou em uma distante realidade, mas para ela, foi real.
 

— Teve uma história que me marcou muito. Eu saí daqui de Campina, deixei meus três filhos com a minha mãe pra ir trabalhar lá na casa de um conhecido meu da polícia e até então eu só conhecia ele, não conhecia a esposa e acabou que ela simplesmente falou que eu tinha roubado um shampoo dela. E ficou a palavra dela contra a minha eu falando que não tinha roubado e ela falando que sim, ai eu fiquei com raiva e falei "Já que a senhora tá desconfiando de mim, não tenho condições de continuar trabalhando aqui na sua casa. Se a pessoa me recomendou pra vir trabalhar aqui, teve a confiança de me recomendar é porque sabe quem sou eu. Mas do que adianta eu estar aqui se a senhora não confia em mim? Então me dê as minhas contas pelo tempo que eu to aqui que eu vou embora."(sic)

Apesar de triste por relembrar o ocorrido, logo em seguida ela continua a contar sua história com brilho nos olhos e um sorriso no rosto.
 

— Ai vim embora depois de passar seis meses lá. Eu já tinha ido trabalhar três vezes em João Pessoa e na maioria das vezes graças a Deus não tive problemas. E todos os trabalhos que eu tive em casa de família foram recomendados, sempre é alguém daqui que me conhece e tem contato com pessoas de fora que me recomendam. Mas uma coisa boa aconteceu nesse tempo que eu trabalhei fora, reencontrei um amigo meu que não nos falávamos há anos. Nos encontramos por acaso e voltamos a amizade.(sic)

Ainda que tenha começado a trabalhar muito nova, Maria não se deixa abater e está sempre disposta a fazer tudo que puder, principalmente para dar uma vida melhor aos seus filhos.


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