30/07/2019 às 10h13min - Atualizada em 30/07/2019 às 10h13min

Crítica sobre O Rei Leão: Remake desvalorizou o clássico

Saiba porquê a Disney falhou no remake da animação

Emmyly Melo
Montagem/Fala! Universidades
O Rei Leão, animação que estreou em 1994 e ganhou o mundo marcando a infância de muitas pessoas volta como uma adaptação em “Live-action”. Lançado em julho deste ano, o remake já quebrou vários recordes de bilheteria sendo a maior bilheteria do primeiro fim de semana de julho conquistando US$ 191,7 milhões nos EUA e ainda nem saiu dos cinemas.
O clássico dos anos 90 que faturou US$ 968 milhões, ganha um remake 17 anos depois do seu lançamento e traz bastante repercussão. Entretanto, mesmo com bastantes qualidades a Disney falhou no remake,  o longa traz um realismo lindo de se ver, sendo impecável nos efeitos especiais, com um CGI (Imagens geradas por computador) tão realista que parece animais de verdade. Focando desde o modo de andar, vento, até a respiração; o filme tem um hiper-realismo que deixa qualquer um vislumbrado, mas que foi a causa de acabar com o filme.

A animação trazia uma proposta mais colorida e expressões faciais mais humanizadas, o que deixa a desejar no remake, pois a proposta da Disney foi ser o mais realista possível, sendo assim, a ambientação e animais tem seus tons e aparências naturais, deixando impossível que o remake traga emoções como: Sorriso, choro, surpresa e outras expressões; pois leões não têm essas expressões faciais, são expressões humanas. . O original tem gênero de drama e humor o que teve em escassez no remake.

Em cenas épicas como na morte de Mufasa (James Earl Jones), foi impossível o telespectador se emocionar com o filme, faltou conexão entre o publico e o longa o que traz um conflito para a obra, pois só o fato deles falarem já vai contra o realismo, mas quiseram fazer tão real que se negaram a dar as emoções necessárias para um filme de drama e humor. O personagem que mais demonstra emoção é Scar (Chiwetel Ejiofor), uma vez que sua amargura, desprezo e raiva está nitidamente expresso no seu rosto. O hiper-realismo também atingiu a cena em que Mufasa aparece nas nuvens, sendo que no original ele aparece nitidamente e no remake apenas uns raios representam o seu rosto uma vez que ele aparecer não seria real. 

Arte/Ellejart
O filme é totalmente fiel à animação, mantendo os ângulos iguais ao clássico, à posição das câmeras, copiando quase frame a frame do original, porém, mesmo tão igual, a “live-action” não traz tantas emoções além da nostalgia. Por conta da fixação em fazer o filme totalmente realista, o novo rei leão teve também várias mudanças significativas, como por exemplo, na personalidade de alguns personagens.

O filme optou por trazer um Scar sério, sombrio e com isso menos debochado. Um Rafiki (John Kani) mais profundo e menos engraçado e piadista. As três hienas no original é um trio muito engraçado o que muda no remake, sendo elas serias e com pouca ligação á Scar. Mudanças essas que são necessárias para a harmonização com a proposta do filme.
 
Além da personalidade modificada, outros detalhes do original não funcionariam na nova versão em live-action e trouxe até uma harmonia melhor ao filme. Na floresta, Timão (Biily Eichner), Pumba (Seth Rogen) e Simba (Donald Glover) conviverem com vários outros animais, fez muito mais sentido do que o original. Algumas músicas também sofreram modificações como: “O Que eu Quero Mais É Ser Rei” que mostrou apenas Nala (Beyoncé) e Simba correndo na selva e mexendo a boca ao invés de um musical que mostra na animação e a musica “Se Preparem” torna-se basicamente um discurso um pouco cantado, totalmente oposto do original.
 
A dublagem foi outro fator que fracassou, ao menos na dublagem brasileira. Por optar por atores e cantores ao invés de dubladores, faltou à emoção na voz dos personagens que junto a falta de expressões faciais deixou o filme quase impossível de saber quais sentimentos os personagens estavam sentindo em determinada cena.  
 
O remake desvalorizou o clássico. Perdendo sua magia e emoção mesmo tendo o roteiro basicamente igual. O filme oferece 30 minutos a mais de conteúdo do que na animação, mas nada que fuja do roteiro e deu a sensação de serem 30 minutos de enrolação. Por sua “copia fiel” ao original, o filme traz bastante sentimento de nostalgia, porém mais nada além disso.

REFERÊNCIAS: OBSERVATÓRIO DO CINEMA, 
TODOS os recordes de bilheteria quebrados por O Rei Leão. Disponivel em <https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/listas/2019/07/todos-os-recordes-de-bilheteria-quebrados-por-o-rei-leao>, Acesso em 27 de julho de 2019.
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