04/02/2021 às 14h42min - Atualizada em 04/02/2021 às 14h37min

84 anos de Fernando Assis Pacheco

Seus escritos e legado ecoam até hoje

Adélia Fernanda Lima Sá Machado - Editado por Roanna Nunes
Reprodução// Google

Em 1° de fevereiro de 1937 nascia em Portugal quem logo viria a se tornar um grande jornalista e escritor, Fernando Assis Pacheco. Conhecer sua trajetória é mergulhar em seus escritos, em suas críticas, passos na literatura e permitir imortalizar seus conceitos, conhecimentos e sua forma de escrita.

Como jornalista, Fernando atuou em diversos meios de comunicação, entre eles: o Diário de Lisboa, República, O Jornal, O Se7e, o Jornal de Letras e Record, porém, foi no período da mobilização da guerra colonial que se destacou no contexto jornalístico. Já em 1963 estreiou no mundo literário com a publicação de seu livro intitulado  "Cuidar dos Vivos", e por meio deste, mais pessoas leram e apreciaram seu modo de escrita, antes limitado apenas aos jornais.
 
Fernando saiu dos jornais, mas sua ideologia transmitida por meio da escrita se estendeu por suas obras e se sobressaiu no meio literário através de críticas sociais elaboradas e expostas em seus poemas. Suas experiências em Lisboa e durante a guerra colonial portuguesa também contribuiram, um exemplo marcante é o poema "Preso Político".
 
PRESO POLÍTICO

Quiseram pôr-me inteiro numa ficha.
O dia e a noite são iguais por dentro.
Não há papel que conte a minha vida
mais que estes versos de punhal à cinta.
A barba cresce, e cresce a voz armada
descendo pelos muros tão tranquila;
tão tranquila que já nem desespera
de ser apenas voz, não uma guerra.

Quiseram pôr-me inteiro numa ficha.
Não há papel que conte a minha vida.
Mais que estes versos, esta mão estendida
por sobre os muros só de medo e pedra.

                                                        1966- Fernando Assis Pacheco, in 'Lote de Salvados'

Ainda hoje acredita-se que poemas não podem expressar críticas sociais e momentos que marcaram a vida do escritor, contudo, através de Fernando Assis pode-se observar que é possível fazer a relação entre poema e crítica. E por isso o escritor português se torna diferenciado na capacidade em resolver os assuntos da existência de um português de casta tão clara quanto rara, narrando ocorrências essenciais e banais.
 
É importante destacar a importância de  Fernando Assis Pacheco na literatura, por meio de seus poemas com tanta consciência nas críticas e nas pessoas que atingem. Assim como já mencionado, seus poemas relatam. Além de escritor, também dedicou-se a tradução.
O autor faleceu na cidade de Coimbra, em 30 de novembro de 1995, ​no corrente ano que completaria 84 anos de idade, deixando grandes obras e escritos que trazem inquietude até hoje em milhares de leitores pelo mundo a fora.
 
Dentre suas principais obras destaca-se:
Cuidar dos Vivos (poesia), 1963
Câu Kiên: Um Resumo (poesia), 1972 Republicado em 1976 com o título Katalabanza, Kilolo e Volta)
Walt (novela), 1978
Memórias do Contencioso e Outros Poemas (poesia), 1980
A Musa Irregular (antologia poética), 1991
Trabalhos e Paixões de Benito Prada (romance), 1993
Retratos Falados (colectânea de entrevistas), póstumo - 2001
Respiração Assistida (poesia), póstumo - 2003
Memórias de um Craque (crónicas), póstumo - 2005
Bronco Angel, o cow-boy analfabeto (folhetim, primeiro volume da obra completa), póstumo – 2015
Tenho Cinco Minutos Para Contar Uma História póstumo - 2017.


 
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