25/03/2022 às 14h29min - Atualizada em 22/03/2022 às 22h20min

Premiado nacionalmente, monólogo de ator potiguar revela o monstro da intolerância.

Espetáculo “A mulher monstro” já foi apresentado mais de 100 vezes em todo o Brasil

Robeson Dantas - Revisado por Flavia Sousa
José Neto traz à vida a mulher monstro. (Reprodução: Google).

Presa em uma jaula, uma mulher “cristã” esconde por trás de um vestuário fino e elegante, discursos de ódio, intolerância, preconceito e corrupção. A tragicomédia aborda o desrespeito para além do preconceito. José Neto, criador do monólogo e ator, encontra inspiração no momento político do país, Além de trazer também elementos do conto “Creme de Alface”, de Caio Fernando Abreu, e de “Monga, a mulher macaco”, atração dos parques e circos do interior brasileiro.
 


Diferente da tradicional mulher Monga, que se transformava em um gorila nos parques e circos, para delírio e admiração do público, a mulher monstro já inicia a peça com o aspecto de um animal feroz, enjaulado e acorrentado. A expectativa para quem vai ao espetáculo pela primeira vez é aumentada a cada minuto, desde à entrada ao local. “Não alimentem o monstro” “Não se aproximem da jaula” dizem os assistentes de produção.



O espetáculo se inicia, e o monstro se transforma em uma mulher. Em cena, o ator dá vida a uma mulher burguesa, falsa cristã, perseguida pela própria visão intolerante da sociedade. O monólogo é um misto de risadas, choro, raiva e repugnância. A personagem vive um dilema, e em alguns momentos parece apresentar múltiplas personalidades, que se são sugeridas ao público a partir do jogo com as trocas de luzes. Sem saber lidar com a solidão, traição e abandono do marido, a mulher monstro vive a dualidade entre uma figura gentil, honrada e religiosa e um monstro intolerante, reflexos oriundos de suas relações num tempo de ódio, golpes e corrupções vistos sem vergonha.


 

O espetáculo é uma soma de declarações lamentáveis, polêmicas e verídicas. Traz à tona opiniões das redes sociais, das ruas, e as posturas de políticos e figuras públicas, como as do atual presidente e seus coligados. É impossível não sair da sala de espetáculo sem fazer alusão a algum familiar, ou pessoa conhecida, e sem dúvidas, refletir sobre nossa própria postura perante à temática.

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José Neto faz espetáculos com casa cheia em Natal-RN

Potiguar, nascido em Santo Antônio do Salto da Onça, além de interprete das artes cênicas, também diretor, arte educador, produtor e gestor cultural. É o atual Assessor de Teatro e Ópera do Governo de Pernambuco, gerindo políticas e coordenando importantes projetos, a exemplo do Ciclo das Paixões, Prêmio Ariano SuassunaPrêmio Pernalonga de Teatro e Funcultura. Circula em relevantes mostras nacionais e internacionais com o premiado solo "A Mulher Monstro". O ator José Neto volta a Natal com o monólogo e em todas as sessões contou com casa cheia e ingressos esgotados, as apresentações no Rio Grande do Norte ocorreram em um circo no Shopping Cidade Verde, em Natal-RN entre os dias três e vinte quatro de fevereiro. De acordo com o ator “atuar em um circo sempre foi um grande sonho” e poder voltar a apresentar a peça em Natal e em um circo era algo que o deixava extremamente feliz e realizado.

O monólogo foi um dos destaques do Festival de Curitiba 2017 e fez longa temporada na Casa de Cultura Laura Alvim no Rio de Janeiro em 2018. E foi premiado Melhor Monólogo do Teatro Nacional 2017 pela Academia de Artes no Teatro do Brasil/Prêmio Cenym, onde em 2015 venceu a categoria Melhor Ator com o solo "Borderline": nas duas edições, concorreu com nomes como Ary Fontoura, Álamo Facó, Marcos Veras, Marcos Caruso. Com o sucesso da peça em Natal, José Neto postou em suas redes sociais que pretende voltar à cidade o mais breve possível.



 

No post, José Neto relembra o falecimento de seu avô em fevereiro, e deixa a expectativa de que o retorno ao RN pode ser já em abril de 2022. Por fim, o ator agradece ao circo de Bisteca e Bochechinha, à equipe da Sem cia de Teatro e “ao público que nunca me abandonou”. 

 


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