09/04/2021 às 10h22min - Atualizada em 09/04/2021 às 10h18min

Pessoas do grupo sanguíneo tipo A têm maior chance de infecção pela Covid-19?

A maior parte da população brasileira é do tipo O, seguido do A (ambos entre 40-50%), B e AB (ambos com menos de 10%)

Giovanna Carvalho - Editado por: Celine Almeida
Foto: Banco de Imagem

Desde o começo da pandemia do Sars-CoV-2, várias pesquisas foram feitas ao redor do mundo para saber como proteínas do novo coronavírus interagem com proteínas de células humanas antes de infectá-las, porém, até hoje, a comunidade científica não entrou em consenso sobre a resposta dessas pesquisas. 

Pesquisas 

A pesquisa publicada em março deste ano na revista científica Blood Advances foi positiva. O Covid-19 mostrou uma "forte preferência" em se ligar a proteínas que só o tipo sanguíneo A tem, particularmente aquelas presentes nas células respiratórias nos pulmões. O mesmo não foi observado em células dos tipos sanguíneos B ou O. 

Outro estudo publicado no mesmo mês, no periódico científico Annals of Hematology, fez uma revisão da literatura com base em 23 pesquisas de associação entre os tipos sanguíneos e o novo coronavírus. E foi concluído que o maior risco de suscetibilidade à infecção está nos indivíduos do tipo A e AB, enquanto o tipo sanguíneo O tem menor risco de doença grave ou morte.  

Entretanto, não se deve ter preocupações acerca disso, já que os próprios cientistas alertam que resultados assim são preliminares e não há consenso sobre essa associação do vírus e os tipos sanguíneos. Os resultados foram variados. 

Podemos ver isso em outro estudo, publicado no periódico Journal of the American Medical Association (JAMA), na última segunda, dia 5, mostrou que não foram encontradas associações entre grupo sanguíneo A e a doença. 

Quase impossível 

O médico Sean R. Stowell, em conversa com a BBC News Brasil, disse que outros fatores influenciam a infecção e agravamento do coronavírus, e vai além do grupo sanguíneo. Ele fala também que é possível imaginar o tipo de estudo ideal para responder à questão, mas que seria improvável de ser realizado, sendo assim quase impossível saber com certeza se o tipo sanguíneo influencia ou não. 

“Seria justamente uma análise da exposição ao vírus entre pessoas com diferentes tipos sanguíneos. Entretanto, um estudo assim seria completamente antiético e, portanto, nunca será feito. Como consequência, nos restam estudos de correlação e experimentos em laboratório com o vírus” diz o médico. 

Somado a isso, ainda devemos levar em consideração que a variação da frequência dos grupos sanguíneos entre as diferentes populações e a forma como os estudos são estruturados dificultam a formação de um consenso sobre a questão.  

Os resultados diferentes dos estudos podem estar ligados a uma série de fatores como heterogeneidade de associações entre os tipos sanguíneos, histórico genético, geografia das amostras e as cepas virais consideradas. 

Pesquisadores falam que não há motivo para se preocupar, pois não é possível dizer se uma pessoa está mais protegida ou não, e o cuidado e a prevenção devem ser os mesmos de sempre. 

 


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