05/02/2021 às 20h41min - Atualizada em 05/02/2021 às 17h40min

Tragédia em Brumadinho completa dois anos

Acordo bilionário, homenagem às vítimas e marcas profundas

Marceli Maria - Editado por Ana Paula Cardoso
Foto: Agência Brasil
Há dois anos, o mundo assistia a uma das maiores tragédias da humanidade, a catástrofe de Brumadinho (MG). O colapso da barragem que ocorreu em 25 de janeiro de 2019 matou 270 pessoas, das quais 11 continuam desaparecidas. Além das vitímas, a tragédia também deixou um rastro de destruição na região de Belo Horizonte, e ao longo do rio Paraopeba, com efeitos socioeconômicos e ambientais. Além disso, familiares das vítimas ainda esperam receber indenização. 

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) abriu uma conciliação entre autoridades e a mineradora Vale, empresa responsável pela barragem, e na quinta-feira (4), o governo de Minas e a Vale assinaram um acordo bilionário para reparação dos danos provocados pela tragédia.

Depois de quatro meses de negociações e 200 horas de reuniões, o termo foi assinado com o valor de mais de R$ 37 bilhões. De acordo com o Executivo estadual, este é o maior acordo já realizado na história do Brasil. Mas, inicialmente, o governo havia pedido cerca de R$ 55 bilhões. No entanto, representantes dos atingidos e de familiares das vítimas reclamam desde o início que não foram ouvidos nem chamados para participar das negociações. Eles protestaram em frente ao Tribunal de Justiça durante a audiência. 
 
Uma lei federal sancionada em outubro de 2020 determinou que barragens do modelo como as de Brumadinho e Mariana, deveriam ser desmontadas até 25 de fevereiro de 2022. Até agora, apenas 53 foram desativadas. A Vale afirmou que também desativou a barragem de Nova Lima (MG) em novembro de 2019, que não estaria na contagem oficial.

Flávio Penido diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), disse à CNN que o setor está comprometido com a descaracterização (nome técnico para a desativação das barragens), mas que esse é um processo longo. Penido ressaltou que foram incluídas no processo novas práticas de segurança e que novas resoluções da Agência Nacional de Mineração (ANM) intensificaram a fiscalização.

Em entrevista com a médica veterinária Laiza Bonela, coordenadora do resgaste de animais na tragédia, ela recorda que junto aos demais voluntários conseguiram salvar mais de 400 animais, e afirma que mesmo após dois anos da tragédia, a experiência que vivenciou em brumadinho a marcou para sempre.

 
"Fiquei 16 dias ininterruptos sem voltar para casa, trabalhando exaustivamente, foi uma das experiências mais desafiadoras da minha carreira e da minha vida, porque eu lidei com muita dor e desespero. O cenário era muito complexo onde muitas vidas humanas foram perdidas e incontáveis vidas de animais, até hoje não se consegue ter uma estimativa de quantos animais da fauna doméstica e também animais silvestres se perderam, o impacto ambiental também foi gigante e infelizmente muitos desses danos são irreparáveis". 
 
Além disso, ela explica que nosso país ainda enfrenta uma dura realidade no que tange aos desastres em massa, e por causa da experiência de Brumadinho, um documento muito importante foi construído. O plano nacional de contingência para dar assistência em desastres em massa que envolverem animais. O plano foi publicado no final de 2020 e tem o intuito de orientar médicos, veterinários, zootecnistas e biólogos em todo o Brasil.
 
"É importante que as autoridades, órgãos públicos e as empresas privadas estejam cada dia mais conscientizados e sensibilizados para a importância de se proteger a saúde única, que significa proteger humanos, animais e meio ambiente. Nunca se pode voltar as atenções somente para um lado desse tripé, é preciso entender que essas saúdes funcionam de forma indissociáveis, ou seja, ao passo que se negligencia uma saúde, se negligencia todas as outras, por isso elas precisam andar sempre juntas e coordenadas."

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