08/12/2020 às 10h02min - Atualizada em 08/12/2020 às 09h15min

Dezembro Vermelho: mês do combate à Aids e outras ISTs

Segundo o Boletim Epidemiológico anual, o Brasil tem atualmente 920 mil pessoas com Aids

Diego de Marchi - Editado por Ana Paula Cardoso
Reprodução: G1
No dia primeiro de dezembro foi comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Desde 1988 o mundo dedica esse dia do mês para despertar a necessidade da prevenção à doença. Mesmo com a pandemia da Covid-19, a atenção e conscientização sobre a epidemia do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), que já infectou mais de 920 mil cidadãos no país, não deve ser deixada de lado.

Em novembro de 2017, a Lei 13.504 publicada no Diário Oficial, permitiu que dezembro fosse o mês que marca a luta do HIV, em decorrência às execuções do Dia Mundial contra a Aids 
(Síndrome da Imunodeficiência Adquirida)
. A campanha Dezembro Vermelho busca sensibilizar a população sobre a prevenção e o tratamento precoce contra o HIV , a Aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Dados recentes desse mês, publicados pelo Ministério da Saúde, sobre o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2020, revelou que 920 mil pessoas vivem com o vírus HIV no Brasil: 89% foram diagnosticadas, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% das pessoas em tratamento não transmite o HIV por via sexual, visto que atingiram carga viral indetectável. A faixa etária mais atingida é entre 25 a 39 anos, de ambos os sexos, com 492,8 mil registros. O documento contabiliza dados dos diagnósticos e infectados do ano passado e compara os casos dos últimos anos no país.

Muitos brasileiros se confundem ou não sabem a diferença entre HIV e Aids, e é importante entender que HIV e Aids não são sinônimos. De acordo com Rico Vasconcelos, médico infectologista e pesquisador da faculdade de medicina da USP, o HIV é o nome do vírus e a Aids é o nome da doença que o vírus causa, se não forem realizados os diagnósticos e os tratamentos necessários.

“Antes da gente ter um tratamento para o HIV, que apareceu no meio da década de 1990, todo mundo que se infectava por HIV, mais cedo ou mais tarde chegava ao estágio de Aids. Depois da década de 90, uma pessoa que se infecta por HIV e faz seu tratamento correto, passa o resto da sua vida sendo apenas uma pessoa que vive com HIV, saudável, sem doença. Mais do que isso, fazendo o tratamento correto, ela não tem risco de transmitir o seu vírus para outras pessoas por via sexual, mesmo que não use preservativo”, explica Vasconcelos.


Sintomas

Em alguns indivíduos, os sintomas da infecção por HIV podem ou não existir, sendo denominada como fase aguda do vírus. Mesmo se contrair, os sintomas são inespecíficos, como uma virose comum, apresentando febre, dor no corpo e glândulas aumentadas no pescoço. Existem muitas pessoas que não tem esses sintomas, segundo Rico.
“A partir disso, o sujeito entra em uma fase assintomática, que pode chegar a durar oito ou dez anos, período que o corpo está conseguindo controlar de maneira eficaz a infecção por HIV. Passados esses anos, a imunidade começa a cair e avança para o terceiro estágio da infecção, a imunodeficiência, conhecido por Aids, por causa da imunidade baixa que a pessoa teve, pode ocasionar outras infecções oportunistas. Dependendo da situação, ela vai ter sintomas”, afirma.

Após o diagnóstico positivo por HIV, busque atendimento médico. Lá, é feito uma avaliação de imunidade e da quantidade de vírus no sangue, e em seguida vem o tratamento. O tratamento é feito com medicamentos que impedem a multiplicação do vírus HIV, e com ele não se multiplicando, não existe a destruição da imunidade do indivíduo. O tratamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Desde 1996, o Brasil concede gratuitamente pelo SUS todos os medicamentos antirretrovirais e, desde 2013, garante tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente da carga viral. Com a identificação precoce da doença, o tratamento se torna mais eficaz e é possível ter uma vida saudável e estável. O SUS disponibiliza testes rápidos e gratuitos para a detecção do vírus nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).

Prevenção
 
“Diferentes contextos de vida precisarão de diferentes associações de métodos de prevenção, e o método que melhor funciona para uma pessoa é o método que o cidadão consegue utilizar. Uma pessoa que consegue usar o preservativo direito, em todas as relações sexuais do começo ao fim, estará bem protegida; não só do HIV, como de outras ISTs. No entanto, sabemos que existem pessoas que não conseguem usar o preservativo de forma correta e constante, para eles são indicados medicamentos antirretrovirais, como a PrEP e PEP”, ressalta Rico.

O SUS disponibiliza dois medicamentos para evitar o HIV: a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) que é o uso preventivo de medicamentos antes da relação sexual, que deve ser ingerido todos os dias, destinada a população de risco, e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) que é ingerido após situação de risco pelo contato com o vírus. Iniciada em até três dias após a relação sexual e tomada por 28 dias seguidos.

Discriminação
 
O mês do “Dezembro Vermelho” é voltado à conscientização sobre o HIV e demais ISTs, e merece mais visibilidade no Brasil. Entretanto, o discurso cheio de preconceito e discriminação exposto, seja na internet, no convívio social, meio televisivo e na família, precisa ser resolvido. Conversar com naturalidade é uma das melhores alternativas. A informação correta, juntamente com a tecnologia, devem andar juntos.

“A solução é falar abertamente sobre essa questão de saúde pública, e falar de forma técnica, sem julgamento, sem diminuir os indivíduos que vivem com HIV e sem discriminação. A sorofobia, discriminação de uma pessoa pelo fato dela viver com HIV, é uma realidade, e muitas pessoas têm, desde a década de 80, a ideia equivocada de que quem se infecta com HIV é porque fizeram o que não deviam, o que é uma grande besteira. Qualquer pessoa que tem uma vida sexual ativa, está correndo risco”, reforça o infectologista.
 


REFERÊNCIAS:

Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2020. Aids, 01/12/20. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2020/boletim-epidemiologico-hivaids-2020. Acesso em: 06/12/20.

Ações do Dezembro Vermelho que tiverem apoio do Unaids. UNAIDS. Disponível em: https://unaids.org.br/tag/dezembro-vermelho/. Acesso em: 06/12/20.

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