16/06/2020 às 21h24min - Atualizada em 16/06/2020 às 21h24min

Aplicativo é acusado de "roubar" dados de usuários

Brechas nos termos de uso facilitam o compartilhamento de dados do usuário com a empresa responsável pelo app

Por Isabela Tavares - Editado por Luana Gama
G1 / Veja
Reprodução / Brasil de Fato

Em 2019, o aplicativo FaceApp ficou famoso por usar inteligência artificial para envelhecer e mudar o gênero na selfie de alguém, dentre outras ferramentas. Agora, ele voltou com tudo e está cercado de polêmicas, principalmente em relação à segurança e privacidade do usuário. 

De acordo com a política de privacidade e os termos de uso do aplicativo, atualizados em 4 de junho deste ano, a empresa russa WIreless Web, criadora do app, pode ser capaz de coletar diversos dados, sob alegação de que essas informações são usadas para melhorar o aplicativo e prevenir fraudes. Os dados são: 

  • As fotos que são escolhidas pelo usuário
  • A banda consumida durante o uso do app
  • O histórico de compras Informações de redes sociais (caso o login seja feito por outra plataforma ou usar a versão premium do app)
  • O modelo do celular
  • Resolução da tela do aparelho
  • Tipo de sistema operacional
  • Alguns dados de sua navegação online, como sites que foram visitados

O FaceApp já foi investigado pelo Departamento Federal de Investigação dos EUA (FBI), que emitiu um documento informando que “considera qualquer aplicação móvel ou produto similar desenvolvido na Rússia, como o FaceApp, como um risco potencial de contrainteligência, tendo como base os dados que o produto coleta, seus termos de uso e políticas de privacidade e os mecanismos legais disponíveis ao governo russo que permitem acesso a dados dentro das fronteiras russas". Outra polêmica envolvendo o aplicativo, é ter sido considerado racista ao embranquecer a foto de pessoas negras, após elas usarem o filtro embelezar. Com as acusações, o filtro foi retirado do aplicativo.

No Brasil, o Google e a Apple foram multados pelo Procon-Sp em agosto do ano passado por desrespeitarem o Código de Defesa do Consumidor brasileiro, por permitir que o FaceApp exibisse informações em inglês na "Política de Privacidade" e "Termos de Uso". As multas estipuladas foram de R$ 9.964.615,77 e de R$ 7.744.320,00 respectivamente, mas nenhuma das empresas pagou o valor até o momento, porque entraram com um recurso na justiça. 

 

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