21/06/2019 às 11h04min - Atualizada em 21/06/2019 às 11h04min

A jornada de uma escritora publicada

Crônica literária sobre os desáfios de escrever

Andressa Schmidt - Editado por Millena Brito
Imagem reprodução: Pixabay
Quando decidi de fato começar a escrever, sem ser apenas no meu diário pessoal que já me acompanhava desde muito tempo, nem imaginava que um dia viria a ter minhas próprias palavras publicadas e disponíveis para que qualquer um pudesse ler, assim como muitos escritores que eu lia e leio com muita frequência.

 Ainda é estranho pensar nisso, porque antes eu não conseguia nem sequer pensar em oferecer qualquer texto meu que fosse para alguém ler de livre e espontânea vontade e nem por pressão, ninguém lia nem mesmo minhas redações da época de escola. Normalmente eu as escrevia, escondia com todo carinho no meu material e só entregava direto em mãos ao professor. E quando as tinha devolvidas com a nota, voltavam diretamente para a minha mochila.
 
Hoje ainda é difícil acreditar que pessoas já leram algo meu, considero-me muito perfeccionista e, por conta disso, leio e releio quantas vezes eu achar necessário até finalmente achar um texto totalmente digno de ser lido por estranhos. Não consigo manter um texto 100% do que foi escrito da primeira vez, geralmente coisas sempre saem ou entram enquanto vou relendo (e isso está acontecendo no momento enquanto elaboro o que acho ser as melhores frases para compor este texto). Apesar de eu estar tentando me desencanar disso, às vezes ainda penso: será que isso merece ser lido por alguém que não seja eu? Será que as pessoas vão gostar do que escrevi? Será que eu não deveria manter guardado só para mim?
 
Publicar um texto, qualquer que seja, nem precisa ser necessariamente um livro, dá uma sensação de medo, vergonha e felicidade ao mesmo tempo. Talvez seja até complicado explicar, mas um misto de sentimentos, tanto bons quanto ruins, toma conta de mim. Crise de ansiedade e nervosismo bate, que quando percebo já acabei com todas as minhas unhas da mão.
 
Em 2016, quando tomei a decisão que queria realmente publicar o primeiro livro que eu tinha escrito na vida (apesar de já ter escrito milhares de outras coisas), eu corri muito atrás de editoras, recebi muito “não” e porta na cara, mas eu não desisti. Porque eu queria aquilo. Eu não podia deixar me abalar, mas continuar perseguindo o “sim” que realizaria meu sonho. E ele veio, quando eu soube do selo Talentos da Literatura Brasileira, criado pela editora Novo Século. Mandei e-mail, esperei, esperei, e esperei. Minha ansiedade me fazia acreditar que já haviam se passado anos, mas foram só alguns poucos dias até receber uma resposta sobre o original que eu havia mandado para ser avaliado. Após a aceitação, muito trabalho foi realizado para deixá-lo com “cara” de livro. Desde a revisão, passando pela diagramação, até o desenho e todo o restante do design da capa.
 
Depois que me tornei publicada, o trabalho não acabou. E eu ainda precisava divulgar o que eu havia tornado público. Essa foi a parte mais difícil para mim, porque muitas vezes eu ainda sentia vergonha de chegar nas pessoas e falar “oi, eu sou escritora e esse é o meu livro”. Com o tempo, isso foi mudando, e eu sinto que hoje estou um pouco mais desinibida para conversar com mais gente sobre isso. Tanto que é por isso que escrevo essa crônica.

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