31/05/2019 às 14h28min - Atualizada em 31/05/2019 às 14h28min

Caos no Transporte Público

Viagens longas, custo alto, rotina desgastante são apenas algumas das reclamações dos usuários.

Eva Oliveira - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
Utilizar o transporte público na cidade do Rio de Janeiro tem sido uma tarefa difícil para muitos moradores. Engarrafamentos intermináveis, ônibus sucateados e superlotados além falta de segurança. Para percorrer os 40 km até a faculdade, o estudante Lorran Matheu, 19, morador do bairro Cosmo, na Zona Oeste da cidade, começa o dia às 5h. “Todos os dias eu caminho cerca de 3 km até à estação ferroviária. Um trajeto que antes durava cerca de 50 minutos, atualmente se estende para 1h20 devido às alterações feitas na linha do trem Supervia. Se o fizesse de ônibus, o tempo aumentaria para 2h30 de viagem”, explica o estudante. As péssimas condições do transporte na cidade também é um fator importante. “Esse tempo perdido desde o deslocamento até a faculdade poderia estar sendo investido em cursos, estágios, projeto entre outras coisas que ajudariam na minha formação acadêmica, mas o péssimo estado do transporte público no Rio de Janeiro não me dá essa opção”, acrescenta o estudante.
 
O transporte público carioca pede socorro!
 
Viagens longas, baldeação, custo alto, rotina desgastante, bancos soltos além de janelas e ar condicionados quebrados. Essas são apenas algumas das reclamações dos usuários. “Mesmo com a passagem em R$ 4,05 – o serviço oferecido é péssimo”, conta a usuária Letícia Silva. Em 2018 o Ministério Púbico do Rio de Janeiro entrou com uma ação na 5º Vara de Fazenda Pública carioca denunciando um esquema irregular envolvendo as gratuidades nas passagens concedidas a estudantes idosos e pessoas com necessidades especiais em ônibus intermunicipais. Segundo a denúncia feita pelo Ministério Público da cidade, em 2008 o então governador Sergio Cabral repassou recursos para a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). Segundo as investigações, esses recursos serviriam para subsidiar as gratuidades dos estudantes e idosos. Com o repasse, a Fetranspor receberia duas vezes. Uma através do pagamento realizado pelos usuários nas tarifas estabelecidas pelo Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (Detro-RJ) e outra, oriunda do governo do estado através de faturamento de pequenas e médias empresas conhecidas como aportes financeiros. O esquema gerou um rombo nos cofres do estado de R$ 512 milhões de reais. Toda a fraude foi admitida este ano pelo ex-governador do Estado, Sérgio Cabral, preso deste novembro de 2016.
 
Falta segurança nos trens

A situação dos trens que cortam a cidade não é diferente. Usuários reclamam constantemente da falta de segurança na via. “Como diversas estações passam dentro das comunidades, é comum a paralisação dos ramais por conta dos tiroteios”, conta a dona de casa Maria Eulália. No início do mês, o ramal Santa Cruz foi interrompido na altura da estação Padre Miguel devido a uma troca de tiros na região. A falta de informações assustou os passageiros, que tiveram de permaneceram na plataforma por aproximadamente 30 minutos, até a normalização. Os trens circulavam de Realengo à Central do Brasil e de Bangu à Santa Cruz.
Na última terça-feira (21), outro tiroteio levou pânico aos passageiros interferindo na circulação dos trens da estação Triagem, na Zona Norte da cidade. Segundo o Grupamento de Polícia Ferroviário (GPFer), três homens foram presos.
 
Pior do mundo
 
O Rio de Janeiro é apontado como a cidade com o pior transporte público do mundo, de acordo com a pesquisa feita pelo Instituto Expert Market, dos Estados Unidos, entre as 74 cidades avaliadas. O relatório foi feito com base no tempo de viagem, distância percorrida, tempo de espera nos pontos de ônibus, baldeações e custo mensal de passagens.


Editora-chefe: Lavínia Carvalho. 
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