29/06/2021 às 21h33min - Atualizada em 27/06/2021 às 20h04min

Arte reflete na influência do universo da moda

Estilistas e designers conectam a arte para realizar suas criações

Danielle Barros - Editado por Yuri Anderson
Foto: Reprodução/ Unplash
Quando pensamos em arte, provavelmente, uma das primeiras ideias que nos vêm à mente é uma tela pintada por Van Gogh ou uma intervenção artística realizada em um museu. Porém, na moda, a influência artística é comum e pode estar presente desde o processo criativo até a estética final do produto. Ao observar pinturas e desenhos de períodos históricos, um estilista consegue buscar fonte de inspiração e desenvolver novos conceitos e modelos de vestuário. 

Quadros e esculturas da Pré-História e Antiguidade já registravam os modos de vestir da época, mas a roupa como elemento da moda e característica de hierarquia social só foi vista mais a frente, na Idade Média. É ao final desse período que moda e arte começam a criar, de fato, uma relação simbiótica.


Mesmo que a moda não busque referências diretamente na arte, ela por si pode ser considerada expressão artística se o intuito do estilista for o de representar seu estilo, passar uma mensagem e fornecer uma experiência a partir da roupa ou, por meio de um desfile performático, por exemplo.

A arte influenciando na criação de moda

Elsa Schiaparelli, estilista italiana, criou o “vestido lagosta” em colaboração com o artista Salvador Dalí, inspirada na obra dele, um telefone em formato de lagosta. Ela optou por usar uma referência de arte direta.

Porém, a arte pode ser manifestada de outras formas nas criações de designers e estilistas, por meio, inclusive, de movimentos estéticos. Linhas, cores, formas, estrutura e, até mesmo os materiais, são utilizados para inspirar no desenvolvimento de coleções.

É o que explica Lorenzo Merlino, estilista e professor, sobre como esses profissionais podem trabalhar essa relação “Ele pode usar inspirações somente no campo cromático, ele pode usar as inspirações somente no campo formal, ele pode usar as inspirações no campo visual, ele pode usar as informações no campo da constituição da coleção, dos materiais da coleção. Enfim, é também bastante imenso esse universo e que faz parte das características da moda não só atual, mas desde o início do século XX”, diz Merlino.

Em entrevista a Casa Vogue, Raquel Davidowicz, estilista e criadora da marca UMA, revelou sua percepção sobre essa relação moda e arte:


“A moda integra a arte e a vida cotidiana serve de elemento condutor para a arte. Já a arte inspira de várias maneiras a moda.”, diz a estilista.




O mercado de moda perante as grandes criações

A arte, em sua essência simbólica, ainda pode ser inacessível para o consumo de massa, visto que é associada como elitista e está atrelada, por muitas vezes, apenas para aqueles que detém conhecimento de referências culturais e ideológicas. Porém, quando dissolvida a um produto comercial, pode despertar a curiosidade e o senso de pertencimento ao consumidor. A narrativa escolhida para apresentar o produto também faz diferença na hora da compra pelo consumidor.

Um exemplo que se tornou popular foram as combinações feitas de itens da arte do artista Romero Britto. Com caracterísiticas coloridas e geométricas, suas criações apostam em motivos alegres e símbolos do cotidiano, não exigindo um conhecimento profundo de referências. Assim, de Dolce & Gabbana a uma pequena loja de bairro, o trabalho de Romero virou estampa de artigos de moda e conquistou clientes diversificados.

“O fast fashion usa a arte como as outras marcas de moda como um elemento de inspiração. Esse elemento é sempre bem apreciado. Evidentemente, por conta da necessidade do fast fashion de alcance massivo essa inspiração quando ocorre ela é bastante diluída, mas ocorre sim, o mercado absorve super bem também”, explica Lorenzo.

A moda não depende só da arte

Há ainda dois pontos a serem considerados: tanto a moda pode influenciar a arte como a arte pode influenciar na moda. Porém, a criação para uma coleção ou produto de moda não busca inspiração apenas no campo artístico.


“Essa questão da inspiração é muito específica e particular de cada design, de cada marca, de cada estilista, são questões bastantes específicas não tem uma única regra. Se inspirar em obras de arte ou um artista em específico, dentro do campo das inspirações de coleções desenvolvidas, é algo corrente, constante, mas não é exclusivo. Não é o único caminho que a moda encontra de inspiração”, conta Merlino.
 
Explorar as possibilidades de criação na moda pode ir além da arte. Aassim, a relação entre elas se tornam intrínseca a ponto de dialogarem naturalmente, mesmo quando este não é o objetivo principal do estilista.

 
 

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