25/02/2022 às 20h17min - Atualizada em 21/02/2022 às 18h17min

O drama de quem enfrenta uma batalha para viver

Sandro Gardel - Revisado por Jéssica Meira
Marido raspa cabeça da esposa (Fonte: Mandy Parks/Arquivo pessoal)

 
Câncer no Brasil

Posteriormente um nome assustador, o câncer é uma doença que abrange mais de cem variações e atinge de forma maligna e benigna. Um câncer maligno de fato na maior parte dos casos, ocorre quando as células são imaturas, crescem mais rápidas e podem invadir outros tecidos, como por exemplo: linfomas, leucemia e carcinomas. Eventualmente o benigno tem seu crescimento de forma organizada, em geral lento.

De acordo com uma pesquisa realizada em fevereiro de 2021, pela Agencia Internacional para pesquisa em Câncer (IARC), nos últimos cinco anos 1.500.000 de pessoas vivem com câncer, no Brasil. Entretanto, mundialmente são esperados 28,4 milhões de novos casos até 2040, um aumento de aproximadamente 47% em relação a 2020. Sobretudo no Brasil estipula-se que até dezembro de 2022, o pais terá mais de 625 mil casos da doença.  


HCL


 

Londrina, município brasileiro localizado no Sul do Paraná, é cenário de um dos maiores centros de referência para portadores de câncer. O Hospital de câncer de Londrina (HCL), instituição filantrópica, conta com uma grande infraestrutura chegando a atender 166 municípios do Paraná, além de outros estados e países.

Marilena Ferreira da Conceição, 39 anos, é professora e paciente do Hospital do Câncer de Londrina, ela descobriu um tumor no ovário há um ano e de lá para cá os dias nunca mais foram os mesmos. Ela já passou por 22 quimioterapias. Marilena conta que descobriu a doença após ser submetida a uma bateria de exames ao assumir o cargo de professora.
 
“O meu câncer não tem cura [...] a doença que já se alastra por toda a região abdominal [...]  uma luta onde o câncer venceu, nada mais pode ser feito diante da medicina [...] infelizmente não descobri a tempo. Que falta faz o exames de rotina que deixei de fazer quando era mais nova ”, afirma Marilena.

Inesperadamente a professora não foi a única a deixar exames rotineiros de lado. Em entrevista para o “Fantástico” da Rede Globo o medico cancerologista, Dráuzio Varella, afirma que metade dos brasileiros tem muito medo de ter câncer. Mas, apesar da preocupação de fato a  população não tem constancia em realizar exames preventivos, seja pela falta do plano de saúde, de tempo ou receio de descobrir a doença.
 

Ultimo desejo
 

Contudo, a morte significa interromper um ciclo para vida toda. Inesperadamente o luto aproxima a família e soluciona problemas e assuntos passados. Toda via para pacientes em fase terminal, como é o caso de Marilena, cada segundo é valioso e realizar últimos desejos sobretudo é imprescindível, garante a Dra. Ana Paula de Monique.

“Tinha um paciente de São Paulo e ele pediu para comer caviar e tomar caipirinha [...] é claro que eu disse sim [...] os filhos adiantaram isso e trouxeram, fizeram uma festa. Ele acabou indo embora no dia seguinte e faleceu três dias depois”, relembra a médica.

Grávida de gêmeos e acostumada com os desafios da profissão, Ana Paula de Monique, 32 anos, médica há sete anos vive o desfio de conviver com a vida e a morte. “A gente se envolve e se emociona com cada caso. O grande desafio é tentar trazer um pouco de apoio, acolhimento dentro de um contexto de perda [...] aprendi a valorizar as pequenas coisas [...] as pessoas ligam doenças a envelhecimento e isso não é real  [...]  nós temos muitos jovens doentes e muitos idosos saudáveis “, contesta a médica.

Além disso, o relógio da vida é a morte. A um passo da eternidade o último dia de um ser humano vale cada segundo, assim como cada minuto é vivido como o ultimo.  Embora alguns já estejam na fase final da vida, todos carregam uma historia a contar, assim como a imagem de um longo corredor de hospital, que muitas vezes parece sem fim, cada quarto um caminho, ainda que os destinos se cruzem, tudo parece fazer sentido. Ana Paula (médica) e Marilena da Conceição (paciente). O destino une duas mulheres.

“A morte é sair deste plano material e passar para um plano espiritual muito melhor [...] encaro sem medo [...] não terminei de criar os meus filhos, mas já me despedi de todos que amo [...] na vida magoei muitas pessoas, mesmo sem querer”, afirma Marilena. 

 


Nem aqui vou esta mais
 

Aliás, em Mandaguari, cerca de 80 quilômetros de Londrina, cidade natal de Marilena da Conceição, local onde a professora construiu boa parte da trajetória. O ano é 2007, momento especial para Marilena, dia de subir o altar e dizer sim! A união já existia, porem Leandro e Madalena decide oficializar a união.

“Foi o dia mais feliz da minha vida, estes dias estava revendo umas fotos [...] se pudesse voltar no tempo aproveitaria mais aquele dia [...] vou levar para eternidade”, inesperadamente a professora evidencia como o marido esta reagindo com sua partida, “Meu marido não tem aceitado minha partida [...]  ele não aceita a minha morte ele fala: como ele vai viver sem mim? [...]  eu tendo explicar que ele vai ter uma outra vida, oportunidades para se casar novamente [...] ele é jovem assim como eu e não sinto ciúmes porque nem aqui vou esta mais”, diz a professora.


Trabalho
 

Sobretudo o trabalho leva grande parte da população mundial a deixar de lado boa parte da vivencia dos filhos e cuidados com a família, embora seja a única forma de suprimento e sobrevivência da família, para Marilena não foi diferente.
“Antes eu só trabalhava [...] hoje eu vejo que tudo que trabalhei e por uma parte deixei que ficar com meus filhos, mas tive oportunidade de mudar como mãe e filha [...] se pudesse voltar no tempo assistia todas as apresentações do dia das mães”, confirma Conceição.

Segundo a medica Ana Paula, encarar a morte com tranqüilidade se tratando de um paciente com câncer terminal é indispensável.
“Você morre do jeito que viveu a vida [...] se viveu a vida inteira com sentimentos represadas, ranzinza brigando com todo mundo, você vai usar isso no final e se foi uma pessoa que levou a vida mais tranqüila, tentando resolver os problemas, isso vai ser mais leve no final”,  afirma Ana Paula.

“Eu acredito em milagres e vivo tendo fé da minha libertação [...] Deus pode me levar e ser a cura da minha alma, é o mais importante”, finaliza Marilena.
 

 


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