30/10/2020 às 15h55min - Atualizada em 30/10/2020 às 15h26min

A Mudança dos palcos para o Online

Thuany Cruz - Editado por Letícia Agata
Teatro Minicipal Dona Zenaide - Jaguariúna SP https://www.circuitodasaguaspaulista.sp.gov.br/jaguariuna/ponto-turistico/28/teatro-municipal-dona-zenaide
Com a chegada da pandemia do novo Coronavírus, milhares de eventos foram cancelados e os espaços culturais se viram obrigados a fechar as portas. Mas como ficaram as pessoas que tiravam seu sustendo da arte? As atrizes Fabi Bang e Myra Ruiz criaram a Campanha Fundo Iasmine, na plataforma de financiamento coletivo Catarse, com o objetivo de levantar fundos para apoiar técnicos que trabalham nos bastidores do teatro musical. A campanha se encerrou no dia 28 de julho bem sucedida, arrecadando um total de R$96.431.

A empresa artística Estamos Aqui Produções também não ficou muito atrás: foi criado um festival de espetáculos totalmente online. Os ingressos estão sendo vendidos através da plataforma Sympla, e parte da venda será revertida para a campanha da Associação dos Produtores de Teatro (APTR), ao Lado do Trabalhador de Teatro, que assim como o fundo Iasmine está arrecadando fundos para os profissionais do teatro.

Eles já realizaram cinco produções online: a primeira no dia 14 de outubro, com o musical “A Cor Purpura”. Todos os espetáculos apresentados pelo festival contam com filmagem profissional com múltiplas câmeras, além de altíssima qualidade. O valor mínimo do ingresso é de 30 reais.

Nos Estados Unidos, no dia 14 de maio, pelo Instagram do próprio musical (@frozenbroadway), a Broadway anunciou que o espetáculo “Frozen” não voltará para os palcos após a pandemia. A produção lamenta o ocorrido e diz que está comprometida em manter outras duas superproduções: “O Rei Leão” e “Aladdin”.  

"Frozen" era o musical da Disney com menos sucesso de bilheteria em Nova York, se comparado com "O Rei Leão" e "Aladdin", disse o presidente da Disney Theatre Productions, Thomas Schumacher, em carta aos funcionários, segundo o jornal "New York Times": "Esta decisão difícil foi tomada por várias razões, mas principalmente porque, no novo cenário da Broadway, acreditamos que três produções da Disney serão excessivas". 

Aqui no Brasil, o diretor da peça “Refúgio”, Alexandre Biondi, conta que foi uma “loucura” se adaptar a pandemia, pois a produção teve que se reinventar e repensar em uma nova maneira de produzir o espetáculo. O que prejudicou muito esse processo foi a falta de ter uma gravação com o novo elenco, e desse problema surgiu a ideia da criação de inúmeros pequenos projetos dentro da plataforma do Instagram. Além disso, por conta da pandemia, surgiu a proposta de fazer o espetáculo em outra plataforma.

O projeto ainda está em desenvolvimento, mas Alexandre já adianta que será uma web série e, caso tudo ocorra bem, as gravações serão iniciadas em dezembro desse ano: “Ainda estamos analisando como será e qual a melhor maneira de apresentar o espetáculo. Eu sou muito chato e tenho muito medo de nos perdermos mudando muito a proposta ou a plataforma”.
 
O diretor descreve que a adaptação dos palcos para uma nova plataforma online, onde não se tem muita experiencia é um pouco traumática:
“A gente testava várias vezes os vídeos até ficarem mais aceitáveis nas mídias digitais. Somos atores de palco, então imagina como está sendo a gente se acostumar com a nova tecnologia! Mas está sendo um grande aprendizado. Dominar uma nova ferramenta é sempre gratificante. Estamos ainda em construção da identidade da companhia nessas novas diretrizes e conceituando a nossa linguagem no teatro.”
 
Eles estão criando e recriando novos projetos, tentando sair da mesmice e trazendo um engajamento maior. “Tentamos, a cada novo projeto, alcançar novas pessoas e ter uma maior abrangência, obtendo assim mais conhecimento das ferramentas e conhecimento mesmo para aprofundamento dessas personagens.”
 
Um desses projetos é a série “Ligações na Quarentena”, na qual os episódios são publicados no Instagram do espetáculo (@refugiopeca). A ideia para a serie partiu da atriz Isabella Cardoso, que na peça interpreta a personagem Brenda. Ela o convenceu a começar algo novo nas redes e a descoberta de novos aprendizados tem sido cada dia mais interessante: “Teatro é isso, sempre uma renovação. Quando achamos que estamos dominando alguma coisa, vem uma pandemia ou outra dificuldade, como nosso governo, que nos desestabiliza, nos fazendo recuar e rever nosso mundinho perfeito e como podemos reconstruir nossa história sem perder nossa trajetória e história” , completa ele.
 
O elenco foi super receptivo em relação a série e estão todos muito empolgados com a possibilidade de levar a história dos palcos para um novo horizonte, além de atingir um público maior. Alexandre acredita que a linguagem inovadora trará ao público um novo olhar da obra, além de conhecer outros lados dos personagens e suas origens, e agradece ao Jair Alves e Tamires Roccatti por entrarem no projeto.

O diretor também produziu lives sobre o espetáculo e conta que amou a repercussão do público. Ele recebeu inúmeros comentários de apoio. Ele sabe que nesse período todo mundo está produzindo lives, por conta disso não realizou tantas. Prefere contar a história em projetos curtos, como o novo projeto “Crônicas de um Refúgio”.
 
Antes da pandemia, eram vários os planos para o espetáculo. Alexandre tinha a ideia de levar a peça para o Rio de Janeiro, ficando uma semana em cartaz, porém, por conta da falta de patrocínio, eles estão sempre pensando na melhor solução para todos. Com a chegada da pandemia todos os projetos foram revistos e foram começados a colocar em prática outros, como por exemplo o espetáculo infantil que o diretor está produzindo, que enfim sairá do papel para os palcos. Ele adianta que é um lindo musical sobre a luta contra preconceitos e o triunfo do amor, “Gato Andorinha – Um musical em Retalhos”.

Por fim, Alexandre conta que, durante esse período tão difícil, ele não pensou em desistir em momento algum:
˜São quase trinta anos de profissão. Já passei por muitas coisas, muita gente tentando nos derrubar nessa trajetória e, claro, muita gente estendendo as mãos para nos ajudar também. Essa segunda, graças a Deus, foi maior que a primeira e acredito que por todas essas pessoas que confiam e nos ajudam não podemos desistir. Resistir sempre, desistir nunca.”

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