06/02/2021 às 12h17min - Atualizada em 06/02/2021 às 12h11min

Testes em animais: uma necessidade ou uma escolha?

Empresas podem evitar testes em animais e lutar pela causa

Laís Rodrigues - Editado por Josineide Barbosa
Foto: Laís Rodrigues

Hoje, um dos grandes diferenciais que podem chamar atenção dos consumidores para uma marca é não realizar testes em animais, conhecido pelo termo cruelty free ou livre de crueldade. Cada vez mais a onda do veganismo e pessoas que se preocupam com os testes crescem e com isso, a escolha das marcas que irá usar é mais exigente, mais detalhista que antes.


Os testes em animais são feitos pela indústria para obter possíveis reações de componentes ou a comprovação da eficácia de alguma substância. Atualmente, os testes podem ser feitos em peles sintéticas, in vitro e humanos. Segundo uma pesquisa recente do People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), 84% das empresas ainda fazem testes em animais. 

 

Antes não tínhamos tantas opções boas e hoje, grandes e pequenas marcas estão se preocupando seja por ideologia ou por conta da demanda dos consumidores. As pessoas estão mais atentas em questões de sustentabilidade e animais e isso vai para diversas áreas da vida como: beleza, moda, higiene, limpeza. Segundo Jenny Middleton, Diretora da Worth Global Style Network (WGSN), a geração dos futuros consumidores são obececados por fazer o certo pelo meio ambiente e o movimento vegano está ligado ao movimento da sustentabilidade.

 

Um marco para isso foi quando, em 2013, o Instituto Royal, São Roque/SP, foi invadido por ativistas após denúncias de maus tratos com os animais. Além dos testes, os animais estariam sendo maltratados, vivendo em lugares sujos, sendo sacrificados e deixados no porão do Instituto. Foram resgatados 178 animais entre cachorros, camundongos e coelhos, o acontecimento gerou comoção e a causa ganhou mais atenção das pessoas.
   

Como identificar um produto cruelty free?

Para facilitar e deixar mais organizado, existem selos que comprovam a ausência de testes e fazem a indentificação do produto como vegano também. Para um produto ser vegano, ele precisa não ter nenhum produto de origem animal e não testar em animais, mas um produto cruelty free não precisa ser vegano. Quando a empresa está em fase de mudança, é comum começar sem os testes e depois, sem ingredientes de origem animal. 

 

ONGS e Instituições criaram os selos para ficarem nas embalagens de cada produto, certificando ser cruelty free e indicando cada uma das suas especificações. Além disso, também é possível encontrar listas com todas as marcas disponíveis. 

 

 

Apenas a verificação das instituições não é suficiente para ter certeza, já que muitas não conseguem verificar todos os ingredientes, não há fiscalização nas fábricas, por isso os consumidores entram em contato diretamente com as empresas para ter uma resposta. 

Para uma marca estrangeira comercializar em alguns países, como a China, é obrigatório o teste em animais para autorização, mesmo se a marca não realizar testes, os produtos serão submetidos ao chegar no país. Assim, nenhuma marca que possua produtos nesses países com obrigatoriedade pode se considerar cruelty free. Em estados como Hong Kong, Tawan e Macau isso não é necessário, os produtos podem ser comercilizados sem ser submetidos a testes.

 

Marcas como Natura, Urban Decay e KVD Vegan Beauty fazem parte de grupos que não são cruelty free e que ainda possuem envolvimento em testes em animais por fazerem partes de grupos que realizam os testes, mesmo que indiretamente. Para ter certeza se uma marca é cruelty free recomenda-se entrar em contato com o SAC de cada uma ou procurar informações sobre a empresa em seu site oficial, a marca Care Beauty, por exemplo, explica em seu site como são feitos os testes dos produtos sem crueldade.


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