04/06/2021 às 03h59min - Atualizada em 04/06/2021 às 03h23min

Abelhas podem ser usadas como teste rápido para Covid-19

Os insetos conseguiram detectar a infecção na fase aguda ao sentir o cheiro do vírus

Carlos Germano - Editado por: Celine Almeida
Folha de S. Paulo e Revista Superinteressante
InsectSense/Wageningen University

Uma pesquisa realizada pela startup InsectSense e a Universidade de Wageningen, nos Países Baixos, está treinando abelhas para detectar amostras de animais com Covid-19. Os cientistas estão utilizando fluidos corporais de visons (mamíferos parentes das doninhas) e humanos, saudáveis ou contaminados pelo Sars-CoV-2.

 

De acordo com os pesquisadores, os insetos podem atuar como um tipo de teste rápido e barato para detectar o vírus na fase aguda. Ao todo, mais de 150 abelhas foram treinadas para diferenciar a amostra infectada da amostra saudável.

 

Os cientistas estão usando como referência um estudo realizado na Alemanha e publicado na revista científica BMC Infectious Diseases, onde oito cachorros treinados conseguiram identificar corretamente as amostras de Covid-19 em 94% dos casos.

 

As abelhas, por sua vez, conseguem encontrar uma determinada flor a quilômetros de distância apenas por sentirem o seu aroma. Devido a isso, elas foram escolhidas para a composição do estudo.

 

No protocolo, toda vez que os insetos eram expostos a uma amostra contaminada, os cientistas ofereciam uma solução de água com açúcar, e os insetos esticavam a língua para sentir o líquido doce.




 

Essa dinâmica foi repetida várias vezes, até que as abelhas ficaram condicionadas a estender a língua toda vez que sentissem o cheiro do coronavírus, esperando pela água com açúcar mesmo que ela não viesse.

 

Em comunicado, os pesquisadores relataram que os insetos foram capazes de distinguir as amostras de animais infectados das de animais saudáveis com poucos resultados falsos, mas não especificaram a porcentagem de precisão que teria um teste feito usando os animais. Já em amostras de secreções humanas, foi apontada a mesma performance.

 

Segundo a equipe, o método poderia ser utilizado como uma forma de detecção imediata em locais com poucos recursos ou que não possuem laboratórios para realizar o teste RT-PCR, considerado o padrão-ouro para o diagnóstico da Covid-19.

 

"Abelhas estão disponíveis globalmente, então a única coisa de que as pessoas precisam é uma máquina para treinar os insetos. A InsectSense já desenvolveu protótipos de um aparelho que pode automaticamente treinar várias abelhas ao mesmo tempo e um biossensor que coloca as abelhas para fazer o diagnóstico. Essa tecnologia pode ser um sistema de diagnóstico muito efetivo para países mais pobres que enfrentam dificuldades no acesso a infraestrutura e tecnologias", escreveram os pesquisadores.

 

Os estudos que colocam cães e abelhas para cheirar o Sars-CoV-2 demonstram que há formas alternativas e baratas de levar ferramentas de combate ao vírus em lugares mais carentes e sem assistência básica de saúde.

 

O vison foi escolhido por ser passível ao novo coronavírus. Casos de Covid-19 desses animais foram registrados na França, Holanda, Espanha e outros países europeus. A Dinamarca, por exemplo, decidiu sacrificar todos os 17 milhões de animais criados no país para evitar o surgimento de novas variantes.

 

Fonte: Folha de S. Paulo e Revista Superinteressante


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