09/04/2022 às 23h19min - Atualizada em 09/04/2022 às 23h12min

Efeito Halo no mercado de trabalho

Como a aparência afeta o cotidiano no mercado de trabalho

Samara Letícia - labdicasjornalismo.com
Foto e Edição: Samara Letícia
   O Efeito Halo é descrito como fenômeno em que as primeiras impressões irão gerar uma avaliação prévia e afetará o julgamento sobre uma pessoa. Com isto, setores como o mercado de trabalho são diretamente afetados e a oportunidade de emprego estará diretamente ligada a simpatia que o contratante terá da pessoa. Portanto, pessoas com socialmente atrativas terão um melhor julgamento e todas as coisas relativamente positivas que ela fizer irão somente reforçar uma impressão já criada. 

   Segundo a psicóloga Maysa Fonseca, é um efeito em sua maioria, negativo para aquele que pratica e aquele que é avaliado, uma vez que, uma característica aleatória e descontextualizada poderia trazer consequências sérias, por falta de uma análise mais crítica sobre política, nesse caso. Em suas palavras: “Pensando no ambiente organizacional, contratar alguém com base em características aleatórias e rasas, sem analisar um contexto geral, também poderia gerar um clima de trabalho bem ruim: pouco produtivo, pouco colaborativo e com pouca motivação”.

   Para que seja possível entender melhor este efeito, toma-se por exemplo as experiências da coordenadora Giselda Maria, do Colégio Santanna, ela que é responsável por muitas das entrevistas de emprego para o ensino fundamental menor, disse que avaliação exterior também conta, assim como o currículo. Segundo a contratante, mesmo que a pessoa não esteja vestida com roupas caras, deve estar apresentável e de modo adequado, para gerar uma melhor impressão, não somente nela, mas também com os colegas de trabalho. Em uma de suas contratações, uma professora de inglês que utilizava dreads causou muito estranhamento para com as profissionais ao seu lado, mesmo que a moça já estivesse contratada. E o que deveria ser somente um cabelo, gerou conversas paralelas acerca do assunto no espaço de trabalho, segundo ela. 

   Esse pensamento é confirmado pela graduanda em educação física, Giovanna Lemos, de 19 anos, a moça branca, loira e considerada dentro dos padrões de beleza, conta com cinco entrevistas de emprego e quatro contratações. Em suas palavras: “Quando o emprego era de frente de loja, por exemplo, eu fui bem cotada! Eles sempre diziam que queriam gente bonita para esse emprego”. A estudante também disse que sempre tentava ser o mais simpática possível, para que esta primeira impressão pudesse ser positiva. Além disso, segundo ela, as suas vestimentas sempre teriam de estar alinhadas, para que tivesse a melhor entrevista possível. 

   Quanto à graduanda em publicidade e propaganda, Aléssia Sandanha, de 21 anos, para as entrevistas do seu estágio a aparência não foi um atributo de ajuda, mesmo que não sentisse que a atrapalhou. A moça autodeclarada parda e, portanto, considerada não considerada participante dos padrões estéticos, conta com duas contratações para as oito entrevistas que foram feitas. Ela disse que mesmo a sua área de trabalho seja bastante criativa e acolhedora, já houveram comentários negativos para os twists, penteado afrodescendente, que utilizava nos cabelos. 

   A graduanda em jornalismo, Ianna Karoline, de 20 anos, disse também se importar consideravelmente com as impressões que as suas vestimentas causariam, procurando ser formal e “adequada”. Segundo a moça, em um dos seus dias de trabalho no campo de entrevista esportiva, o narrador e o comentarista do jogo disseram que na área de TV a aparência contava para as contrações e que aquele era um atributo de Ianna. 

   Desse modo, é possível perceber as implicâncias da aparência no mercado de trabalho e a maneira como esta pode atrapalhar ou beneficiar alguém em suas contratações, mesmo que com isto muitos profissionais qualificados sejam perdidos. Para aqueles que seriam entrevistados, além da preparação mental, a física também é vista como importante, assim como seu currículo. 
 

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