06/09/2020 às 13h08min - Atualizada em 06/09/2020 às 12h45min

COVID-19: Especialistas alertam para uma possível 'onda de obesidade' devido a falta de hábitos saudáveis na pandemia

Fatores psicológicos somados ao sedentarismo acendem o alerta para um aumento significativo da obesidade em todo o Mundo.

Lucas Mathias - Editado por Caroline Gonçalves
Foto/Divulgação: Diário de Petrópolis
Com a pandemia do coronavírus, na maior parte do tempo, as famílias de todo o mundo estão em suas casas. Por este motivo, especialistas alertam para uma possível ‘onda de obesidade’ devido ao aumento do consumo de alimentos e a falta de práticas de exercícios.

De acordo com uma pesquisa publicada no Estado de Minas, realizada por endocrinologistas, psicólogos e profissionais da patologia, 48,1% dos entrevistados afirmaram sentir mais vontade de comer mesmo não estando com fome, mas 44% não mudaram os hábitos alimentares. A pesquisa ainda apontou que 23% das pessoas entrevistadas ganharam peso, enquanto 17% perderam. O ganho médio de peso foi de 2,8 kg, já a perda média ficou em 2,6 kg.

Segundo Andreia Rinaldi, moradora de Volta Redonda-RJ, o principal motivo que a faz comer excessivamente é o fato de ficar o tempo todo dentro de casa sem ter o que fazer. Andreia ainda apontou que a preocupação com as notícias veiculadas nas mídias sobre o número de mortes e de infectados por covid-19 colaboram para o aumento da ansiedade, pois não se sabe quando tudo isso irá passar. 

 
“A ociosidade é um dos motivos que me levaram a aumentar o consumo de alimentos. Se não tem o que fazer, vamos comer”, diz.

De acordo com Lara Pereira, estudante do último período de psicologia da Universidade Estácio de Sá (UNESA), o aumento dos índices de obesidade está vinculado a fatores psicológicos como ansiedade, estresse e angústias, que levam as pessoas comerem por conta das incertezas do momento atual. Além disso, a estudante relatou também que como as pessoas não estão podendo se divertir como antes, descontam tudo na comida.

 “Com a redução das atividades prazerosas na pandemia, a comida é um meio de se obter prazer e bem-estar de maneira fácil, e tentamos compensar nossas preocupações por meio da comida”, argumentou Lara.

Questionada sobre a necessidade dos exercícios físicos, Lara apontou que as pessoas não devem focar somente no estético, mas também no mental.
 
“O exercício é um excelente aliado para combater altos níveis de estresse, ansiedade. É preciso combater o sedentarismo, pois ao se movimentar é liberada a endorfina no cérebro, trazendo diversos benefícios como a melhora do humor, maior energia, melhor qualidade do sono”, esclareceu a graduanda em psicologia.

Para a nutricionista Isys Fonseca, não há nenhum “super alimento” que previne a obesidade, mas sim a variedade deles, sendo sempre ideal buscar pratos coloridos e saudáveis. A nutricionista ainda completou dizendo a importância se comer frutas, vegetais e hortaliças.
 
 “Uma alimentação consciente é o principal, deve-se ter equilíbrio. Consumir alimentos preferencialmente in natura ou minimamente processados. Não é necessário excluir os fast-foods, mas compreender que o excesso irá trazer danos” , apontou Isys.  

Para Isabela Moreira, profissional de educação física, nesse momento de pandemia, é necessário se manter sempre em atividade. A educadora recomenda que nas cidades onde as academias foram liberadas para reabrirem, as pessoas retornem às atividades físicas seguindo as orientações de segurança. Entretanto, quem não puder ir, a educadora diz que é necessário que a pessoa procure o seu personal para que ele adapte as atividades mesmo a distância. Já quem não praticava exercício, deve procurar um profissional para iniciar as atividades, pois além do físico, ajuda na mente.
 
“A atividade física alivia a ansiedade, ajuda a fugir da depressão, previne doenças e colabora para a manutenção de doenças crônicas”, declarou Isabela.

Isabela ainda enfatizou que, devido ao momento atual, muitas pessoas não possuem condições financeiras para pagar um profissional de educação física. Por este motivo, ela atenta para as atividades disponibilizadas por profissionais da área nas redes sociais, e que estas devem ser feitas sem grande esforço físico, pois cada atividade física é direcionada exclusivamente para um determinado individuo. Ademais, atividades físicas ao ar livre como caminhadas e andar de bicicleta são boas opções para a população.
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