15/08/2019 às 18h02min - Atualizada em 15/08/2019 às 18h02min

Reboot: nostalgia ou falta de criatividade?

A indústria cultural apresenta dificuldades para se reinventar e criar novas histórias

Karoline Sousa - Editado por Bárbara Miranda

Já não é de hoje que a indústria cultural investe nas mesmas histórias para se reinventar, são os conhecidos reboots ou remakes. Todo sucesso querido pelos fãs no passado parece merecer uma nova chance de voltar às telas, como as animações da Disney, filmes de super herói ou outros grandes sucessos. No entanto, existe uma diferença entre o remake é refazer uma obra já existente e o reboot que é um reinício, ou seja, significa que um diretor pode usar os mesmos personagens, temas e situações para dar um novo início a uma história que já foi contada. Aqui, as mudanças são bem-vindas e parte essencial da estrutura.

Os termos são comuns nos últimos anos, e a Disney é uma especialista nas produções, principalmente nos remakes de Cinderela ou A Bela e a Fera. Mais do que passar uma história clássica adiante, os efeitos especiais utilizados requerem um investimento maior do que o filme original. Para isso, produtos licenciados são vendidos para aumentar a lucratividade de filmes com pouquíssimas ou nenhuma mudança em relação ao roteiro original. Segundo informações do ComingSoon, Bob Iger (CEO da Disney) anunciou que Esqueceram de Mim, Uma Noite no Museu, Diário de um Banana e Doze é Demais ganharão reboots no serviço de streaming Disney+. A franquia Esqueceram de Mim ficou famosa pelo longa original de 1990 estrelado por Macaulay Culkin, que se tornou a maior bilheteria daquele ano, arrecadando US $ 476,6 milhões em todo o mundo. Ao todo foram cinco filmes, sendo apenas dois estrelados por Culkin.



FONTE :VEJA.

Existem exceções em que produções incorporam algo novo e dão um novo olhar para histórias já conhecidas como o caso de Malévola que sempre foi considerada a vilã de A Bela Adormecida, ruim e até tratada de maneira secundária. Entretanto, o longa consegue expandir o lado da história que estávamos acostumados e nos apresenta novas narrativas. E é nesse ponto que um reboot se torna interessante: quando ele abre espaço para questionamentos maiores e tramas mais complexas. Importante lembrar que o reboot é uma releitura do conceito e da essência da obra, adaptada para um ambiente mais moderno, e isso gera um ponto de tensão com as adaptações de livros em que os fãs insistem em exigir fidelidade máxima como em Harry Potter.

O reboot serve para adicionar algo novo, e se não faz isso, não está fazendo certo. Nasce uma estrela foi um sucesso com Lady Gaga e Bradley Cooper, mas já era a quarta adaptação onde a trilha composta pela cantora tornou-se o ponto alto do longa. Impossível não se pegar cantando a versão de Shallow que viralizou e estava presente na playlist de muita gente depois disso. Não podemos esquecer que há muito tempo o cinema deixou de ser apenas uma expressão cultural e artística para se transformar em um mercado extremamente rentável. Este mercado de produtos derivados é algo que movimenta bilhões e, para algumas franquias, gera muito mais dinheiro do que os próprios filmes, como é o caso de Star Wars.



FONTE :META GALÁXIA.

Por conta disso, repense um pouco seus conceitos sobre reboots. Seriam eles um reflexo da falta de criatividade dos produtores ou seriam uma forma de perpetuar antigas Ideias como um palco para novas interpretações? A falta de criatividade pode ser visível em Hollywood, mas se pararmos para pensar sempre foi assim de alguma forma. Embora isso tenha acontecido com mais frequência nos últimos anos, o cinema está mais popular e utiliza todos os artifícios  que tem para estar cada vez mais próximo do público. 

 

REFERÊNCIAS

LEGIÃO DOS HERÓIS.Afinal, o que um reboot pode nos oferecer de novo?. Disponível em: <https://legiaodosherois.uol.com.br/2018/afinal-o-que-um-reboot-pode-nos-oferecer-de-novo.html>. Acesso em: 9 de Agosto de 2019.

CINEPOP.A falta de criatividade em Hollywood e os perigos do cinema lucrativo. Disponível em: <https://cinepop.com.br/a-falta-de-criatividade-em-hollywood-e-os-perigos-do-cinema-lucrativo-103744>. Acesso em: 14 de Agosto de 2019.
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