25/06/2021 às 15h14min - Atualizada em 25/06/2021 às 12h57min

Brasil assina acordo de cooperação do programa Artemis, que levará a primeira mulher à Lua

Isabella Baliana - Editado por Manoel Paulo
Foto:NASA/MSFC

Em cerimônia ocorrida no dia 15 de junho no Planalto, o Governo Federal oficializou a participação do Brasil no programa espacial Artemis, da agência espacial norte-americana Nasa, que pretende levar a primeira mulher e a primeira pessoa negra à Lua em 2024. O Brasil é o 12º do mundo a aderir ao acordo, e o único país da América Latina a entrar na lista de participantes.


O programa Artemis, que leva esse nome em referência à deusa grega irmã de Apollo, além de voltar a fazer voos tripulados para a Lua, tem como objetivo o desenvolvimento da exploração pacífica do espaço e da superfície lunar pelas nações aderidas. Vale lembrar que a última vez que um humano pisou na Lua, o único satélite natural do planeta, foi com a missão Apollo 17, em dezembro de 1972. 
 

A missão funcionará em fases: a primeira, ainda em 2021, deve promover o teste do novo foguete SLS, com a cápsula Orion, voando um mês ao redor da Lua, mas sem tripulação. A segunda repetirá a mesma viagem em 2023, mas agora com astronautas à bordo. Finalmente, em 2024, a viagem será pilotada manualmente pelos astronautas e, comprovada a segurança no manuseio, eles pousarão na Lua. 

 

Serão 18 astronautas norte-americanos que integrarão o primeiro voo da missão, sendo que, nos seguintes, os países signatários poderão encaminhar seus astronautas. O programa usará tecnologias inovadoras e contará com a colaboração de parceiros comerciais e internacionais para realizar uma exploração sustentável pela primeira vez. Para a agência, este será um primeiro passo para um salto ainda maior futuramente: enviar astronautas a Marte.

 

Na cerimônia do acordo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “o Brasil tem um potencial enorme” e está “alinhado com o mundo” ao aderir ao programa. "Desejamos a paz, o progresso e o desenvolvimento. Podem contar com o povo brasileiro, com o governo federal e com as instituições” declarou.

 

Também presente na cerimônia, o astronauta e ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, destacou que a participação do Brasil no programa Artemis se estenderá de forma benéfica também às próximas gerações. "Haverá o engajamento de universidades, a preparação de novos pesquisadores, centros de pesquisa. Serão oportunidades muito grandes a medida em que o Brasil se aprofunda nesse programa. Isso, finalmente, abre caminhos para os jovens", disse. 

 

Mulheres no espaço

 

Atualmente a Nasa possui 12 astronautas ativas, que já trabalhavam na agência espacial e outras cinco recém-formadas. A astronauta que participará da missão Artemis e será a primeira mulher a ir à Lua ainda não foi escolhida, mas a preferência deve ir para para alguém que já foi até a Estação Espacial Internacional, na órbita terrestre. 

 

A primeira mulher a ir para o espaço foi a astronauta russa Valentina Vladimirovna Tereshkova, que orbitou a Terra por três dias em 1963. Desde então, apenas 63 outras mulheres realizaram o mesmo feito, 11% do total de 533 astronautas que visitaram o espaço ao longo dos anos.

 

Além da visível falta de representatividade nesta área, outro fator que limita a ida das mulheres ao espaço é a pouca quantidade de pesquisas científicas sobre como o corpo feminino reage às viagens e os possíveis danos que podem ser causados. De acordo com a médica e fisiologista britânica Varsha Jain, uma das primeiras acadêmicas a pesquisar a saúde da mulher no espaço e autoridade no tema, embora a adaptação geral ao ambiente espacial seja aproximadamente a mesma para homens e mulheres, existem sim algumas diferenças importantes. 

 

Segundo a doutora, "as mulheres são mais propensas a se sentirem mal quando vão ao espaço, e os homens são mais propensos a sofrer na reentrada ao voltar à Terra". Além disso, "os homens têm mais problemas de visão e audição quando voltam", mas "quando as mulheres voltam, elas têm mais problemas para controlar a pressão arterial, o que pode levar a desmaios". 

 

Outro ponto muito trabalhado pela especialista diz respeito ao período menstrual das astronautas quando estão em missões. De acordo com a doutora, o sangue da menstruação é considerado resíduo sólido e, diferentemente dos resíduos líquidos, não pode ser reciclado, assim, toda a água misturada com o sangue é descartada. 

 

Além disso, há as limitações na execução da higiene das astronautas nesse período, já que precisam se limpar sob os efeitos da gravidade zero. Por essa razão, muitas optam pela utilização de anticoncepcionais para interromper o fluxo. “Uma das partes do meu trabalho foi pesquisar outras maneiras de as mulheres pararem de menstruar para ver se métodos como o dispositivo intrauterino (DIU) poderiam ser mais eficazes” explicou a dra. Varsha. 

 

Estudos seguem em andamento para a verificação se as diferenças são por causas hormonais ou outras mudanças fisiológicas que possam ocorrer. Fato é que essas questões não devem ser um empecilho para a ida das astronautas nas viagens espaciais, mas um incentivo para a produção de mais conhecimento sobre técnicas e tratamentos que possam facilitar e melhorar suas experiências. “A longo prazo, a compreensão dessas diferenças nos ajudará a entender mais sobre a saúde humana na Terra”, afirmou a médica. 

 

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