02/09/2019 às 01h46min - Atualizada em 02/09/2019 às 01h46min

Especial Mundial de clubes: nascimento e polêmicas do torneio

Reunião entre dirigentes moldou o primeiro mundial; Palmeiras reivindica Copa Rio de 1951

Paulo Octávio - Editado por Amanda Cruz
Cenas de violência no jogo Milan x Estudiantes; após a partida, Europeus boicotaram o torneio. Crédito da Imagem: Revista El Gráfico
O Mundial de Clubes é a obsessão do torcedor brasileiro, mas poucos tiveram o prazer de conquistá-lo. E poucos também conhecem a historia do maior torneio de clubes do mundo, que é recheado de polêmicas, violência e contexto político. O especial do Lab dicas Jornalismo mostra como se deu a criação do torneio, mudanças e como será a disputa a partir de 2021.
 
Na conta do chá
 
Poucos sabem que a primeira iniciativa de formar uma Copa do Mundo de clubes foi feita por um fundador de uma empresa de chá. Sir Thomas Lipto teve a ideia e criou o troféu em 1909 apenas com times europeus. Porém sem aval de entidades esportivas, a iniciativa não foi para frente.
 
Mundial (?) do Palmeiras
 
Mas a entidade pioneira na formação de um torneio com cara de mundial foi a CBD, atual CBF. Frustrada pelo Maracanazo, a confederação chamou campeões nacionais dos países que disputaram a Copa de 50 com nome de Copa Rio. Entretanto devido a problemas de logística apenas seis clubes vieram. Nice, Juventus, Estrela Vermelha, Áustria Viena, Nacional (Uruguai) e Sporting (Portugal). E como na época ainda não existia o campeonato nacional --- que só começaria em 1959 --, Palmeiras e Vasco, principais campeões estaduais participaram da disputa.
 
O verdão faturou o título: bateu o Juventus na ida por 1 a 0 e empatou por 2 a 2, ambos jogos no Maracanã. Por isso, alviverde entende que é o primeiro campeão mundial e pediu reconhecimento da Fifa. De acordo com o blog do Eduardo Ohata (Yahoo) *, a federação até gerou documento que comprova o feito dos paulistas, mas em seu site a entidade cita a competição apenas como Copa Rio **--- torneio que serviu de inspiração para Liga dos Campeões assim como Campeonato Sul-Americano de Campeões

Time campeão da Copa Rio de 1951. Crédito da imagem: Site Ponto Verde

Amistosos e o título do Bangu
 
Após esse torneio, que também foi realizado em 1952 com título do Fluminense, houve outras tentativas como a pequena taça do mundo, organizada pela Federação da Venezuela realizada entre 1952 e 1957. O Corinthians venceu a de 53, e o São Paulo a de 1955. Outro campeonato similar foi o Torneio internacional de Paris de 57, organizado pelo time francês Racing Club; Vasco foi o vencedor. Mas a Fifa deu aval apenas para a International Soccer League criada por Willian Cox. Fluminense e Palmeiras não foram e deram lugar para o Bangu, que foi o campeão.

Marca da violência
 
O jogo entre Europeu e Sul-Americano só tomou forma após uma reunião entre Santiago Bernabeu (criador do torneio europeu que se transformou na Liga dos Campeões) e João Havelange (presidente da CBD), em outubro de 58. Havelange comunicou aos delegados da Uefa que faria a Libertadores com formato idêntico ao Liga dos Campeões. O torneio americano começou em 1960, e o europeu, em 1955. E que ele tinha interesse em fazer um jogo com campeões, sem a presença de equipes de outros continentes.
 
A disputa começou logo em 1960. Foi decidido que seriam três jogos sem considerar o saldo de gols. E a terceira partida seria no continente do segundo jogo. O Mundial consagrou o Santos de Pelé. Mas em 1967 quando Racing x Celtic se enfrentaram começou um clima de animosidade. Naquele jogo, o técnico inglês acusou a torcida argentina de tacar pedra no goleiro e uma pessoa invadiu gramado com uma faca. A alta rivalidade provocou divididas fortes e violência em outros jogos. Pior aconteceu na disputa entre Milan x Estudiantes em 1969. Os hermanos mandaram jogo para Bombonera de propósito. E houve uma guerra entre os jogadores e atleta teve até o nariz quebrado. Por isso vários europeus desistiram de participar e os campeões da Liga dos Campeões deram lugar para os vices. Só em 76, o Bayern de Munique topou participar porque seu rival seria um brasileiro, o Cruzeiro. Mas jornalistas desmereceram o torneio e o boicote colocou o Mundial em risco.

Dedo japonês
 
Em meio a essa crise, o Japão se interessou para sediar o torneio. A Toyota, associação japonesa, quis patrocinar a disputa e cedeu local. E até deram ideia de mudar o regulamento e que fosse realizado apenas um jogo. Com decisão em campo neutro e longe da violência, os europeus voltaram e a mídia passou a dar mais destaque. Tudo ia bem até 2000, quando a Fifa decidiu intervir em nome da globalização do futebol. 

Confira na próxima matéria a polêmica sobre o Mundial de 2000 e como será a disputa a partir de 2021

Fontes


* Blog com documento sobre mundial de 1951 https://esportes.yahoo.com/noticias/mundial-palmeiras-veja-o-que-diz-documentacao-oficial-da-fifa-080057062.html

** O que o site da Fifa fala sobre o mundial de 51 https://static.fifa.com/news/y=2008/m=6/news=palmeiras-the-green-giant-810777.html
 

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