12/10/2019 às 07h24min - Atualizada em 12/10/2019 às 07h24min

A importância das HQs no aprendizado infantil

Fernanda Simplicio - Editado por Bárbara Miranda
Google/Gibiteca

Me vi com um desafio de enfrentar uma semana turbulenta, com provas acadêmicas sobre mestrados ligados à processos comunicacionais. Dedico a minha vida a estudar sobre a importância das HQs para as crianças no mundo digital e como isso é importante para seu aprendizado sociocultural. Por ironia, o tanto que estudo me fez entregar essa série de artigos especiais atrasada – novamente. O fato é: escrevo para o laboratório para aperfeiçoar meu modo de dialogar com o público geek, pois é um público que começou, em sua maioria, lendo histórias em quadrinhos quando crianças e perpetuou o seu gosto até hoje. E se estou aqui escrevendo, é porque eu tive um gibi de cabeceira de cama todos os dias para ler, para treinar a minha escrita e simplesmente para enxergar o mundo com o outro olhar. Um olhar mais colorido!

Neste Dia das Crianças, muitas pessoas vão dar presentes, vão distribuir doces pelas ruas e principalmente, vão discutir os gostos das crianças com elas mesmas. Alguns adultos voltam a ser crianças, as crianças se tornam mais crianças e todas as ações ligadas a isso ficam em alta.

No Brasil, é praticamente unânime que você não vai passar pelo ensino fundamental I sem ter contato com algum tipo de histórias em quadrinhos ou gibi, como é o popularmente conhecido no país. Sempre tem um pouquinho de Turma da Mônica ou Menino Maluquinho nas aulas de alfabetização. Esse letramento através das histórias em quadrinhos para as crianças não é à toa, ele acontece para tentar facilitar o processo de aprendizagem dos alunos, com dinamismo e sequencialidade de informações. É uma hierarquia de informação mesmo. E o gibi é a melhor porta de entrada para isso, afinal de contas, não podemos esquecer que as histórias em quadrinhos também é jornalismo e isso contribuí para esse aspecto informacional das crianças.  

Para a professora Departamento de Fundamentos da Educação e coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da Faculdade de Educação da PUC-SP, Maria Angela Barbato Carneiro, apesar do gibi ser uma forma de comunicação, alguns profissionais do ensino à primeira infância não conseguem trabalhar com esse formato em sala de aula, porque acreditam que esse tipo de leitura pode ser considerada um passatempo entre os pequenos, e isso se torna um preconceito com essa forma de aprendizado.

Mas, na verdade, as histórias em quadrinhos promovem um encontro educacional, elas são a porta de entrada para o hábito da leitura, o hábito de acompanhar sequências e até entender contextos sociais, políticos e emocionais. E mesmo com a ressalva de alguns profissionais, as HQs são reconhecidas pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), que possibilita a distribuição e adequação do conteúdo para a sala de aula.

O gênero das histórias em quadrinhos é uma forma simples de conversar com as crianças. O crescimento intelectual para uma criança que teve contato com histórias em quadrinhos é evidente em suas ações. Elas desenvolvem hábito de leitura, de reconhecimento de linguagens, escrita, abre espaços para o diálogo a assuntos diferentes do cotidiano do seu lar.

Ler para uma criança é dar a ela a chave de um mundo mágico, comprar um gibi para uma criança é entrega-la mais uma forma de sonhar.

E com muito gibi a nossa equipe deseja um feliz Dia das Crianças para os pequenos e os gigantes desse Universo Geek, que foram letrados e acompanhados com muitos quadrinhos coloridos na vida.

 
 
 REFERÊNCIAS
 

MAGALHÃES, A. C. A importância das histórias em quadrinhos no desenvolvimento da leitura. WebArtigos, 30 de jun. 2012. Disponível em:< https://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-das-historias-em-quadrinhos-no-desenvolvimento-da-leitura/91771/#targetText=No%20universo%20da%20%E2%80%9CConstru%C3%A7%C3%A3o%20de,em%20suas%20diferentes%20possibilidades%20pedag%C3%B3gicas.>. Acesso em: 04 de out. 2010.

CORSINI, R. Gibis na Alfabetização. Revista Educação, 06 de mai 2014. Disponível em: <https://www.revistaeducacao.com.br/gibis-na-alfabetizacao/>. Acesso em: 04 de out. 2019.  

 


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