21/08/2019 às 15h38min - Atualizada em 21/08/2019 às 15h38min

O feminismo na universidade

Um movimento feminista dentro da Universidade Federal de Uberlândia

- Beatriz Evaristo
Foto: Reprodução
Um movimento social, político e econômico, que tem como proposito discutir e lutar pelos direitos das mulheres, teve início no século XIX uma grande influência da Revolução Francesa.

As mulheres perceberam a grande desigualdade que havia entre homens e elas, tiveram consciência da forma como eram submetidas e começaram a questionar os modelos sociais e culturais instaurados. Esse fato, denomina-se como “Primeira onda do feminismo”.

Desde então as lutas não pararam mais. O movimento foi só crescendo e conquistou ainda mais mulheres. Foi por meio dessa iniciativa que hoje há a Declaração dos direitos da Mulher e da Cidadã, uma garantia de igualdade jurídica entre homens e mulheres.

O movimento feminista se estende até hoje, embora tenha conquistado muitas coisas, ainda há desigualdade em relação os sexos, essencialmente no âmbito de trabalho. Segundo o IBGE, mulheres com ensino superior completo, de 25 a 44 anos somam 21,5% da população e ganham em média R$1.764,00. Já os homens, nas mesmas condições totalizam 15,6% e ainda sim, ganham cerca de R$542,00 a mais que elas. 
  
“Entre irmãs!”

Ter um projeto que aborda sobre esses assuntos dentro de uma universidade federal, ainda mais no atual cenário político, é de extrema importância.

Não são todas as universidades que, de alguma forma, evidenciam os problemas que as mulheres têm enfrentado e muito menos, dão auxílio a meninas que queiram contribuir para esse movimento.

Na Universidade Federal de Uberlândia o cenário é outro. As professoras e alunas se mobilizam para desenvolver alguma atividade que possa ampliar conhecimentos e ainda contribuir para outras conquistas do movimento.

O projeto começou na época da greve de 2016, e foi criado, junto com outros grupos, para ocupar o tempo livre dos estudantes que estavam afastados da universidade. Cada professor ficou responsável para criar um projeto, Flávia Oliveira, professora de Direito da UFU, criou o grupo “Entre Irmãs” baseada na história de três mulheres – Elisangela, Ismene e Roberta –, ex alunas da UFU que foram assassinadas. Sendo assim, a professora sentiu a necessidade de falar sobre isso na universidade.

Aline Carvalho, 19, participa do projeto desde que entrou na faculdade. Ela é estudante de direito e diz que se interessa muito por esses temas e viu no grupo uma forma de imersão nos assuntos. Hoje, ela é coordenadora do “Entre Irmãs” e a relação com projeto é de extrema importância na vida dela.

“Eu sou apaixonada pelo Entre, é uma das coisas que mais me motiva continuar na faculdade, principalmente por ver questões assim, tão do dia a dia, do direito e poder discutir assim.” Conta Aline.

São livros clássicos como “O segundo sexo” de Simone de Beauvoir que norteiam os pensamentos e discussões do grupo. Discutir sobre a subjetivação da mulher, sobre o movimento feminista e o papel da mulher na sociedade são as principais pautas abordadas.

A cada semestre as coordenadoras, junto com a professora Flávia e as alunas participantes montam estratégias para melhor conduzirem o projeto, sempre ouvindo as opiniões e sugestões de melhoria. É um projeto feito para todos os universitários, mas é mais frequentado por mulheres.

Esse projeto é importante para incentivar o estudo dessa parte da sociedade, mesmo a mulher sendo 51,7% da população – De acordo com dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) 2018 –, elas são vistas como minorias em relação a leis, igualdade efetiva e outros fatores.

“Falar sobre esse assunto na universidade é dar oportunidade as mulheres de se empoderarem, é conciliar os estudos com a luta e conseguir melhorar a sociedade” afirma Aline.  
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