30/04/2021 às 00h00min - Atualizada em 30/04/2021 às 00h01min

Aumento no número de casos de infarto precoce demanda ações preventivas

Médico explica o porquê do aumento de casos e alerta para as principais causas de infarto em jovens, como obesidade e estresse

Marceli Maria - Editado por Júlio Sousa
Foto: Ativo Saúde
Os infartos em jovens vêm crescendo 2% a cada ano nos últimos 10 anos, segundo um estudo publicado em 2019  pela American College of Cardiology. Além disso, dados do estudo mostram que infartos em pacientes jovens possuem maior chance de serem fatais. O risco entre os jovens abaixo dos 50 anos é maior entre os homens. Contudo, após passarem pela menopausa, as mulheres apresentam aumento relativo da possibilidade de sofrer um infarto, aproximando-se estatisticamente dos homens da mesma faixa etária.

O infarto fulminante acontece quando o fluxo sanguíneo para o coração sofre um impedimento súbito. Isso pode acontecer por causa de questões genéticas, aumento da pressão arterial ou mesmo por alteração dos vasos sanguíneos por causa de arritmias graves. Por ser um quadro que evolui com muita rapidez, quase 50% dos casos levam ao óbito antes da chegada de um atendimento especializado.
 
“Por ser um órgão com metabolismo bastante intenso, o coração sofre rapidamente quando seu fluxo de sangue e nutrientes é interrompido e, nessa idade, o tempo entre o início da doença e a ocorrência do infarto é curto, não demandando tempo hábil para desenvolver a "circulação colateral" tornando maior a chance de o indivíduo jovem apresentar uma falência cardíaca letal”, explica o Dr. Thiago Librelon Pimenta, Cardiologista do Hospital Albert Sabin de SP (HAS).

O Dr.Thiago Pimenta também esclarece que pensar que os jovens têm uma saúde mais forte por causa da idade não é correto. Cada corpo tem uma resposta, que está relacionada ao cuidado que cada pessoa tem com ele. Os jovens podem sim apresentar mais vigor físico para suportar e superar um infarto. Mas não tem a circulação colateral, que é uma proteção que o corpo desenvolve a partir dos 40 anos, um caminho alternativo para que o sangue alcance a região enfartada.

O entupimento das artérias acontece de forma gradativa durante os anos como forma de reflexo dos maus hábitos alimentares, tabagismo e sedentarismo. Contudo, o coração procura outros caminhos para fazer com que o sangue circule por ele. Logo, quando acontece o infarto, por mais que as artérias principais estejam impedidas, há estes outros vasos capazes de deixar com que o sangue circule até a chegada de um socorro especializado. Como os jovens não têm este mecanismo, as chances de falecimento por causa do infarto são maiores.
 
Em jovens, a principal causa de infarto é a formação de placas ateroscleróticas - inflamação, formação de placas de gordura, cálcio e outros elementos na parede das artérias do coração - formadas nas paredes dos vasos que levam sangue ao coração, impedindo a circulação de oxigênio e nutrientes vitais para o bom funcionamento cardíaco.

 
“Sedentarismo, dieta com abundância de gorduras animais, tabagismo, estresse, doenças como colesterol alto, hipertensão arterial e diabetes são os principais fatores que contribuem para ocorrência de infarto em pacientes jovens”, diz o Dr. Pimenta.

A recuperação após o infarto nessa idade é bastante variável, assim como as sequelas que poderão persistir. O aumento nos casos de infarto fulminante em jovens também está relacionado aos novos hábitos de vida adquiridos por eles. Hoje, grande porcentagem está obesa ou acima do peso correspondente à idade e altura. Além de estarem diabéticos, hipertensos e vivendo sob altas taxas de estresse, que tem sido hoje um dos maiores causadores de doenças cardiovasculares.
 
“A adoção de hábitos de vida saudáveis, com alimentação regrada, 50 minutos de atividade física por, pelo menos, três vezes na semana, dormir bem e evitar o tabagismo, o uso de drogas ilícitas e o excesso de álcool são importantes sugestões para a redução dos riscos. Visitas frequentes ao cardiologista, com o intuito de prevenção e psicólogos para tratar eventuais transtornos como ansiedade e estresse”, conclui o médico do HAS.
 

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