11/05/2021 às 15h38min - Atualizada em 11/05/2021 às 15h45min

Na.Mosca: Aplicativo no estilo “Tinder pet” une abrigos de animais de 5 estados brasileiros e facilita adoções na pandemia

Com 10.000 downloads em 30 dias, app disponível em municípios do RS, RN, MG, PR e AL busca combater o abandono, combinando pessoas e animais com perfis parecidos

Dara Russo - Editado por Maria Paula Ramos
App Na.Mosca

Criado em Porto Alegre e lançado oficialmente no início de abril, o aplicativo “Na.Mosca” é uma iniciativa inovadora com o objetivo de unir instituições de proteção animal de todo Brasil. A adoção de animais é viabilizada por meio da combinação de perfis em uma dinâmica similar aos famosos aplicativos de paquera e namoro. O interessado abre o programa, cria o seu perfil e faz uma busca por aquele ou aquela com quem mais combina. “A diferença é que, no Na.Mosca, os perfis serão criados por pessoas interessadas em adotar e o “match” será com animais de estimação que precisam de um lar e se encaixam nas expectativas e rotina informadas pelos adotantes”, explica Patrícia Leite, voluntária do abrigo belo-horizontino Balaio de Gato, que faz parte da rede de ONGs cadastradas no app.

    Quem idealizou o programa foi a porto-alegrense Márcia Messa, que é voluntária no abrigo Bendito Bicho há seis anos. Inspirada pela metodologia de adoção da organização, que tem uma taxa de devoluções de animais menor que 1%, ela decidiu compartilhar o processo com outras ONGs. Ela afirma que a fotografia do animal é um elemento que ajuda muito no processo de adoção, mas o aplicativo busca unir dono e pet com estilos de vida parecidos. “A ideia do aplicativo é trabalhar a conscientização das pessoas para que elas adotem por perfil e não porque elas querem um cachorrinho porte P, ou porque elas querem um cachorrinho branquinho, ou um cachorrinho fêmea”. Dessa forma, seu objetivo principal é ajudar a ampliar e agilizar as adoções de pets e deixá-las mais certeiras, acertando “na mosca”.


Abandonos e devoluções de animais têm aumentado

Com a suspensão das feiras de adoção, o número de animais sem um lar aumentou durante a pandemia, gerando um acúmulo de cães e gatos nos abrigos e ONGs. “A criadora do projeto trouxe esse aplicativo num momento muito importante para o abrigo”, afirma Patrícia. Ao início do isolamento social, a solidão das pessoas em suas casas, fez com que o abrigo Balaio de Gato presenciasse um aumento nas adoções. “Entretanto, com a extensão do período pandêmico e o aumento do desgaste mental, emocional e financeiro das pessoas, está havendo aumento do abandono de animais e devolução de animais adotados”, explica a voluntária. “As pessoas andam um pouco menos pacientes”, completa

Mantido apenas com trabalho voluntário e doações, o Balaio de Gato, que foi criado em 2012, abriga hoje cerca de 200 animais e ainda não teve nenhum adotante através do aplicativo. “O que tem acontecido são matches: adotantes entram em contato conosco, dão match lá no aplicativo, no bichinho e por algum motivo nenhuma adoção ainda se concretizou”, relata Patrícia. Ela explica que a maior parte das adoções não se concretiza devido à recusa de muitos interessados em pagar a taxa de adoção da instituição (R$ 120 para filhotes e R$ 180 para adultos), que é um valor simbólico para ajudar nos custos com castração, remédios, exames e vacinação dos animais. “A questão da taxa de adoção é o que a gente tem pra fazer um balizamento: será que vão cuidar?”, completa. 

Adoção e conscientização ao redor do Brasil

    Uma característica importante para os projetos que fazem parte do aplicativo é a conscientização. Todas as ONGs incluídas no Na.Mosca também realizam projetos de orientação à população quanto à causa animal. “Nós precisamos muito ter a certeza que aquele projeto é realmente focado na adoção, porque o que a gente quer muito é conscientizar sobre o processo de adoção que é: adotar, não comprar, e quando adotar, adotar de forma correta e consciente”, pontua Márcia. Hoje, o app está presente nos estados do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Alagoas, mas há previsão de expansão. Uma ONG interessada pode entrar em contato com o aplicativo ou ser convidada por seus idealizadores. “Podem ser capitais, interior, não importa, o que a gente quer é que todas as cidades possam ter animaizinhos disponíveis para adoção e de forma responsável”, completa a criadora do app.

    Para uma melhoria em seu alcance e funcionamento, o aplicativo precisa de apoiadores e patrocinadores. Os anunciantes pagam uma taxa pelo marketing, mas o anúncio para as protetoras é gratuito, independentemente de quantos animais são divulgados para adoção. “Funciona como uma troca: ao mesmo tempo em que os abrigos anunciam seus animais para adoção, os patrocinadores de cada abrigo podem anunciar seus produtos e serviços, em geral, voltados aos animais, explica Patrícia”. Além disso, o Na.Mosca tem o intuito de direcionar 10% de seu lucro para as ONGs cadastradas.

Finais felizes e rede do bem

    Isabela Giongo é de Porto Alegre, e conheceu sua nova melhor amiga de quatro patas, a Guria, através do app. “Eu sempre tive cachorro em casa, desde pequena, ano passado, saí da casa dos meus pais e comecei a sentir muita falta de um pet, mas sabia que precisava fazer de forma responsável”, conta. Através da ONG Bendito Bicho, ela ofereceu um lar temporário para um cachorro, que foi adotado e, mais tarde, para Guria. Ela logo se apegou e finalizou a adoção através do Na.Mosca. “É interessante como o primeiro questionário faz com que os usuários pensem bem na decisão de uma forma leve e, ao mesmo tempo, responsável. eu adorei”, afirma.

    Mesmo com pouco tempo de lançamento, o Na.Mosca já conta com mais de 30 matches, ou seja, pessoas interessadas e que estão em processo de adoção em todas as ONGs cadastradas, além de aproximadamente 10 adoções já concretizadas. Outro ponto positivo proporcionado foi a criação de um canal de comunicação entre as protetoras de todo o país. Agora, representantes das organizações podem trocar experiências, criando uma grande rede do bem.

 

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