29/06/2019 às 23h31min - Atualizada em 29/06/2019 às 23h31min

Batalha do termostato

Pesquisas indicam que há diferença no senso cognitivo entre homens e mulheres, de acordo com a temperatura ambiente

Daiana Pereira - Editado por Thalia Oliveira
Fotografia: fmmetropole
No dia 22 de maio, foi publicado um artigo na revista científica online PLOS One, intitulado de Batalha do termostato”. O intuito da pesquisa era entender as diferenças do desempenho cognitivo entre homens e mulheres em provas e atividades cotidianas, como nos estudos em escolas e universidades, bem como no trabalho. Foi então que descobriram que as diferentes temperaturas causam efeitos contraditórios nos gêneros.

Tom Chang, dos Estados Unidos, e Agne Kajackaite da Alemanha, são os pesquisadores da Batalha do termostato. As pesquisas estão sendo realizadas desde 2017, e no ano de 2019 foram divulgadas para o público. O estudo consistiu em testes com 543 estudantes universitários de Berlim, capital da Alemanha. Desses estudantes, 41, 14% eram mulheres.

Com base em 24 sessões no laboratório da Technical University Berlin, com 23 à 25 participantes por sessão, foram realizados testes de raciocínio lógico, problemas matemáticos e verbais. Os alunos eram pagos para participar dos testes e estavam cientes que haveria variação de temperatura durante as provas. As temperaturas se alternavam entre 16.19 C° e 32,57 C°.

No final da pesquisa, Tom Chang e Agne Kajackaite observaram que as temperaturas influenciam drasticamente no desempenho dos homens e mulheres. Segundo eles, homens conseguiam responder mais questões quando as temperaturas estavam baixas. Já as mulheres, executavam questões com mais eficácia quando as temperaturas estavam altas. Ou seja, o desempenho dos gêneros varia de acordo com as temperaturas extremas.

Ao manter temperaturas amenas, o desempenho era praticamente igual. Porém, ao mudar a temperatura, já era possível ver resultados distintos. “Os homens apresentam 0,07 (0,63) menos respostas corretas quando a temperatura é aumentada em um grau” e mulheres “está associado a um aumento de 0,17 (1,76%) no número de questões matemáticas respondidas corretamente”, de acordo com o artigo científico.

Segundo a pesquisa, foi possível encontrar outros fatores influenciados pela temperatura. “Embora puramente especulativa, os efeitos mais comportamentais da temperatura, como os efeitos sobre a reflexão ou a agressão, se manifestam em horizontes de tempos mais longos do que uma sessão experimental de uma hora”. Ou seja, períodos mais longos é possível ver mudanças no comportamento, humor e reflexão.

Uma das observações em relação às mulheres, foi que em longo prazo e de acordo com a temperatura, as mulheres se mostraram menos competitivas, mais avessas ao risco e mais honestas que os homens. Além disso, foi visto que elas são mais altruístas, mais cooperativas e mais emotivas em julgamentos do dilema moral.

A conclusão das pesquisas foi demonstrar que temperaturas não são apenas questões de mero conforto no ambiente de trabalho, mas um fator que influencia de forma drástica na produtividade de ambos os sexos. Também foi possível mostrar ao mundo científico, que a temperatura afeta os sexos de forma diferente, e isso deve ser levado em consideração em outras pesquisas.

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