09/04/2021 às 00h00min - Atualizada em 09/04/2021 às 00h01min

Estudos mostram que cuidar da alimentação melhora a qualidade de vida de pessoas com autismo

Pós-doutor em microbiologia ressalta a importância do cuidado da microbiota intestinal para mitigar e tratar problemas relacionados ao cérebro

Marceli Maria - Editado por Júlio Sousa
Foto: Divulgação lunetas
No ano de 2007, a ONU (Organização das Nações Unidas), definiu o dia 02 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento.  A pessoa com autismo apresenta o desenvolvimento de seu organismo com os mesmos marcadores entre a infância, adolescência e vida adulta de uma pessoa que não é autista, o que muda é o repertório comportamental para lidarem com as relações. Segundo o pós-doutor em microbiologia, Alessandro Silveira, há evidências científicas de que modificar a alimentação melhora a qualidade de vida de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A melhoria na nutrição vem se mostrando cada vez mais importante para a melhora do quadro de autismo, isso porque alimentos saudáveis tornam a microbiota intestinal mais resistente à infecção por doenças. De acordo com o Doutor, há estudos que comprovam que é possível diminuir as manifestações clínicas da criança com autismo e assim melhorar sua qualidade de vida modificando a alimentação e corrigindo a disbiose (desequilíbrio entre bactérias protetoras e agressoras no intestino ou estômago com a produção de efeitos nocivos ao organismo).

O diagnóstico de autismo do filho foi preponderante para que Alessandro Silveira escrevesse o livro “O lado bom das bactérias – O poder invisível que fortalece sua defesa natural para ter uma vida mais feliz e longeva”, que está sendo lançado pela Editora Gente. A descoberta do transtorno de Vitor Hugo e seus desdobramentos foram responsáveis pela primeira quebra de paradigma experimentada por Silveira.

 
“Minha área de atuação é medicina diagnóstica. Eu estava habituado com os padrões e estes me davam certezas e resultados confiáveis. Para quem estava acostumado com o pensamento linear era aterrorizante pensar em deixar os padrões de lado”, relata.

Em uma das primeiras consultas médicas, logo após o diagnóstico de autismo do filho, Alessandro foi alertado que os parâmetros a partir dos quais ele deveria pensar sobre seu filho deveriam ser diferentes. Vitor Hugo viveria outros padrões de felicidade e Silveira deveria entender e aceitar essa condição para não se frustrar. Os indivíduos com déficits nos comportamentos possuem dificuldades na comunicação e na interpretação das relações, sendo mais um agravante para manter vínculos duradouros e trocas emocionais bem interpretadas.

Pessoas com TEA, dependendo do grau, podem processar as informações em partes, o que limita a sua capacidade de perceber uma situação como um todo. Ou ainda, podem possuir dificuldades de desenvolver raciocínios subjetivos ou abstratos e, por isso, entendem o que está sendo falado de forma literal.

Uma pessoa com autismo também pode ter a característica de captar os estímulos do mundo de forma hipersensível ou hipossensível e, assim, ter menos ou mais tolerância para escutar um volume de som mais alto, ou ainda pode sentir mais ou menos dor que o esperado, quando é machucado. Esses são apenas alguns exemplos de características comuns presentes em pessoas com TEA, mas é importante ressaltar que os indivíduos manifestam os sintomas de maneiras diferentes entre si.

Silveira relata que tinha ciência de que o comportamento e crises – muitas vezes agressivas – daquele com TEA é estimulado por gatilhos. Mas que não sabia identificar esse gatilhos em seu filho, e por isso passou a estudar para entender como poderia ajudá-lo. Ele detectou que seu filho apresentava um gatilho associado à alimentação.

Ele explica que o açúcar traz uma sensação momentânea de saciedade e felicidade tão grande que leva a pessoa a consumir mais do alimento como forma compensatória. A substância, porém, beneficia uma população de bactérias nocivas que acabam enfraquecendo o intestino, desencadeando um processo inflamatório que, via hormônios, repercute no sistema nervoso central.

 
“Eu, que venho de uma linha de antibiose, ou seja, de que é necessário matar as bactérias, percebi que nestes microrganismos pode estar a solução do nosso problema. Os neurologistas estão falando cada vez mais sobre isso, sendo impossível atualmente dissociar o sistema nervoso da alimentação”, explica.

Nesse sentido, Silveira passou a cuidar da alimentação e da saúde intestinal de seu filho e obteve resultados satisfatórios. Foram adotadas estratégias alimentares simples, com algumas suplementações, que auxiliaram na melhora de sua qualidade de vida. Não apenas crianças diagnosticadas com TEA podem se beneficiar da boa alimentação.

Em seu livro Silveira relata o caso do sr. Werner, empresário, 62 anos de idade. Em 2012, sr. Werner foi diagnosticado com Síndrome de Asperger, um estado do TEA, e percebeu que muitos de seus comportamentos antissociais e de hipersensibilidade estavam relacionados à alimentação. O pós-doutor em microbiologia ressalta a importância do cuidado da microbiota intestinal para mitigar e tratar problemas relacionados ao cérebro.

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