20/06/2021 às 14h40min - Atualizada em 20/06/2021 às 14h24min

Flexibilizar o uso de máscara não é recomendado

O Brasil não tem cobertura vacinal o suficiente, e estamos no inverno, quando as infecções respiratórias aumentam.

Marina Miano Cardoso - Editora Maria Paula Ramos
Jair Bolsonaro quando fala que solicitou o parecer para flexibilizar o uso de máscara. Créditos: Fabio Rodrigues/Agência Brasil

Durante o seu discurso no lançamento de programas do Ministério do Turismo, em 10/06, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que solicitou um parecer ao Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para que se estudasse uma possível flexibilização do uso de máscaras para pessoas já vacinadas ou que já foram contaminadas pela Covid-19. 

 

No mesmo dia, durante a sua transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro voltou a tocar no assunto, disse que não impôs nada a Queiroga

 

"Eu falei com o Queiroga agora. Não impus nada a ele. Se bem que também tenho que dar minhas piruadas aí, no bom sentido. 'É possível a Saúde apresentar um estudo aí da desobrigatoriedade da máscara para quem já foi vacinado ou para quem já foi contaminado e curado, poxa?'. Ele falou: 'É possível, é possível'. Vamos fazer isso. Vamos ficar reféns de máscara até quando? Está servindo para multar gente, pessoal. Está servindo para multar. Eu fui ameaçado agora de multa em São Paulo", disse. 

 

Ao contrário do que se recomenda os especialistas, que se baseiam nos números para avaliar a situação do país. De acordo com os últimos dados divulgados pelo consórcio de veículos de imprensa a partir dos números das secretarias estaduais de Saúde (20/06), o Brasil já aplicou 86,9 milhões de doses - 62.706.083 pessoas já tomaram a primeira dose e 24.243.552 a segunda - e 500 mil mortes. 

 

Outro ponto que preocupa, e por isso não se recomenda a desobrigação do uso de máscara, é que estamos no inverno, período no qual as doenças respiratórias aumentam, comentou o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo ao portal G1.

 

Por que não devemos comparar o Brasil com outros países? 

 

Apesar de termos antecipado o calendário de vacinação em São Paulo, por exemplo, o país como um todo está sem controle da transmissão do novo coronavírus, o número de imunizados não é o ideal, e cada região é uma realidade diferente.  

 

Nos Estados Unidos e na Europa já se discute e começa a relaxar um pouco o uso de máscara, pois os níveis de contágios estão baixos, mortes, variantes em circulação, e uma ampla cobertura de vacinação. 

 

Os EUA, por exemplo, anunciou em abril por meio do Centro de Controle de Doenças (CDC) a flexibilização do uso de máscaras em locais abertos, após cerca de 37% da população estar com a vacinação completa, e 60% com pelo menos a primeira dose

 

Em nosso país, as pessoas que receberam a primeira dose representam 29,61% e as que tomaram a segunda, 11,45%

 

Passo a bola

 

Mesmo o presidente Jair Bolsonaro insistir que solicitou ao Ministro da Saúde um estudo para desobrigar o uso de proteção para o coronavírus, afirmou que a decisão final cabe a Marcelo Queiroga. 

 

O mandatário ainda citou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que deu autonomia aos estados no combate à pandemia, para declarar que também cabe a governadores e prefeitos a palavra final sobre o assunto. 

 

O importante é: para que o Brasil possa seguir outros países e relaxar um pouco o uso de máscara, a vacinação precisará ser ampliada igualmente a todos os estados, e muito estudo deverá ser realizado para que isso seja feito com cautela.

 

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