29/10/2021 às 20h39min - Atualizada em 24/10/2021 às 14h09min

A grandeza do Cordel

A literatura que nunca sai de moda

Alessandra Barbosa - editado por Larissa Nunes
Exposição de cordel no museu de Caruaru / Créditos: Alessandra Barbosa

A literatura de cordel foi se fazendo presente aqui no Brasil ali pertinho do século XVIII, e desde então traz consigo muitas histórias do povo brasileiro, em especial da região nordestina, que é o lugar onde essa literatura se mantém forte até hoje. Mas afinal, o que é essa tal literatura de cordel? É uma manifestação literária da cultura popular do país, sua forma estrutural são versos com métrica e rima, e uma de suas características mais marcantes é a linguagem informal. Geralmente os folhetos de cordel são expostos em cordas de barbantes, pois era a forma mais tradicional de comercializar. Grandes cordelistas como: Firmino Teixeira do Amaral, Leandro Gomes de Barros e João de Cristo Rei, são exemplos de como manter essa cultura viva, pois além de retratar certos assuntos com humor e leveza, eles faziam questão de mostrar a realidade do povo em suas obras.

Em entrevista com Olegário Fernandes Filho, diretor do museu do cordel na cidade de Caruaru – PE, ele conta que está apenas dando continuação ao trabalho de seu pai, o saudoso mestre Olegário Fernandes da Silva (1932-2002), que é conhecido na cidade de Caruaru e região por ter seu nome no museu. Grandes obras como: “A mãe que matou a filha pra comer” e “O menino de duas cabeças” são responsáveis por levar o nome do mestre Olegário tão longe. A ideia de criar o museu na cidade se deu quando o Sr. Olegário percebeu que, com o falecimento de outros artistas, as famílias se desfaziam de seus bens, por muito pouco ou quase nada, e com a abertura desse espaço, esses pertences seriam guardados em forma de acervo e ficariam expostos para futuras visitas de um público geral.
 
Olegário Filho que também é cordelista, declamador, escritor, pedagogo e membro da ABLC (Academia Brasileira de Literatura de Cordel), conta que sua paixão pelo cordel vem desde criança e que seu maior exemplo sempre foi seu pai. Em pergunta sobre como a cultura de cordel reagiu com a chegada de internet, e quais mudanças ele pôde notar, Olegário Filho diz que as plataformas digitais ajudaram ainda mais esse meio, pois os cordéis se tornaram ainda mais visíveis, além de mostrar outros caminhos sobre como essa cultura chegou até nós e sua real importância. “A internet proporcionou também o descobrimento de novos artistas, que declamam sua arte através das novas mídias, nomes como Bráulio Bessa são de extrema importância pois trazem nossa cultura como algo bonito de se ver e ouvir” disse Olegário Filho. 





 


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