31/05/2022 às 09h11min - Atualizada em 31/05/2022 às 08h48min

Apesar do sucesso, Shein divide opiniões no mundo da moda

A empresa deixa todos com uma pulga atrás da orelha por não divulgar dados concretos

Tamyres Sbrile - Editado por Larissa Barros
Yahoo Finanças
Embora faça muito sucesso, a Shein deixa todos com uma pulga atrás da orelha por não divulgar dados concretos sobre a empresa. Isso porque existem acusações de que a gigante varejista chinesa mantém funcionários em situação de trabalho escravo. No entanto, ainda não existem provas concretas. 

A primeira denúncia da suposta farsa da empresa foi feita pela agência de notícias, Reuters, que publicou uma matéria sobre a falta de transparência da varejista. Outra questão que intrigou os consumidores foi a divulgação de que a marca está de acordo com os padrões trabalhistas rígidos, conforme estabelecido por organizações internacionais, como a SA8000. 

Segundo a publicação, a Shein não possui a certificação da Organização Mundial de Normalização (ISSO). Logo após ser rebatida, a empresa apagou as menções à ISSO.

Entre os consumidores, existem aqueles que são favoráveis à atuação da Shein e há quem seja contra comprar na empresa. A publicitária e criadora de conteúdo, Mari Cid, 29 anos, é consumidora fiel da marca. Em seu perfil nas redes sociais, a influencer publica vários conteúdos sobre a empresa chinesa, como reviews e inspirações de looks.

Ela destaca que a Shein é uma das poucas empresas que produzem roupas bonitas e acessíveis para pessoas gordas. A criadora ainda aponta a fama de trabalho escravo da varejista.

“Já li bastante sobre o assunto, mas infelizmente são pouquíssimas marcas de fast fashion, com preço acessível, que dão condições adequadas de trabalho para toda cadeia produtiva. Inclusive temos vários exemplos de marcas de grife que fazem a mesma coisa”, afirmou.

A grade de roupas plus size da Shein atende até o 4XL, que seria o número 56/58 ou G4, já as marcas brasileiras que se posicionam como plus size, produzem até o número 54. Dessa forma, acabam excluindo as pessoas gordas maiores que usam acima desse tamanho.  

A publicitária destaca ainda que é bem difícil encontrar roupas plus size com preços acessíveis no Brasil. Por isso, ela considera um dos motivos que tornam a Shein tão famosa e querida pelos consumidores.

“São pouquíssimas lojas que realmente se interessam em fazer roupas plus size de fato, estudando modelagem, tendo uma grade de tamanhos bem mais ampla, treinando seus funcionários pra não serem gordofóbicos, adaptando provadores e corredores pro corpo gordo. Hoje em dia, depois de muita luta, vemos algumas marcas já fazendo algumas dessas coisas e ampliando modelos "regulares" para a grade plus size, mas são pouquíssimas! Isso sem falar que temos uma oferta virtual muito maior que a real, de fato. Se eu quiser sair hoje e comprar uma calça pra mim, no máximo umas 4 ou 5 lojas na minha cidade irão ter essa oferta. A maioria das lojas plus size, que nos atendem de fato, são virtuais”, reforçou a publicitária.

 

Mari ainda ressalta que quem se diz contra a marca, muitas vezes são pessoas magras, que nunca enfrentaram dificuldade de encontrar roupas. “Pessoas magras não sofrem para encontrar roupa, acho que esse é o grande X da questão. Falta empatia e olhar além do próprio umbigo. Se você tem condições de consumir slow fashion, seja por conta da sua condição financeira ou porque veste um manequim padrão, isso não lhe dá o direito de criticar o jeito que outras pessoas consomem”, destacou.

Para a professora de física, Tamara Furlan, 28 anos, a experiência de comprar roupas na Shein foi muito boa. No entanto, ao saber sobre os rumores de que a marca promovia o trabalho escravo ela ficou desapontada. 

“Não vou mentir que é extremamente difícil pensar que ainda existe trabalho escravo em pleno século 21 (como tantas outras coisas). Poxa, uma marca que eu gosto, por trás disso há escravidão? Eu não gosto mais dessa marca (se eu souber desse detalhe) e vou pesquisar sobre a minha marca, sabe, hoje em dia é muito importante buscar por informações ao invés de acreditar em tudo, as fake news também acabam com alguns negócios corretos”, afirmou. 


A estudante de arquitetura, Gabriela Giordano, 21 anos, que é adepta a moda second hand (segunda mão), nunca comprou da varejista, mas também não julga quem o faz. Ela afirma que sempre pesquisa muito antes de comprar de alguma marca e acredita que marcas como a Shein, de fast fashion, poluem e agridem toda uma sociedade. 

“Acredito que o consumo desenfreado de roupas e acessórios criam uma desvalorização muito grande e insustentável da moda. Além de que impulsiona o trabalho escravo, cria uma quantidade absurda de lixo no mundo e abusa das matérias primas do mundo”, ressaltou.


Gabi possui algumas roupas da Zara, marca que consumia antigamente, mas que depois da exposição sobre o trabalho escravo, deixou de comprar.  É pela moda e cores que podemos nos expressar e nos comunicar e a estudante pensa que se a fast fashion não tivesse essa problemática, consumiria de bom grado. “Mostramos muito do que somos e o que acreditamos por meio dela! Então sim, se a shein não fosse uma marca que desvalorize tanto o mundo, eu seria uma consumidora”, afirmou.
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