23/04/2021 às 20h35min - Atualizada em 23/04/2021 às 20h11min

Clima tenso entre Rússia e Ocidente

Rússia e as Estados Unidos disputam por influência na Europa. Enquanto a Alemanha busca o diálogo

Leonardo Leão - Editado por Maria Paula Ramos

 As relações entre Rússia e as potências ocidentais nunca foram muito pacíficas, mas ultimamente a tensão entre eles vem aumentando consideravelmente. Os interesses desses países são conflitantes em diversos assuntos, como a interferência dos russos em seus vizinhos do leste europeu e a crescente preocupação dos EUA em perder sua influência no velho continente.

 Um bom exemplo desse conflito de interesses, é o caso envolvendo a construção de um segundo gasoduto no Mar Báltico, chamado Nord Stream 2, ligando diretamente Rússia à Alemanha. O projeto custou 9,5 bilhões de euros e já está sendo finalizado. Vale lembrar que os russos possuem a maior reserva de gás natural no planeta e os alemães são os maiores consumidores de energia na Europa.

 Devido ao projeto de desnuclearização alemão, o país foi forçado a aumentar seu consumo de gás para a produção de energia. A Alemanha consome 90 bilhões m³ de gás natural por ano e pode chegar a 110 bilhões m³ em 2034. Sua dependência pelo gás russo atualmente é de 40%. Em países como Romênia e Finlândia essa dependência é de 100%.


 A Rússia não se importa em utilizar seu gás como arma política, através de cortes no fornecimento para países que se opõem a eles - como ocorreu na Ucrânia em 2006 e 2009. Esses cortes podem prejudicar outros países, afinal o mesmo gasoduto que abastece a Ucrânia também fornece gás à Alemanha. Mas tudo mudou em 2012 quando foi concluída a construção do primeiro Nord Stream.
 
 Porém, a demanda por energia na Alemanha vem aumentando ano após ano, tornando necessária a criação de um novo gasoduto. Essa construção é uma solução para que os alemães não sejam mais prejudicados com os cortes. Com isso a Rússia poderia interromper o fornecimento de gás aos ucranianos sem afetar o resto dos países europeus. Fazendo da Ucrânia uma refém.

 

Sete países europeus e os Estados Unidos se opõem à essa construção desde o início. Os americanos utilizam sanções econômicas para prejudicar a implantação do gasoduto. O Partido Republicano exige que Joe Biden intensifique essas sanções, estendendo para as empresas alemãs.

 Depois da tentativa de assassinato de Alexei Navalny, opositor de Vladimir Putin, a França entrou no grupo de países contrários ao Nord Stream 2, por questões de direitos humanos. A primeira ministra alemã, Angela Merkel, também demonstrou preocupação com a saúde de Navalny, mas reiterou a importancia de continuar sua relação com a Rússia.
 
 Os EUA tem interesse em vender seu gás natural para a Europa, mas transporta-lo de forma líquida em navios é um processo complexo e portanto, mais caro. Mas os alemães não demonstram interesse em cortar relações com os russos. Mesmo com todos os empecilhos, a construção do gasoduto já está na fase final, faltam menos de 150 km para sua conclusão.
 
Um jogo perigoso
 
 
A Ucrânia é sem dúvidas o palco principal dos conflitos entre as potências ocidentais e a Rússia. O movimento de tropas militares russas próximo da fronteira com a Ucrânia e de navios de guerra americanos são indícios de um jogo perigoso entre essas potências militares. Essas movimentações causaram preocupações aos países do bloco europeu. As tensões entre Rússia e Ucrânia serão um dos temas discutidos na cúpula presencial da União Europeia no dia 25 de maio, em Bruxelas.
 
 Tanto Rússia quanto Ucrânia já expulsaram diplomatas um do outro. O serviço secreto russo acusou o diplomata ucraniano, Oleksandr Sosoniuk, de tentar obter informações confidenciais do governo. A tensão entre os países deve seguir por mais tempo, afinal, a Ucrânia também sofre com conflitos no leste de seu território contra separatistas pró-Rússia.
 
 Por outro lado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, já demonstrou seu desejo por negociações de paz. Já Biden pretende se reunir com Vladimir Putin para conversar com mais calma. A Rússia também já iniciou a retirada das tropas da fronteira nessa sexta-feira, que contavam com 10 mil soldados, quase 40 navios, a Aeronáutica, além de defesa antiaérea e tropas aerotransportadas.
 
 Mas isso não quer dizer que Putin recuou, tudo isso faz parte de um jogo arriscado em que ele não deseja sair perdedor. A Rússia já expulsou 10 diplomatas americanos, impôs sanções e ultimamente vem se aproximando cada vez mais da China. O clima está tenso e abre espaço para opiniões pessimistas em relação ao futuro.

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