24/10/2020 às 09h32min - Atualizada em 24/10/2020 às 09h16min

Como o uso da internet pode influenciar crianças durante a infância

Há um mundo cheio de coisas novas na internet e é necessário avaliar quais os conteúdos devem ou não ser consumidos pelas crianças

Por Ynara Mattos - Editado por Ana Paula Cardoso
Lairtes Julia Maria Temple (Professora e Psicológa); Cristina Sleiman (Advogada especialista em direito digital); Simone Lavorato (Doutora em educação).
Criança com o celular nas mão próximo ao rosto - Imagem por: Pixabay
Com o avanço da tecnologia ao decorrer dos anos, as pessoas têm se tornado cada vez mais reféns de aparelhos eletrônicos e dependentes do acesso a internet. Mas quando se refere às crianças, é necessário ter um certo cuidado com os pequenos. Hoje em dia, eles já nascem com o instinto de estarem presentes na internet, são os chamados nativos digitais, pois estão inclusos e familiarizados em um cenário completamente tecnológico, e que influencia diretamente na sua vida. No entanto, é fundamental possuir atenção em uma série de fatores que podem impactar na vida das crianças. Apesar de ser uma ferramenta importante para o conhecimento e a educação, a web também pode trazer alguns problemas, e, nesse caso, é papel dos pais manter um controle do uso.
 
Estudos revelam que crianças com idade entre 3 e 5 anos:
  • 66% conseguem operar jogos de computador;
  • 62% conseguem ligar o computador; 
  • 57% conseguem utilizar pelo menos um aplicativo do smartphone.

Em crianças entre 6 e 9 anos, estudos revelam que:
  • 89% já utilizam a internet. No Brasil, este índice sobe para 97%;
  • 7% passam mais de 10 horas conectadas diariamente;
  • A grande maioria fica online por aproximadamente 5 horas;
  • 46% delas estão cadastradas em redes sociais infantis e 16% encontram-se no Facebook, cuja idade mínima permitida para participar é de 13 anos. No Brasil este percentual é bem maior, 54% das crianças nesta faixa etária possuem uma conta na rede social. 
 
Segundo estudo divulgado pelo site Blue Blus, baseado em uma pesquisa realizada pela AVG Tecnologia, com relação às mães entrevistadas, a pesquisa mostrou que 64% delas realizam um controle no computador para saber o que seus filhos acessam e 47% acreditam que o uso da tecnologia é extremamente benéfico para as crianças, ajudando-as a desenvolver habilidades motoras e a criatividade. 
 
Psicóloga Lairtes Temple, explica que: "Nada em excesso faz bem e não é diferente quando o assunto é a relação entre crianças e internet. Isso porque quando a internet é utilizada com muita frequência acarreta em maus hábitos para a criança e, se não monitorado, os pais podem perder o controle sobre o conteúdo acessado pelo filho. Então, desde sites não apropriados para a faixa etária até adultos mal intencionados podem tentar cometer algum crime, caso a criança não tenha o acompanhamento necessário".

Os impactos positivos estão no âmbito da educação, em favorecer o desenvolvimento cognitivo e físico da criança, pois há conteúdos que estimulam o exercício e movimentação do corpo. Se for algo passivo, inibe a criatividade e a imaginação, acabando o faz de conta. 
 
Cristina Sleiman, advogada, reitera "A falta de monitoramento está ligada a duas questões, orientação e vigilância. Saber o que seu filho faz é importante, tanto para orientá-lo nos desafios, como também observar situações de risco, seja por conteúdos indevidos e perigosos mas também por conduta ilícita para que não sejam infratores e tão pouco vítimas de terceiros".

A internet é cheia de desafios e brincadeiras perigosas, onde crianças e adolescentes são levados facilmente à situações de risco à saúde e a própria vida. 
 
É importante entender que a questão da cultura digital, é cada dia mais presente na vida das crianças, com a chegada da pandemia do novo coronavírus, esse uso se intensificou ainda mais, para os estudos. Dessa forma, o mau uso da internet e das tecnologias digitais obteve um crescimento maior.
"Esse uso descontrolado da tecnologia pode acarretar muitos problemas para a criança, dentre esses problemas pode-se citar desde transtornos mentais, que podem ser agravados com o uso intensivo das telas, até mesmo problemas de sono, alimentação ou compulsão alimentar e sedentarismo. As crianças deixam de brincar, correr, para ficarem sentadas em frente a uma tela, gerando problemas auditivos, visuais e de postura. São vários problemas e transtornos que podem ser causados por esse uso excessivo. Uma outra questão também, para se preocupar e que precisa ser pensada, não é só do uso problemático, mas também da dependência que isso está causando. Tudo que é em excesso faz mal e pode acarretar a um vício e uma dependência", afirmou Simone Lavorato, Doutora em educação. 
 
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