14/02/2022 às 00h00min - Atualizada em 14/02/2022 às 00h01min

Vitiligo: a doença que despertou a curiosidade das pessoas

Especialista em dermatologia explica sobre a enfermidade que virou assunto nas redes sociais

Jamília Lopes - Editado por Júlio Sousa
Sueli Silva, Advogada e Daniela Bernardo Gomes - atendente de loja infantil. Ambas tem a doença vitiligo.
Reprodução/FreePik

Vitiligo é uma doença que ganhou visibilidade nos últimos dias, em razão do reality show da Rede Globo, o Big Brother Brasil 22, ter no elenco a mineira Natália Deodato, de 22 anos, com a doença. Recentemente o termo “vitiligo” teve um aumento no buscador de pesquisas do Google. A doença, que por natureza é bastante visível, ganhou uma atenção maior das pessoas.
 

Uma pesquisa realizada em junho de 2019 constatou que a doença atinge 1% da população mundial e 0,5% da população brasileira, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Em sua rede social, no Instagram, Natália Deodato, atual participante do BBB 22, tem no seu destaque uma aba nomeada Vitiligo, onde postou fotos antes de ter a doença, que começou a aparecer aos 9 anos de idade e descreve que a doença não é de nascença e que pode ser ocasionada por motivos específicos e que o fator da grande maioria é o emocional. Ela expressa que pode surgir em qualquer estágio da vida de alguém. Em uma publicação recente no seu story, ela disse; "Eu nasci para quebrar os padrões, eu nasci pra lutar contra isso e não importa o quanto eu tenha que lutar.”  

O vitiligo é uma doença que caracteriza-se pela perda de coloração da pele, isso acontece devido à destruição de melanócitos, que são as células que formam a melanina e dão pigmento à cor da nossa pele, segundo a médica Flávia Villela, especialista em Dermatologia.

“Geralmente, ela se desenvolve por tendências genéticas, mas existem indícios de que a doença tenha origem autoimune e possa ser causada pelas próprias reações do corpo, como por exemplo, condições emocionais de estresse e traumas psicológicos” afirma a médica.

Sueli Silva, 54 anos, advogada, natural de Viçosa - Minas Gerais, tem a doença desde 1976, quando aos 9 anos os primeiros sinais começaram a surgir. Para Sueli, o desafio foi a sua aceitação, saber lidar com os olhares de estranheza das pessoas. A doença já mexeu com a sua autoestima, mas hoje não se importa. Para ela o preconceito era mais visível quando ainda criança na escola, mas, ainda hoje, as pessoas tentam disfarçar a discriminação que existe. 

É uma doença que não causa qualquer outro sintoma a não ser as manchas claras pelo corpo. O que preocupa os médicos dermatologistas nas pessoas enfermas com vitiligo, de fato, é a saúde mental. Tal enfermidade toca diretamente na autoestima das pessoas que são acometidas por ela e têm suas aparências transformadas. Para a médica Flávia Villela é importante ter um acompanhamento de um profissional da saúde mental, para que ele possa auxiliar no tratamento da patologia.

Daniela Gomes, de 27 anos, atendente de loja, também reforça o preconceito que viveu na fase escolar e, ainda hoje, na fase adulta. Ela disse que pessoas que não sabem o que é o vitiligo, nunca ouviram falar, acham que é contagioso se encostar ou que é transmissível pelo suor. "Entre outras coisas que as pessoas ficam com medo de ter contato físico com a gente".

Para Daniela, as pessoas que estão vivenciando a fase do descobrimento da doença devem ter calma, usar protetor solar, fazer atividades físicas que contribui bastante com a mente e não se isolar, ela diz que tem é que se misturar com as outras pessoas. 
“O vitiligo atualmente está sendo conhecido por todos, devido a representatividade que está tendo na mídia.” Finalizou.

Detectando o vitiligo, o especialista precisa classificá-los entre dois tipos: segmentar ou unilateral, e não segmentar ou bilateral.

“O tipo segmentar ou unilateral se manifesta em uma parte do corpo apenas, e costuma aparecer quando o paciente ainda é jovem. Neste tipo, os pelos e cabelos também podem sofrer com perda de coloração. Já o não segmentar ou bilateral, é o que estamos mais acostumados a ver. Ele se manifesta nos dois lados do corpo; Possui ciclos de perda da cor e períodos de estagnação, que ocorrem durante toda a vida do paciente” conclui a especialista.

Trata-se de uma doença sem cura, mas existem tratamentos para amenizar o aumento das lesões na pele. Através de medicamentos, o paciente consegue induzir à repigmentação das áreas afetadas.

“medicamentos como tacrolimo, derivados de vitamina D e corticosteróides são exemplos de medicações que ajudam no tratamento da doença. Outros métodos que possuem excelentes resultados são as sessões de fototerapia com radiação ultravioleta.”

São opções de tratamentos também, a fototerapia com ultravioleta A (PUVA), técnicas cirúrgicas ou até mesmo transplantes de melanócitos.

“É importante também que o paciente não acredite em medicamentos ou procedimentos milagrosos, como sabemos, a doença é incurável, e utilizar esses métodos podem causar frustração e agravamento da doença”, recorda Flávia Villela.

 

 


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