15/07/2019 às 17h09min - Atualizada em 15/07/2019 às 17h09min

União da Jessica Biel com ativista anti-vacina contra lei na Califórnia

Atriz apoia Robert F. Jennedy Jr, ativista e líder da Children’s Health Defense, organização que põe em cheque segurança da vacina

Caio Costa - Editado por Thalia Oliveira
Reprodução (Instagram)
A atriz norte-americana Jessica Biel, se uniu a Robert F. Kennedy Jr, na luta contra um projeto de lei no estado da Califórnia, no início de junho. A matéria legislativa tem como proposta fortalecer a obrigatoriedade da vacina para crianças e enrijecer o controle entre as isentadas por ordens médicas.

Caso aprovada, a lei SB. 276 dará o controle ao Departamento de Saúde Pública da Califórnia de decidir quais são os casos clínicos que possibilitariam que crianças, que não foram vacinadas entre as vacinas obrigatórias pudessem frequentar a escola. Após repercussão do encontro, Jessica esclareceu em suas redes sociais que não é contra a vacinação, mas sim a favor de que a decisão sobre vacinar ou não seus filhos pertença somente aos pais. “Eu apoio que seja a família que tenham o direito de tomar decisões médicas sobre seus filhos”, afirmou a atriz.

A possibilidade de exigência do governo para que os pais cumpram a tabela recomendada da vacinação de crianças, para que elas possam ser matriculadas na escola ou viajar para outros países, não é um ponto rebatido somente pela atriz, mas também uma das principais oposições entre quem não acredita na eficácia da vacina em diversos países. Figuras como Robert F. Kennedy Jr questionam o grau de segurança científica dos efeitos colaterais na composição de vacinas. “Tenho confiança que nenhum tribunal americano irá permitir que o governo force cidadãos a tomar produtos farmacêuticos perigosos para saúde contra sua própria vontade”, já declarou Kennedy em uma declaração pela Children’s Health Defense, organização a qual lidera. 

Análises aprovadas por órgãos de saúde mundialmente ressaltam, a importância do Estado no incentivo a vacinação como uma forma de proteção de grupos vulneráveis como crianças e idosos, e a importância de campanhas públicas para a erradicação da transmissão de doenças. Em resposta aos baixos índices de imunização, uma lei na Itália permite que as escolas barrem crianças não vacinadas ou multem os pais. Já na Inglaterra, o Ministério da Saúde estuda implementação de obrigatoriedade no país. No Brasil, não existe uma obrigatoriedade para a matrícula nas escolas, porém o Ministério da Saúde altamente recomenda, segundo portal oficial do órgão nacional.

Opinião pública 

Apesar dos níveis de confiança na importância da vacina serem altos mundialmente, a exemplo do Brasil, que 97% dos brasileiros concordam sobre a relevância da vacinação, segundo pesquisa da Wellcome Global Monitor realizada em 140 países divulgada em meados de junho.

A expressiva porcentagem de entrevistados, que afirmaram não acreditar na eficácia da vacina preocupa preocupam órgãos de saúde e a comunidade científica. Na França, um terço da população não acredita na segurança da vacina, maior índice do ocidente e abaixo da média mundial de 79% de confiança, 10% dos franceses não concordam com a importância de vacinar as crianças. Nos Estados Unidos, 4% dos americanos não acreditam na eficácia da vacina, segundo pesquisa da Agência Reuters. 

                                                  A maioria dos pais são a favor da vacina mundialmente mas, popularização de movimento contrário preocupa Foto: Getty Images

Indicada como uma das maiores ameaças a saúde deste ano, um dos motivos que levam ao crescimento de movimentos contra a vacina pode ser justificada pela desconfiança na vacina causada pela propagação de informações falsas, segundo a OMS no documento. Uma informação que ganhou força na internet em todo o mundo foi o estudo do médico Andrew Wakefield “MMR vaccination and autism” (tríplice viral e autismo) de 1998, que associava a vacinação contra o sarampo, caxumba e rubéola à ocorrência de síndrome do espectro autista. Mais tarde, esse estudo foi comprovado como fraudulento e o autor foi expulso da comunidade científica internacional e proibido de exercer a medicina, porém ainda é utilizado como embasamento por ativistas contra a vacina.  

As consequências da redução na cobertura vacinal nos Estados Unidos já vem causando impactos na população: 762 casos de sarampo foram confirmados até maio este ano, a maior incidência nos últimos 25 anos. O Brasil, segundo monitoramento do Ministério da Saúde, registrou 142 casos esse ano até 1º de julho, São Paulo chegou a registrar um aumento de 300% na incidência de casos. No mundo, o sarampo é a causa de 110 mil mortes por ano, sendo a maioria crianças com menos de 5 anos.  "A vacinação é uma das formas mais eficientes, em termos de custo, para evitar doenças", ressaltou a OMS em relatório.
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