24/10/2020 às 14h09min - Atualizada em 24/10/2020 às 13h45min

Ecoturismo no Pantanal: atividade prevalece apesar de dificuldades

Já castigado pela pandemia da Covid-19, o segmento teve sua atividade ainda mais dificultada com as queimadas dos últimos meses

Larissa Campos - Editado por Ana Paula Cardoso
Imagem aérea do Pantanal - Foto por: Jose Sabino/Pixabay
Segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 27% do Pantanal foi consumido pelo fogo até o dia 18 de outubro. Apesar disso, Fernando Tortato, biólogo e pesquisador associado a ONG Panthera, afirma que boa parte do bioma segue preservado e com os atrativos ecoturísticos abertos ao público. Sendo assim, a atividade de turismo ecológico, fundamental para o bioma e renda local, pode se tornar um grande aliado na reestruturação do bioma.

De acordo com Eduardo Fragoso, biólogo e coordenador científico do Onçafari, a definição clássica de ecoturismo seria a viagem para áreas naturais em busca de um contato com a natureza, mas de modo a gerar um baixo impacto negativo ao meio ambiente, conciliando a conservação das espécies que vivem no habitat e o desenvolvimento socioeconômico local.

O coordenador científico do Onçafari explica que, diferentemente do turismo de massa, o ecoturismo visa promover o contato das pessoas com o ambiente natural, de modo planejado, equilibrado e sustentável, avaliando o impacto negativo e estabelecendo, por exemplo, a capacidade de suporte de cada local, o que torna a atividade mais restritiva. “O ‘turismo de massa’ irá visar o maior número possível de visitantes, sem necessariamente considerar o impacto de tal atividade sobre o meio ambiente no entorno e, por atingir um público maior e mais diverso, geralmente tem um valor mais acessível”, afirmou.

Eduardo destaca a priorização da sustentabilidade na atividade ecoturística, sendo assim, o objetivo é manter ou, se possível, melhorar as condições para a existência da vida selvagem e dos recursos naturais da área a longo prazo. “O empresário desse setor deve ser menos imediatista, se preocupar em manter um número menor de visitantes e gerar uma pressão menor sobre o ambiente, para ter aquele lugar protegido e funcionando para sempre”, declarou.

Ailton Lara, técnico em guia de turismo, graduado em gestão ambiental e proprietário da pousada Jaguar Camp, afirma que, além do fator de preservação da biodiversidade, a natureza vale mais viva do que morta, na medida em que o turismo ecológico é uma renda contínua, enquanto isso, a devastação do bioma pode gerar um grande valor, mas apenas a curto prazo.

Nesse sentido, a atividade ecoturística é uma importante fonte de renda para a população local, gerando empregos e movimentando a economia, podendo também trabalhar de forma harmoniosa com outras práticas como a agricultura e pecuária. Além disso, o ecoturismo, de acordo com Fernando, se mostra um segmento mais diversificado e inclusivo em comparação a outras atividades da região.
“Na pecuária você tem, praticamente, empregos para homens, poucas funções e, normalmente, com salários baixos. Já o ecoturismo diversifica, oferecendo muito mais oportunidades para as mulheres e para os homens, além de capacitar as pessoas. Então você acaba agregando valor e melhorando a qualidade de vida da região”, destacou.

Um aliado do Pantanal
 
Nos últimos meses, as imagens de um Pantanal tomado pelo fogo tomaram conta dos noticiários. Apesar do número alarmante de 27% do bioma queimado, 73% da região ainda segue conservada. Dessa forma, para Eduardo, o ecoturismo pode agir como uma das principais ferramentas para reestruturação e preservação do Pantanal, já que a receita oriunda dessa atividade será essencial nos anos que virão.
 
Segundo o biólogo, o turismo ecológico tem movimentado uma receita de milhões de dólares anualmente, que se reflete na geração de empregos e renda, assim como, no aumento de esforços de projetos de conservação para assegurar a proteção e equilíbrio desses ecossistemas. “Tendo um ecoturismo atuante e mais abrangente, mais pessoas passam a se importar e a defender essas áreas. Um proprietário de terra irá avaliar muito bem antes de colocar fogo para a renovação das pastagens durante a época seca, uma das principais causas dos grandes incêndios no Pantanal nos últimos anos”.
 
Somado a isso, Eduardo enfatiza que várias pessoas que dependiam do ecoturismo na região pantaneira foram afetadas pelas queimadas e precisam de ajuda. Nessas áreas, o mais recomendado seriam doações e não visitações.

Para Ailton, a população deve, além de tudo, tomar as queimadas e a pandemia como um aprendizado para o futuro.

“A natureza está nos pedindo para respeitá-la. Temos que dá-la esse respeito, porque é com ela viva que a gente vai viver melhor”, finalizou.


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