19/03/2021 às 12h43min - Atualizada em 19/03/2021 às 12h40min

Pesquisa do Facebook revela os bastidores da desinformação sobre vacinas

Pequenos grupos são os principais responsáveis pela transmissão de conteúdo errôneos e falsos sobre o assunto, afirma plataforma

Thiago Oliveira - Editado por: Celine Almeida
The Washington Post
The Guardian

Uma extensa pesquisa do Facebook revelou que pequenos grupos são responsáveis pela maior parte do conteúdo negacionista relacionado às vacinas que circulam pela plataforma.  

Documentos obtidos pelo jornal The Washington Post, mostram um extenso estudo de bastidores que traz à tona brechas nas políticas públicas e de privacidade da rede e que possibilitam que a informação falsa ou incoerente circule com facilidade. 

A pesquisa nasceu da tentativa de compreender de onde surgem a disseminação de informações que levantam dúvidas sobre a eficácia de vacinas, principalmente contra a Covid-19 e o porquê de mesmo com disponibilidade, as pessoas se recusam a vacinar. 

Como as redes sociais hoje em dia são fontes primárias de informação para milhões de pessoas, saber o que circula por ela é importante para que a desinformação não coloque em risco a vida de quem busca algum tipo de resposta por elas. 

O estudo conseguiu segmentar os usuários, grupos e páginas em 638 segmentos. Desses, 10 continham 50% de todo o conteúdo de incerteza sobre vacinas da plataforma, 111 usuários foram contribuintes para a metade da distribuição dos conteúdos hesitantes sobre a vacina. 

Entre os resultados encontrados, mostram uma ligação de grupos com o grupo QAnon, um dos responsáveis pelos ataques ao Capitólio em 2020, tem envolvimento com a disseminação de afirmações infundadas sobre a vacinação. 

As agências de fact-checking têm se desdobrado para conseguir informar sobre as notícias falsas que circulam nessa época de pandemia. Vacinas com chip, planos globalistas e outras teorias que levam à descrença da população a respeito da eficácia e segurança das vacinas. 

Uma pesquisa do Instituto Datafolha feita em dezembro de 2020 revelou que 22% dos brasileiros não pretendem se vacinar contra a Covid-19, um número muito maior que os 9% de agosto do ano passado. 

 

A desinformação que circula pelas redes sociais se alia a um preconceito com as regiões asiáticas que foram epicentro do Coronavírus. A mesma pesquisa mostrou que 47% dos entrevistados não tomariam a vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, e mais distribuída no Brasil. 

Em relação a outras que são produzidas pelo mundo, a chinesa tem o dobro de recusa pela população em comparação com as da Rússia, Estados Unidos e Reino Unido. 

Por aqui ainda existem as informações insustentáveis sobre os métodos de tratamento precoce defendidos por algumas autoridades que não possuem formação em saúde e são amplamente desmentidos por órgãos e cientistas. 

O Facebook tem trabalhado para barrar o compartilhamento de conteúdo infundado sobre o coronavírus e principalmente sobre a vacinação. Mas o que a pesquisa mostra é que alguns termos difundidos pelos usuários ficam na chamada ‘área cinza’, onde os algoritmos e softwares não conseguem acessar. 

Essas informações podem estar num comentário de alguém que realmente busca sobre se inteirar sobre a vacinação e em postagens cujo objetivo é difundir mentiras. 

“Especialistas em saúde pública deixaram claro que combater a hesitação vacinal é uma prioridade na resposta do Covid, razão pela qual lançamos uma campanha global que já conectou 2 bilhões de pessoas a informações confiáveis e especialistas de saúde e removeu alegações falsas sobre a Covid e as vacinas”, afirmou a porta voz do Facebook, Dani Lever ao TWP. 

Ainda em estágio inicial, estudos como esses devem fornecer a plataforma do Facebook técnicas para barrar a propagação de informações errôneas e infundadas sobre os métodos eficazes de prevenção do Covid-19 e de outras doenças no futuro próximo, já que a empresa vem sofrendo duras penalidades em tribunais internacionais, que criticam a postura da companhia frente a esse problema global. 


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