14/03/2021 às 04h21min - Atualizada em 14/03/2021 às 04h07min

Semana de Moda em Paris apresenta mais uma temporada digital

Diante do isolamento social provocado pela Covid 19, o público das passarelas parisienses está presente no formato virtual

Danielle Barros - Editado por Clara Molter Bertolot
Reprodução/ Instagram/ @chloe
Antes da pandemia do novo coronavírus, as conversas no mundo da moda já batiam nas teclas de que “as coisas precisam mudar”, ou que “os padrões precisam ser quebrados”, ou que “a primeira fileira está cheia de blogueiras e nenhum especialista na área”. Todo o desdobramento ocasionado pela Covid 19 reforçou o discurso de que o segmento precisava de mudanças, mas agora por outro viés.

Para contextualizar: as semanas de moda são divididas em pret-à-porter - pronto para vestir -, alta costura e masculina, que ocorrem juntas. Ambas acontecem duas vezes ao ano para apresentar coleções para as quatro estações: primavera/verão e outono/inverno. No meio dessas duas temporadas, há ainda a coleção cruise ou resort, que tem como foco a temporada de férias. Essa última foi exatamente uma das modificações (ao menos temporária), nos desfiles de moda devido à pandemia. O isolamento, a quarentena e o lockdown, adotado por quase todo o mundo, reduziu o número de viagens, principalmente as turísticas. Sendo assim, a necessidade de criar coleções focadas nas férias perdeu o sentido. Se esse fosse o menor dos problemas para o universo das marcas e estilistas que desfilam suas criações, ainda seria fácil. Um dos desafios foi pensar em como criar moda para um público em isolamento, com a ausência de espectadores para se vislumbrar e aplaudir todo o glamour das coleções?

A
Semana de Moda de Paris (PFW), teve pela terceira vez, em menos de um ano, que enfrentar essa situação. Mas se em julho do ano passado (2020), a temporada foi de surpresas e testes, a temporada de pret-à-porter, finalizada no último dia 10 de março, já parece ter se adaptado da melhor forma para atrair o público digital. Foram desfiles ao vivo, fashion films e até mesmo drive-ins com convidados selecionados que marcaram essa temporada. Boa parte dos estilistas focou em criar peças no estilo loungewear, mencionando a ideia da pandemia e o acolhimento que as pessoas passaram a ter mais de si e de sua rotina. Só que adaptar as coleções para países que não conseguem permanecer com o devido controle ao vírus pode parecer “um tiro no pé”: juntar conforto, estilo e elegância não estão nas prioridades.
Obviamente, nem tudo que é apresentado em passarelas sai diretamente do mesmo jeito para o cliente. As grandes redes de fast fashion não entregam exatamente aquilo que é exposto pelas maisons. Mas ainda assim, a adaptação pode não ser interessante e a moda tik toker, por exemplo, anda com uma chance bem maior de influência.
Outro ponto importante foi a visibilidade para pautas ambientais e de empoderamento que alguns estilistas expuseram. A Chloé, por exemplo, demonstrou essa preocupação. Não se pode dizer o mesmo da Dior, que não poupou glamour ao produzir um filme inspirado nos contos de fadas.

Resultados positivos e negativos

O formato dos desfiles digitais trouxe algumas vantagens e desvantagens. Quanto aos pontos positivos, pode-se evidenciar a falta de exclusividade, já que qualquer pessoa, de qualquer lugar, que tenha acesso à internet, pode assistir. Imagine quantos estudantes de moda estão tendo a oportunidade de ver isso, quando só podiam ter acesso aos vídeos e imagens horas depois do evento?
Com o imediatismo e a velocidade das redes sociais, e uma maior participação de influenciadores garantindo a cobertura, tudo ficou mais fácil nos últimos anos.

No entanto, é possível apontar desvantagens. A moda se alimenta de coisas palpáveis, isto é, tecido precisa ser visto de perto, a modelagem, a cor... através da tela é possível ter uma percepção da peça, mas não há garantia da mesma sensação que a aproximação do objeto causa. Outro ponto negativo é falta de interação profissional, pois os críticos, naquele momento do desfile, já interagiam uns com os outros. Dali, se geravam inúmeras interpretações e debates, e o resultado para o lançamento de uma coleção de sucesso já era concebida imediatamente. Na internet, por mais que as coisas sejam velozes, é possível que surjam dúvidas e ruídos de informação.

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