07/08/2019 às 14h47min - Atualizada em 07/08/2019 às 14h47min

Planos de construção de telescópio próximo a vulcão gera polêmica entre havaianos

Construção de telescópio de 30 metros no vulcão de Mauna Kea gera protestos de nativos havaianos

Isabelle Miranda
Divulgação
Há planos para construir um novo telescópio, na região próxima ao vulcão Mauna Kea. O local é protegido pelos nativos havaianos, esses que se opõem, pois alegam ser um lugar sagrado. A referida construção, possibilitará a geração de empregos, bem como impulsionamento em estudos científicos.

De acordo com Roy Gal, astrônomo associado da Universidade do Havaí, o telescópio Thirty Meter Telescope, de US$ 1,4 bilhão (cerca de 5,3 bilhões) poderia ajudar a responder uma das maiores questões da humanidade: existe vida em outros planetas? “Pela primeira vez seremos capazes de fazer medições das atmosferas de planetas do tamanho da Terra na zona habitável, em torno de outras estrelas”, disse ele. “Vamos ver se as atmosferas desses planetas têm água e moléculas que podem tornar possíveis à atividade biológica.”

O TMT pode aprimorar estudos sobre galáxias e como elas evoluem ao longo do tempo em diferentes tipos de ambientes no universo. O que contribuiria pintar uma história de vida mais completa das galáxias, desde a infância até a vida adulta. Roy afirma que o vulcão Mauna Kea tem as condições ideais para ver o cosmos e que os telescópios que já existem no local contribuíram para as principais descobertas sobre o espaço, incluindo a observação de que a expansão do universo estava acelerando. “Sempre que existe uma nova capacidade de telescópio, encontramos algo novo que não esperávamos descobrir”, disse ele.

Em comparação com os telescópios que temos na atualidade, o TMT terá uma área de captação de luz de 144 vezes maior do que a do Hubble, o telescópio espacial mais conhecido.

Alexis Acohido, havaiana nativa que trabalha há mais de quatro anos em observatórios no Mauna Kea afirma que a astronomia é uma das maneiras pelas quais ela se sente mais ligada a sua cultura. “Os havaianos são incríveis cientistas, engenheiros...para mim, é inspiradora a maneira que eles foram capazes de navegar o vasto Pacífico. Acredito que a ciência que estamos fazendo é uma extensão desse legado, e ela me deixa orgulhosa de ser havaiana.”

Em contrapartida, os havaianos afirmam que o vulcão é um templo que oferece uma conexão entre “criação e criador”. “Ele contém alguns dos nossos ancestrais mais amados e mais reverenciados. É um símbolo de paz”, diz Kealoha Pisciotta. Eles também salietam que não são contrários a ciência, e sim uma oposição ao desenvolvimento industrial e à destruição de terras e recursos naturais, e à preciosa e frágil ecologia. “Nós ficamos parados enquanto muitos de nossos recursos do meio ambiente foram degradados e prejudicados. Não vamos mais apoiar isso.”

Vários telescópios já foram construídos no Mauna Kea, mas os ativistas dizem não acreditar nas promessas de que o TMT será o último. “Nós já permitimos que a astronomia tivesse um lugar no Mauna Kea, mas os cientistas continuam a pedir mais. Nós temos que dizer ‘não’ nesse momento, porque quando dizemos ‘sim’, significa dizer sim à destruição de nossas terras ameaçadas”, disse.

Kealoha  afirma que o plano de construção do TMT é um sinal de que a economia tem mais relevância do que os direitos humanos dos moradores e que, além de ser uma paisagem sagrada, a montanha tem importância ambiental por ser uma fonte de água. Os ativistas pedem que os grupos por trás do TMT avaliem transferi-lo para um local nas ilhas Canárias.
 
 
 
 
 

 

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