12/07/2022 às 13h52min - Atualizada em 10/07/2022 às 19h41min

SZA e o sincero 'Ctrl'

Lançado há 5 anos, o primeiro e único álbum da cantora aborda a solidão causada por um relacionamento e a falta dele

Ana Beatriz Magalhães - Revisado por Flavia Sousa
Cantora SZA na capa de seu primeiro e único álbum. Fonte: PopNow/Reprodução
Alguns consideram o estilo musical R&B um dos mais famosos e que mais entregam e apresentam artistas de qualidade para o mundo. Todos os anos, milhares de jovens talentosos são descobertos e têm a vida mudada devido ao sucesso e fama. 

Nesse contexto, em que novos cantores e compositores surgem e os “antigos” são esquecidos, é preciso manter a inovação e criar verdadeiras obras de arte para permanecer na mídia. A competividade é grande e, muitas vezes, trabalhos são lançados na pressa sem muita profundidade ou personalidade, apenas para alcançar números e resultados. 

E é nesse mundo que SZA conquista espaço e público. Seu nome artístico é um acrônimo formado a partir das palavras salvador, zigue-zague e Alá. A cantora lançou seu primeiro trabalho em 2013 e, mesmo que fique bastante tempo sem lançar nada, ela se mantém entre as artistas mais influentes e famosas do mundo, principalmente entre pessoas pretas. 

 

Ao falar honestamente sobre sentimentos e como é desafiador para mulheres pretas se amarem e encontrarem conforto em relações, SZA constrói obras sobre amor, o medo de não tê-lo e de perdê-lo. Em seu primeiro e único álbum, ‘Ctrl’, ela aborda isso, a partir de versos e melodias que ressoam e servem de referência quando o assunto é a solidão de mulheres pretas.
 

O Diário pessoal de SZA


Lançado em 2017, o ‘Ctrl’ é quase como um diário da SZA, que foi exposto para milhares de pessoas. Por isso, acabou servindo de conforto ao fazer com que muita gente se identificasse, já que, nos versos, parece uma conversa entre duas grandes amigas que compartilham suas decepções, amores e a solidão.
 
Leia mais: 5 cantoras de R&B que você precisa conhecer  

A primeira música do álbum, 'Supermodel', por exemplo, começa com uma gravação caseira de uma conversa da cantora com sua mãe, expondo seu medo pela falta de controle. Mostrando profunda intimidade e honestidade com aqueles que escutam, SZA dá início a narração de seu percurso no mundo do amor e das desilusões.

Na canção, a artista aborda a frustação por não receber o amor que acha merecer e se culpa por não ser boa o suficiente para sustentar a relação. Já em ‘Normal Girl’, ela demostra o desejo de ser apenas uma garota normal. É refletido os problemas de autoestima que muitas mulheres pretas sofrem: não se sentem suficiente, devido a traumas passados ou por não se adequar ao rótulo de “garota dos sonhos”.

Em ‘Love Galore’ e ‘The Weekend’, SZA trata da questão de ser vista como amante e apenas um objeto sexual. Esse é um estereótipo criado no século XX, o qual mulheres pretas são idealizadas e sexualizadas, mas nunca escolhidas.



 

Nas músicas ‘Garden’ e ‘Drew BarryMore’, a cantora procura se encaixar em um padrão estético. SZA deseja ter um corpo que agrade seu companheiro e, por não o possuir, acredita não ser suficiente. Além disso, a segunda ainda fala sobre como ela se isola para viver no mundo do companheiro.

Então, é evidenciado, em todo o álbum, a necessidade de aprovação da cantora – e de diversas mulheres – em que ela se preocupa com a opinião dos outros para que, só assim, consiga se sentir confortável sobre si. 


Leia mais: Vozes femininas no rap nacional

O ‘Ctrl’ é uma grande experiência representativa: cada canção expõe de maneira direta e profunda cada ferida que relacionamentos malsucedidos deixam. É tudo muito pessoal e relacionável, com uma produção minimalista – que conta com gravações caseiras – mas com declarações honestas, que outros artistas de sua vertente (R&B) não conseguem tocar com tanta percepção.
 

Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »