23/07/2021 às 10h01min - Atualizada em 23/07/2021 às 09h42min

Crônica: férias? Apenas o nome!

Ter o descanso das férias é um desejo e direito de todos, mas nem sempre é tão simples se desligar

Hellen Almeida - Editado por Andrieli Torres
Foto: Férias na pandemia//Reprodução: Freepik.

Gostaria de perguntar algo a você, leitor: também sente que as semanas finais antes de iniciar suas merecidas férias são mais exaustivas do que a união de todos os outros meses de trabalho diário? 

 

Pois eu sim: a carga é maior para “compensar” o tempo em que estarei ausente e a exaustão já é tamanha que sinto que trabalho em “modo zumbi” de energia: lentamente, com a mente exausta implorando por pausa. 

 

Porém, elas finalmente chegam ao fim e minha vontade é gritar e chorar de alívio: Estou de férias! Por ao menos duas semanas, chega de trabalho, a única “meta” é ter um tempo de qualidade com minha família. Bem, era o que eu pensava.

 

“Finalmente férias!” ou não?

 

Inicialmente tudo correu maravilhosamente: minha família alugou uma casa distante na serra, “ótimo, irei respirar ar fresco depois de tanto tempo no home office”, pensei. E de fato: foi apenas paz… por três dias.

 

Começou aos poucos: um colega pedindo ajuda com o sistema novo, a dificuldade de outro em encontrar alguém para entrevistar - Ah, olá novamente! Clara Fernandes por aqui (clique aqui, e também nesta matéria e se quiser, neste conteúdo para ler outras produções minhas!) - Sou estudante de jornalismo e notei que realmente, a notícia nunca dá folga. 

 

Depois, outras questões “pequenas” começaram a aparecer: preencher um relatório, enviar o contrato para um cliente, escrever uma matéria “rapidinho”. Sinceramente, não notei o que ocorria até perceber a culpa me preencher: “preciso mesmo de férias? Afinal, já estou fazendo trabalhos pequenos, deveria aproveitar este tempo para fazer um curso.”

 

O corpo implora por uma pausa

 

Sim, minha cabeça não estava em um bom lugar e aos poucos meu corpo foi mostrando isso: o som de notificações das mensagens passou a ser sinônimo de ansiedade e pânico, como uma perseguição eterna. 

 

Estava com os nervos à flor da pele: já não era capaz de comer sentia um embrulho no estômago e meu coração constantemente batendo a mil, a sensação era que eu podia parar na emergência a qualquer momento, a respiração era irregular… tudo culpa de um celular.

 

Conclusão: férias para quem?

 

Chegou um momento em que disse “BASTA!”, informei a todos meus colegas e chefe que não adiantaria enviar mensagens: eu desligaria todo o contato com o mundo e voltaria apenas após as férias. 

 

Podem imaginar como fui criticada por todos, especialmente por meu chefe: “você é fresca e anti-profissional", mas não perdi meus cabelos por isso. Notei que o meu momento de descanso se tornou pior que todas as semanas de trabalho, eu adoeci e precisava de paz.

 

Apesar de todas as críticas, esta foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado: finalmente pude descansar, respirar, sorrir! 


Aparentemente, tirar férias se tornou mais difícil: então imponha limites nesse momento, respeite o descanso mais do que merecido e não se culpe por se pôr em primeiro lugar.
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