04/03/2022 às 15h49min - Atualizada em 04/03/2022 às 15h18min

Miley Cyrus | De Hannah Montana a estrela do rock

A cantora se consagrou como uma das artistas mais aclamadas devido ao seu último álbum, o Plastic Hearts

Thamires Trindade - Revisado por Isabelle Marinho
Miley Cyrus em show nos EUA (Foto/ Reprodução: Forbes)

Em novembro de 2020, a cantora Miley Cyrus lançou o álbum Plastic Hearts e foi aclamada pela crítica especializada e pelo público. Miley é uma artista versátil e já transitou entre vários gêneros musicais, mas agora ela se encontrou no rock e está ganhando o reconhecimento que sempre mereceu.

Miley ficou mundialmente conhecida quando deu vida à personagem Hannah Montana, um dos seriados de mais sucesso da Disney. Desde então, ela vem se reinventando e mostrando o seu potencial.

O seu primeiro álbum, o Meet Miley Cyrus lançado em junho de 2007 vendeu mais de 5 milhões de cópias e alcançou o primeiro lugar no Top 200 da Billboard, segundo o portal Febre Teen. Nessa primeira discografia, já é perceptível uma sonoridade voltada ao pop rock, como as músicas Start All Over, See you again e East Northumberland High. Assista ao clipe de Start All Over:

Clipe da música Start All Over (Canal: Hollywood Records/ Reprodução: Youtube). 

O álbum foi lançado e editado junto com a 2ª temporada de Hannah Montana, por isso o Breakout, segundo álbum da cantora, é considerado a sua primeira grande produção musical sem estar vinculada à imagem da personagem da Disney. 

O grande hit da segunda discografia foi “7 things”, que tem grandes indícios de ter sido dedicado ao Nick Jonas, que se relacionou com Miley. No clipe vemos que Miley sabe demonstrar por meio da música e da performance os sentimentos que teve. 

Miley posta em seu instagram uma foto do clipe 7 things. (Foto/ Reprodução: Instragam - @mileycyrus)

Miley posta em seu instagram uma foto do clipe 7 things. (Foto/ Reprodução: Instragam - @mileycyrus)

Ela tinha apenas 15 anos quando vendeu 371 mil cópias, somente nos Estados Unidos na semana de estreia. 

Em 2008, Miley dublou uma personagem no filme Bolt, da Disney. Ela co-escreveu a música I Thought I Lost You, que concorreu a um Globo de Ouro de Melhor Canção Original. 

Já no ano seguinte, Cyrus lançou o seu primeiro EP (extended play) e alcançou a segunda posição na Billboard 200 com o famoso hit “Party in the USA”. O EP foi certificado como platina pela Recording Industry Association of America (RIAA). 

Com uma postura mais madura, Miley já mostrava que o seu estilo vinha mudando. A cover da música Kicking and Screaming é um exemplo que deixa claro o estilo que a cantora estava buscando, mas ainda com uma pegada pop. 

Em entrevista ao Today, ela afirmou que o EP era uma espécie de transição. “Eu meio que me mantive na linha do que eu costumo fazer, que é meio que um som pop rock - eu nem gosto de usar a palavra ‘rock’, porque eu sinto que é uma honra ser colocada nesse título. No próximo álbum, eu definitivamente quero ser capaz de intensificar um pouco”.

E assim, Miley o fez. O Can't be tamed estreou em 2010, mas há diversos rumores que ela foi boicotada, porque a cantora havia se envolvido em algumas polêmicas, como o vídeo vazado de Miley fumando sálvia com amigos. 

Ela já não queria mais ser associada à personagem de Hannah e a própria canção “Can’t be tamed” evidencia isso. No clipe da música, Miley é vista dentro de uma gaiola e quer se libertar. Veja o clipe: 

Miley Cyrus no clipe Can´t be tamed (Canal: Miley Cyrus/ Reprodução: Youtube)

Apesar de Miley não ter vendido tanto quanto os álbuns anteriores, ela continuou demonstrando o seu talento e sua pegada de rock. Durante a turnê “Gypsy Heart”, ela fez cover de alguns clássicos do rock, como Smells like teen spirit do Nirvana e I love rock’n’roll da Joan Jett. Confira: 

Cover da música Smells like teen spirit do Nirvana. (Canal: Miley Cyrus Fans/ Reprodução: Youtube)

Em 2012, Miley participou do álbum Chimes of Freedom, que foi uma homenagem a Bob Dylan e gravou a canção You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go, em que recebeu críticas positivas. 

Após a “era” Can’t be tamed, Miley continuou na sua jornada de dar adeus a Hannah Montana. Em 2013, ela lançou o álbum Bangerz, que se tornou um grande marco para desvincular sua imagem da Disney. 

O clipe do hit We can´t stop já dava indícios do que estava por vir. Na letra da música a cantora fala sobre curtir a vida e não se importar com o que vão pensar. Relembre: 

Clipe da música We can't stop (Canal: Miley Cyrus/ Reprodução: Youtube)

Em agosto do mesmo ano, ela fez a tão criticada apresentação no VMA (Video Music Awards), importante evento na indústria musical, onde Miley fez danças e gestos obscenos, que repercutiram por muito tempo. 

Miley durante sua apresentação no VMA de 2013. (Foto/ Reprodução: Independet Co UK)

Miley durante sua apresentação no VMA de 2013. (Foto/ Reprodução: Independet Co UK)

Sabendo de todo o “buzz” e mídia que estavam em cima, Miley usou isso a seu favor e lançou em setembro o clipe da canção “Wrecking Ball”, que também chocou a todos. Miley aparece nua em cima de uma bola de demolição. 

A cantora soube criar uma nova “identidade” e mais uma vez ficou no topo da Billboard e recebeu certificado de platina pela RIAA. 

Neste álbum, Cyrus está mais voltada para o pop, mas não deixou de mostrar sua versatilidade musical. Ela continuou fazendo cover de músicas com estilos diferentes, como Summertime sadness de Lana del Rey e Why you only call me when you’re high do Arctic Monkeys. 

De acordo com a Rolling Stones, o baterista da banda afirmou que o cover gravado por Miley foi sua música favorita gravada por outro artista. “Ela fez umas coisas ali que eu gostaria que a gente tivesse feito. Ela vai mais alto do que conseguimos com a voz.” 

Confira o cover da música Why you only call me when you’re high:

Miley em apresentação da MTV. (Canal: MTV/ Reprodução: Youtube). 

Já em 2015, a artista mostrou um lado alternativo e psicodélico, nunca visto antes. O álbum “Miley Cyrus & Her dead petz” exibe um trabalho independente e diferente. Esse foi o álbum da cantora que menos ficou em evidência e recebeu muitas críticas negativas. Apesar de não ter sido bem recebida pelo público, ela mostra mais uma vez que não tem medo de inovar.

Na intenção de tentar voltar à sua antiga imagem de menina doce, Miley criou a sua nova discografia em 2017, o Younger Now. Neste álbum, a cantora volta às suas raízes e tem um estilo mais voltado para o country. A música Rainbowland, por exemplo, tem a participação de Dolly Parton, madrinha da artista. 

O público e a crítica especializada ficaram divididos a respeito da nova produção musical. A revista Variety, por exemplo, o define como “morno”. “É o oposto de uma Wrecking Ball, destinado a acalmá-la em um lugar pacífico, com algumas paranoias românticas ao longo do caminho”. 

Já a Vulture diz que “Younger Now mostra uma reinvenção que não parece totalmente comprometida. Tem muitas faixas fracas. Miley Cyrus tem vivido mudanças dramáticas desde os 13 anos de idade. Agora, ela está muito obcecada por ser normal para fazer algo interessante”. Confira o clipe da música que leva o título do álbum:

Clipe da canção Younger Now. (Canal: Miley Cyrus/ Reprodução: Youtube). 

Algum tempo depois, quando decidiu lançar o EP She is coming, Miley admitiu em entrevista que a era Younger Now não fez sentido em sua carreira. 

Quando olho para a minha carreira, tiveram dois anos que não fazem muito sentido. Nós sabemos que tem a ver com a época de Younger Now. Acho que o que aconteceu é o que acontece com muita gente. A intenção não é vilanizar seu parceiro, mas você se perde em alguém, às vezes. Eu amo onde estou, me sinto segura em ser eu mesma. Aqueles dois anos não fizeram sentido pra mim porque me perdi em outra pessoa.

Já com o She is coming, Miley acabou não finalizando o projeto, que seria composto por 3 EPs. Ela divulgou apenas um clipe, o Mother's Daughter, que expõe a cantora voltando para o estilo pop rock e mostrando novamente seu lado mais ousado. Veja o clipe:

Clipe de Mother's daughter. (Canal: Miley Cyrus/ Reprodução: Youtube). 

Apesar de ter abandonado esse projeto, a artista usou a quarentena a seu favor e lançou em 2020 o tão aclamado Plastic Hearts, colocando a cantora num elevado patamar, recebendo várias críticas positivas. 

Segundo o Metropolitana Fm, o álbum conquistou, em março de 2021, o título de álbum mais bem avaliado pelo público na plataforma Metacritic, que mete notas especializadas e públicas. 

O NY Times afirmou que:

Depois de anos de reinvenções inquietas, parece que Cyrus encontrou um contexto adequado e, como bônus, o rock encontrou seu embaixador millennial mais sério e de alto nível. Talvez o rock não esteja morto – está apenas nas mãos capazes de Miley Cyrus.

Já o jornal The Independent, do Reino Unido, deu 4/5 estrelas para o álbum: "Do início ao fim, Plastic Hearts vende melodias pop cativantes, endividadas nos anos 80, em couro cravejado de rock. É basicamente um caminhão cheio de diversão com mais sangue e coragem, impulsionado pelo carisma imprudente, de garganta aberta de Miley Cyrus".

É nítido como a cantora parece à vontade com essa nova era e se joga cada vez mais no rock. O álbum conta com a participação de grandes astros rockeiros como Joan Jett, Billy Idol e Steve Nick. O cover de Heart of Glass e Zombie são mais uma prova de que Miley pode se adaptar a qualquer gênero e fazer isso em grande estilo. 

Veja o cover da cantora da banda The Cranberries

Miley faz cover da música Zombie. (Canal: Miley Cyrus/ Reprodução: Youtube). 

Assim, Miley finalmente está ganhando o destaque e reconhecimento que sempre mereceu. Resta agora aguardar o seu próximo passo. 


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