16/11/2021 às 00h00min - Atualizada em 16/11/2021 às 00h01min

Consumir ou não animais: qual sua opinião?

Cada vez mais propostas alternativas à dieta carnista vêm surgindo e ganhando destaque entre pessoas do mundo todo

Bruna Villela - Editado por Júlio Sousa
Banco de Imagens/Unsplash: por Thalyson Souza

O Brasil, desde antes mesmo de ser um país, é reconhecido economicamente pela atuação agropecuária e, hoje, é uma potência mundial no ramo. Por todo o território nacional, há variações de espécies vegetais cultivadas, bem como de animais criados para o abate ou destinados à produção de alimentos; e é este último ponto que recentemente vem atraindo pensamentos divergentes em relação aos hábitos alimentares dos seres humanos.

Segundo a organização Humane Society International (HSI) inúmeros animais são criados e abatidos para consumo anualmente, chegando a somar 88 bilhões em todo o mundo, o que equivale a mais de 11 vezes a população humana global. Apesar da aparente fartura, a fome ainda representa um forte problema no planeta. No final do ano passado, mais de 19 milhões de brasileiros enfrentaram esse problema, de acordo com pesquisa feita pela Rede PENSSAN.

Frente ao debate sobre a relação entre ‘homem’ e animal, muitos dizem que, instintiva e biologicamente, o ser humano integra a cadeia alimentar como qualquer outro ser vivo, e por isso não há nada demais em manter a dieta carnívora. Por outro lado, um grupo de pessoas afirma que com o avanço técnico e tecnológico experienciado pela sociedade, o ser humano seria capaz de repensar suas atitudes e escolher um modo de vida de forma ética e racional. Na realidade, ambos os lados têm seus prós e contras particulares, com interpretações distintas dependendo do contexto que estão inseridos.

Comunidade Carnista

O servidor público Maycon Covacic é Carnívoro e declara que desde novo não tinha afinidade em ingerir alimentos como legumes e vegetais, hoje ele enxerga alguns benefícios em sua escolha: “Manter a forma e criar células mais resistentes e saudáveis, sem alteração nas informações presentes no RNA”. Sua opinião está relacionada com alguns estudos, envolvendo alimentos transgênicos e o microRNA presente nas células vegetais que passou a ser encontrado em pequenas quantidades nas células humanas de quem geralmente se nutre deste grupo alimentar.

Além de pensar na própria saúde, Maycon comenta sobre outras questões que norteiam sua escolha: o desequilíbrio ecológico no ecossistema observado pelo desmatamento, por ataques de tubarões em seres humanos, ou ainda, pelo encalhamento de baleias. Para o entrevistado, a causa por trás de tal desequilíbrio é a falta de alimentos nos habitats naturais desses predadores, com isso ele afirma que “também não consumo animais da água ou do ar; somente da terra, no caso, os quadrúpedes”. 

A escolha pode parecer radical para muitos ou até mesmo desconhecida, e foi por este motivo que ele criou uma comunidade nas redes sociais: para se defender e acolher os membros que são julgados e alvos de preconceito que declara sofrerem pela internet. A “Comunidade Carnista”, no Facebook, conta hoje com pouco mais de 100 membros e Maycon relata que ainda tem pouca interação entre os integrantes nas publicações. Por fim, diz que não fez acompanhamento com profissionais da saúde por acreditar que se alimentar somente de carne é suficiente para ser saudável, uma vez que ele nunca enfrentou problemas com isso. 

Veganismos

A estudante Carolina Carvalho conta que seu primeiro contato com o tema foi através da internet. Ela já era vegetariana quando conheceu a “crueldade envolvida nos produtos derivados”, que comumente não são associados a maus tratos aos animais, diferente da carne em si. Além de considerar “absurda” a forma que esses animais são tratados, ela aponta que a ‘indústria da carne’ está atrelada a prejuízos na saúde humana, também a problemas ambientais e à fome no mundo.

Em sua experiência, os principais benefícios são focados na saúde, como melhora da digestão e do colesterol alto, bem como passar a ter consciência sobre qual a origem e o quê se está ingerindo. Já os malefícios seriam desde lidar com restrições de “alimentos que você sente falta”, até lidar com a intolerância de pessoas que querem opinar nos "hábitos de Carol". Após pesquisas e estudos ela diz que o maior desafio foi convencer os pais a mudarem o estilo de vida, para isso contou com a ajuda da sua irmã que é nutricionista. Hoje ela ainda faz acompanhamento com profissionais, mas afirma já ter “uma boa noção” do que precisa comer para nutrir seu corpo.



Através das redes sociais, a Carol cria conteúdos sobre o tema: “A ideia surgiu porque eu me sentia muito sozinha, sendo a única vegana que eu conhecia, então criei para fazer amizades”. Hoje, sua conta @veganismoeamor, no Instagram, já soma mais de 9000 seguidores e, para ela, a conquista representa “algo muito maior do que eu imaginava, eu sinto que espalhar a verdade sobre a crueldade da indústria pecuária e ajudar pessoas que estão em transição é uma das minhas missões de vida”. E finaliza: "Sou muito grata por tudo e os planos futuros são continuar nesse caminho, melhorando um pouco mais todo dia”.

A também estudante Luiza Cominato Mangucci diz que “ainda existe muita resistência” em relação ao tema, porém também é cada vez mais debatido e “muito necessário, por permitir uma sociedade mais justa e grande impacto positivo no meio ambiente”. Ela diz que o consumo de produtos de origem animal traz “inúmeras mortes, sofrimento e danos ao planeta, e podem ser facilmente trocados por produtos semelhantes que não são prejudiciais”. Também pontua que apesar de estar enraizado na sociedade, o consumo carnista está mais relacionado ao prazer do que à necessidade e o primeiro “não deveria estar acima de outras vidas”.

Diferente de muitas pessoas, ela comenta que teve apoio no processo de transição do vegetarianismo ao veganismo e que a internet foi sua aliada na busca de informações: documentários que mostravam a exploração além do consumo de carne e amigos ajudaram a superar a falta de conhecimento e a resistência de pessoas em seu entorno. Sua mentalidade já tinha começado a mudar antes disso, a estudante conta que morava perto de fazendas e por esse contato mais próximo com os animais não queria ser responsável pelo ‘fim’ que eles levavam.

 Embora Luiza não tenha buscado profissionais para a transição, continuou com o acompanhamento médico de antes e realiza exames regularmente. Para ela, se tornar vegana trouxe benefícios à saúde e melhorou sua relação com a alimentação, proporcionando experiências prazerosas ao cozinhar e compartilhar com outras pessoas novos pratos culinários, sem falar na relação com a natureza, “buscando cada vez mais viver sem afetá-los de modo negativo, uma vez que existem inúmeras possibilidades para isso”. E encerra: “Ser vegana foi uma das melhores decisões que tomei, e não tive nenhum malefício”.

Retomada

    Diferentes modos de vida são adotados pelos seres humanos, dependendo da perspectiva que empenham e da conjuntura na qual estão inseridos. Contudo, em ambas as possibilidades de dieta apresentadas foi levado em consideração um aspecto primordial: a saúde do indivíduo. Bem como o meio ambiente enquanto vasta natureza composta por seres vivos, os quais devem ser respeitados, porém de determinada forma e lógica não necessariamente equivalentes entre si.

 


 

 

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