12/11/2021 às 16h33min - Atualizada em 11/11/2021 às 16h48min

Alimentação saudável tem papel importante na saúde mental e ajuda a combater depressão e ansiedade

Docente do curso de Nutrição e Fisioterapia da Faculdade Santa Marcelina, Alexandra C. Freitas explica como os alimentos podem ser grandes aliados na busca por um maior bem estar psíquico

Pedro Lopes - Editado por Ynara Mattos
Alimentação saudável é uma grande aliada ao bem-estar físico e emocional / Crédito: Ridofranz

A revista acadêmica The Lancet divulgou no dia oito de outubro deste ano, que em 2020 houveram no mundo 53 milhões de novos casos de depressão e 76 milhões de ansiedade, o que representa um aumento de 28% e 26%, respectivamente. A pandemia da Covid-19, alinhada aos problemas cotidianos, são alguns dos principais fatores que contribuíram para a crescente ocorrência desses e outros transtornos mentais. 

De acordo com a pesquisa, os distúrbios já eram um fardo global na saúde mundial e, foram exacerbados com a chegada da doença. Países mais atingidos pela pandemia tiveram os maiores aumentos nos registros desses transtornos.

A secretária Mariane Rocha (22) é uma dos milhares de brasileiros que vêm sofrendo com os impactos da Covid-19. Segundo ela, o início da pandemia, somado às medidas restritivas como o isolamento social, fizeram com que o seu caso de ansiedade se agravasse.

“Minha família mora em outra cidade, antes da pandemia eu ia lá direto, quase todas as semanas, quando a pandemia começou, eu fiquei meses presa em casa, sem ir para outro lugar. Eu acredito que a covid contribuiu muito para a minha ansiedade, piorou uns 70%”, afirmou Mariane.

A saúde mental é influenciada por diversos fatores: genéticos, ambientais, sociais. Mas evidências científicas, cada vez mais, comprovam a influência da alimentação na saúde mental. A docente do curso de Nutrição e Fisioterapia da Faculdade Santa Marcelina, Alexandra C. Freitas explica como os alimentos podem ser aliados no combate a essas enfermidades.

A professora aponta que certas substâncias têm o poder de favorecer mudanças de humor, como o aminoácido triptofano, encontrado no queijo, que, combinado com alimentos ricos em vitaminas do complexo B e magnésio, se transforma em serotonina, conhecido como hormônio da felicidade e do bem-estar.

“Alguns nutrientes podem favorecer aspectos como humor, sono, memória, concentração, ansiedade e bem-estar físico. Refeições baseadas em alimentos naturais, coloridos e com todos os grupos alimentares, proporcionará benefícios para a saúde como um todo” afirmou a docente.

Segundo Alexandra, existem alimentos que são encontrados com grande facilidade nos supermercados, os ultraprocessados, que são até práticos no preparo e até mais baratos, mas que a longo prazo podem provocar danos graves ao organismo.

“O consumo excessivo desses alimentos, ricos em gorduras saturadas, açúcar, sódio, conservantes, aditivos químicos, corantes e outras substâncias e, ainda, pobres em vitaminas e minerais, podem afetar a saúde mental e física de forma negativa”.  

Alexandra também destaca que refeições com restrição drástica ou absoluta de carboidratos, as chamadas “dietas low carb”, podem ser responsáveis por agravar quadros de ansiedade e depressão, visto que os carboidratos têm a função de fornecer energia.

“A ausência dessa substância no cérebro faz com que ele pare de funcionar adequadamente, podendo causar maior irritabilidade, cansaço, perda de energia e mau humor”, explica a nutricionista. “As dietas restritivas devem ser feitas apenas quando há indicação clínica e sejam devidamente acompanhadas por profissionais capacitados”. 

Foi o que aconteceu com a Mariane Rocha, que começou a fazer uma dieta com restrição de carboidratos por conta própria, mas parou quando viu que não estava lhe fazendo bem: “Eu fiz dieta para diminuir o carboidrato, chegou uma época que eu praticamente cortei tudo, mas depois estava me fazendo mal, ficando com muita fraqueza, então eu voltei a comer um pouquinho mais” completou a secretária.

O consumo exagerado de açúcar, seja ele na forma de adição ou contido nos alimentos, especialmente os ultraprocessados, também pode interferir em nossa saúde mental. Segundo a docente, quanto maior o consumo de açúcar, maior a prevalência de depressão e alterações de humor.

Contudo, ela salienta que o controle do açúcar deve ser visto com cautela, sem demonizar o alimento, devendo ser usado com moderação, como parte de uma alimentação saudável, buscando o equilíbrio, que para ela, é a melhor opção.

 

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